Hoje é domingo. Daqui a umas horas, dois canais generalistas