Sábado, 17 de Novembro de 2012

Fizémos piqueniques


durante algum tempo pensei que a minha cabeça tinha parado. afinal eram só os residuos atómicos da explosão em casa da vizinha. os prédios da rua queixavam-se do mesmo. de cefaleias intensas e enjoos constantes. mas eu achava que a responsabilidade era dos monos que empestavam as caleiras.

respirar passou a ser uma prioridade entre os sons das sirenes e as graves consequências da privação do sono que nos esburaca a mente e nos dá um ar macambúzio. vagueámos pelas estradas à procura de soluções. descansámos à beira da estrada, debaixo de árvores, ou escondidos pelas espigas de trigo por cortar.

Sábado, 18 de Agosto de 2012

Oú sont les putains?


O título vai em francês, idioma em que qualquer expressão ordinária ganha um cachet, uma patine e um panache do caraças.

Pergunta que ainda ninguém fez e que urge muito, ó se urge: agora que o intendente está a ficar fino e a pequena e média burguesia vai lá beber uns copos e achar a cena very typical, para onde foram as senhoras da vida?

Enquanto me babava no leito num estado de semi-consciência concebi várias teorias alegrotas:

a) Ainda lá estão e toda a gente convive com alegria e desportivismo; burgueses, meretrizes, chulos, clientes e várias personagens saídas dos livros do Mário Zambujal?

b) Foram recambiadas para outras paragens em veículos de transporte de gado e agora podem ser vistas a pairar entre Santo António dos Cavaleiros e Ponte de Frielas?

c) Graças ao programa Novas Oportunidades reconverteram-se em barmaids, abriram lojas de roupa vintage e fizeram cursos de design industrial no IADE?


Aguardamos tipo desenvolvimentos e cenas.

Domingo, 15 de Abril de 2012

Habemus site de cinema: filmSPOT


Pessoas, seres humanos, leitores em geral: cumprimos um sonho antigo e temos o nosso próprio site de cinema.

Chama-se filmSPOT .

É não só um site de notícias sobre cinema, mas essencialmente um cartaz de cinema com os horários actualizados das sessões em salas de todo o país.

Agradecemos a vossa visita e toda a divulgação.

Como somos pessoas muito modernaças, também temos uma página no Facebook e estamos no Twitter


Sexta-feira, 9 de Março de 2012

Fofinhos, mudei o blogue

Ah e tal não gosto, estava melhor como dantes, quartel-general em Abrantes.

As if I cared... Já é uma sorte o blogue ainda existir, ouvi dizer que está completamente fora de moda. Só subsistem aqueles das pessoas da política porque enfim é o ganha pão deles e os das meninas dos sapatitos e afins porque... sei lá.

Sábado, 3 de Dezembro de 2011

Basil Fawlty, you're needed!


A propósito da cimeira europeia de 9 de Dezembro, talvez não fosse má ideia convocar o senhor Basil Fawlty para receber a delegação alemã.

Há alturas em que é tão desejável reavivar sentimentos de culpa e pesos na consciência.


Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Paradoxos do capitalismo moderno


#1 Os trabalhadores devem reformar-se o mais tarde possível.

É necessário flexibilizar as leis laborais para aumentar a competitividade.

O tempo do trabalho garantido para toda a vida terminou.

No entanto, desempregados de 50 anos são considerados velhos, caros, têm vícios e não conseguem trabalho.

#2 O estado social tal como existia faliu porque o seu modelo de funcionamento não comportava o crescimento do número de reformados numa população envelhecida onde, ao mesmo tempo, o número de nascimentos não pára de diminuir.

No entanto, o desemprego atinge essencialmente os mais jovens que, dessa forma, não conseguem entrar para o sistema contributivo.

A mulheres em idade fértil têm menos oportunidades porque as chefias não vêem com bons olhos as ausências decorrentes das licenças de parto.

A corrida pela competitividade no local de trabalho é tal exige cada vez mais horas de dedicação em prejuízo do tempo dedicado à família.

A diminuição geral nos salários torna o acto de ter filhos cada vez mais difícil.

Domingo, 27 de Novembro de 2011

Só a China - essa fofinha - pode salvar o capitalismo



Cá beijinho ó China, seu país fantástico onde o povão não tuge e, sobretudo, não muge. Onde não há cá essas modernices das leis laborais e das greves, onde os salários são baixinhos para manter a competitividade (wink wink nudge nudge), onde a informação que sai nos media é filtrada para não prejudicar a imagem do país (olá Duque! cá beijinho, também seu visionário extraordinaire), onde há pena de morte para os meliantes e campos de trabalho para os mal comportados que interfiram com o bom funcionamento do estado e das empresas.

Ah feliz este país por ter tais elites. Beijo vossos pés e agradeço, humilde e reconhecido, por partilhardes tal sapiência e tal fé em que a China irá crescer, crescer, crescer para sempre sem parar e que o capitalismo comuna é a melhor coisinha que surgiu à face da terra desde o chop suey de lulas.

Só a China pode salvar o capitalismo

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Ganhar Emmys na categoria de telenovela é...



...simpático, engraçado, pitoresco, mas não é para embandeirar em arco. 

Ganhar a categoria de "telenovela" nos Emmys significa triunfar na forma mais básica e barata de ficção. 

Gostaria de acreditar que pode ser um primeiro passo para produzirmos outro tipo de ficção televisiva, mas na verdade pode não significar nada. O salto para as big leagues ainda é grande. É um sinal positivo e merece reconhecimento, mas não mais do que isso. 

Também não confere prestígio internacional por aí além. Ser visto como país produtor de telenovelas não tem lá muito cachet, como diria uma senhora da Remax que eu conheço. Aliás, se nos prendermos muito ao formato isso pode funcionar contra nós. Ora pensem lá um pouco: qual seria a vossa reacção se vos dissesse "querem ver uma série venezuelana"?


Por comparação, dêem uma vista de olhos à série dinamarquesa "Forbrydelsen". Estreou há poucos dias no AXN Black com o título "The Killing: Crónica de um Assassinato". O caminho a seguir é mais este, creio eu.

Domingo, 20 de Novembro de 2011

Acabe-se com o Natal (por favor)

No fim de contas, este final de Novembro está igual aos outros finais de Novembro de outros anos. O povo está igualmente insano e histérico, o trânsito está insuportável a qualquer hora e as compras de inutilidades natalícias sucedem-se. Queremos muito tornar-nos num eremita até 2 de Janeiro? Sim, queremos.

Por outro lado, Senhor Relvas, Senhor Passos, parece que há por onde cortar. Estes salafrários ainda têm dinheiro.

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

A décima primeira hora, do décimo primeiro dia, do décimo primeiro mês



Para além do lado curioso que a data adquiriu, este ano, não esquecemos o significado maior que encerra a décima primeira hora, do décimo primeiro dia, do décimo primeiro mês.

Nesse preciso momento, em 1918, o silêncio caiu ao longo de uma linha que se estendia desde a costa belga, perto de Nieuport, até à fronteira suíça. Tinham passado mais de quatro anos desde que as armas se fizeram ouvir na Europa.

Nomes como Ypres, Loos, Verdun, Passchendaele, Somme, Chemin des Dames, Neuve Chapelle, Messines, Vimy Ridge, La Lys, Cambrai, Arras ou Belleau Wood, passaram a evocar linhas de homens a avançarem curvados na direcção de granadas de artilharia e balas de metralhadora, ou enterrados em buracos infectos. Vítimas de uma guerra do século XX travada com a mentalidade e as tácticas do século XIX.

Esquecer a nossa história é tão perigoso como falhar a compreensão do presente. Por isso, convém relembrar que o armistício entrou em vigor às onze horas do dia onze de Novembro de 1918. O interlúdio para um segundo conflito que surgiria vinte anos depois, rasgado a ódio e vingança nas cicatrizes mal curadas do primeiro.

Domingo, 6 de Novembro de 2011

As opções gregas

Na Grécia, após a ameaça do referendo que fez muito tecnocrata molhar as calcinhas, a moda do dia é o governo de unidade nacional.

O líder da oposição, Antonio Samaras, dos conservadores liberais da Nova Democracia(ND), diz que prefere eleições antecipadas. O mesmo Samaras que foi Ministro das Finanças em 1989, Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1989 e 1992 e, por fim, Ministro da Cultura em 2009.

O governo actual é socialista (PASOK). Está no poder desde Outubro de 2009 quando tomou o lugar da Nova Democracia que obteve o pior resultado eleitoral de sempre.

Portanto, tivemos um governo de inspiração liberal (em termos económicos) que estava no governo no início da crise. Seguiu-se um governo socialista que foi obrigado a adoptar medidas inspiradas pelo liberalismo económico. Agora, caso vingue a posição da ND, a alternativa é convocar novas eleições onde Samaras espera recuperar o poder. E vai mudar o quê? O povo grego reclama com a austeridade e vai votar num partido cujo código genético inclui a escola de pensamento que defende essas mesmas medidas?

Terceiras vias? Bom, o terceiro mais votado nas últimas eleições foi o Partido Comunista...

O paradigma e o caraças - ou como o share do cabo faz as pessoas pensar



Hoje é domingo. Daqui a umas horas, dois canais generalistas vão enfrentar-se em mais um duelo de programação. A novidade é que, desta vez, não vão esgrimir casas com gente de reputação duvidosa, nem ficção nacional de baixo custo.

Às 14h, a TVI estreia um produto Spielberg intitulado "Terra Nova". Uma família recua 85 milhões de anos no tempo para salvar o mundo. Ficção científica, efeitos especiais, mistério. Só o custo do episódio piloto daria para comprar um banco português daqueles muito aflitinhos (14,5 milhões de dólares).

Às 14h45, a SIC lança "Pan Am", uma série mais em conta, também muito na berra porque pretende ser um "Mad Men" passado na aviação comercial dos anos 60. Hospedeiras sensuais, mas pouco sexo e nada de tabaco que a Disney não permite essas poucas vergonhas.

Novidades:
  • São duas séries fresquinhas (estrearam nos Estados Unidos no fim de Setembro). 
  • Estão a sair nas generalistas em primeiro lugar. 
  • Não foram recambiadas para a madrugada de um dia de semana.

Não é a primeira vez que temos séries de topo no início da tarde de fim de semana das generalistas. Assim de repente lembro-me do "Prison Break". Admito que hajam outros exemplos.

O que chama a atenção é a frescura do produto em causa e o facto de haver uma marcação cerrada entre ambos os canais. Isto, numa altura em que o share diário do cabo superou o do maior canal generalista.

Ou seja, aumentou o número de espectadores a migrar para a oferta alternativa do cabo, com maior variedade, outro tipo de progrmação e breaks publicitários mais curtos.

É preciso ver se esta tendência se manterá quando a crise financeira nos cair em cima com toda a força (cortar nos serviços pagos de televisão será uma das primeiras reacções do povo à rasca). De qualquer forma, hoje, a situação é esta: nota-se uma saturação do modelo de programação dos canais privados, SIC e TVI (a RTP é um caso à parte porque atravessa uma fase de reestruturação) e há uma fuga para o cabo onde os canais de séries lideram.

Em teoria, a migração começa pelo topo da pirâmide, ou seja, pelos portugueses urbanos, com maior poder de compra - em teoria os que mais interessam aos anunciantes. A melhor forma de combater esta tendência é oferecer produto superior ao da concorrência. Séries mais frescas e com maior impacto.

Será esse o objectivo destas estreias?

(O pior é mesmo ter de gramar com 15 minutos de anúncios. Felizmente existem as boxes que permitem gravar tudo e passar por cima dos spots aborrecidos que uns tipos compraram a peso de ouro. A vida é boa, às vezes.)

Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Teoria do bullshitismo geral



Há quase duas décadas convenceram-nos de que não precisávamos de indústria nem de produzir alimentos. Políticos e gente que aparece na televisão, ou escreve nos jornais repetiu até à náusea o mantra de que "Portugal deve apostar nos serviços".

Mais coisa, menos coisa, são os mesmos que agora clamam pelo "comprar português", que apelam ao sentimento patriótico e à união de todos os portugueses e usam fitinhas idiotas criadas por bancos (mal) geridos à pala estatal.

Os mesmos que agora dizem que é preciso privatizar e vender a outros aquilo que não se soube, ou não se quis gerir.

Os que entregam o minério a consórcios canadianos criados em 2008 e não souberam estimular a criação de uma empresa portuguesa que explorasse estes recursos e não enviasse 96% dos proveitos para o exterior.

Os que se preparam para admitir a incompetência para construir e comercializar navios ao vender os Estaleiros de Viana do Castelo a italianos.

Nos idos dos 90 não faltaram discursos teóricos, muito lindos, a justificar o caminho escolhido. Tal como agora. Infelizmente, começamos a perceber que a essência da economia não mudou assim tanto desde os tempos do ouro do Brasil. Os erros de que nos falaram na escola são os mesmos: não produzimos nada, não investimos em nada duradouro. Desbaratamos riqueza.

É triste e irritante.

Sábado, 29 de Outubro de 2011

Eu não sou guru, nem faço parte de um grupo de trabalho, mas eis a minha opinião sobre o futuro da RTP



É simples, tal como o autor, um simplório do mais primevo que existe.


Por mais que custe - porque é uma medida pouco espectacular - o melhor seria deixar as coisas como estão. Fazer a tal cura de emagrecimento da RTP, alguns reajustamentos na grelha e manter o equilíbrio no share entre canais que existe hoje. 
Por mais que se queixem, a verdade é que a situação está mais ou menos equilibrada. Aliás, se calhar, a RTP poderia melhorar o share se passasse a ir menos atrás dos privados e emulasse um pouco mais a programação dos canais por cabo - cujo share cresce a olhos vistos. 

Soluções erradas:
a) Lançar mais um canal para o mercado. Vai perturbar o equilíbrio existente no mercado publicitário, obrigar a esmagar ainda mais as margens e, ao fim de alguns anos eliminará de qualquer forma um dos canais privados causando uma regressão dolorosa e inútil à situação actual. 

b) Eliminar a publicidade no canal público. Sabe-se que a RTP gasta demais, certo? Por isso a empresa está a sofrer uma fase de emagrecimento para reduzir custos, certo? Imagino que chegará a uma fase de equilíbrio, certo? Nessa altura, corta-se a receita de publicidade. Quem irá cobrir essa quebra?

A EDP fechou a página no Facebook

E fez muito bem.

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Adeus filme, olá digital

Salvé aos senhores que chamaram a atenção para este momento comovente. As principais empresas fabricantes de máquinas de filmar para profissionais vão descontinuar os modelos que funcionam com película.

Podeis bater com a mão no peito e arrancar as vestes, mas o passo está dado. Com maior rapidez do que seria de esperar o cinema diz finalmente adeus às  raízes e entra de corpo inteiro na que será, talvez, a maior revolução desde que o senhor Al Jolson começou a cantar em "The Jazz Singer" nos idos de mil nove e vinte sete.

ARRI, Panavision and Aaton have all quietly ceased production of their film cameras to focus exclusively on the design and manufacture of digital cameras.

Domingo, 16 de Outubro de 2011

Empresa, queres mesmo ter uma página no Facebook?

Esta imagem chegou via Facebook e levou-me a pensar o seguinte: algumas empresas têm má imagem junto de faixas importantes de consumidores e lidam com um elevado número de reclamações - justa ou injustamente, não é isso que interessa para o caso.

O que interessa é o seguinte: Sendo esta a realidade querem mesmo ter uma página numa rede social que permite comentários dos utilizadores, sabendo de antemão que vão sofrer ataques deste género, ou piores?

Se as coisas são assim agora, como serão após a saída do novo tarifário?

As redes sociais são uma coisa gira e podem ser uma ferramenta útil, mas não é obrigatório ter uma página só porque os outros meninos também têm.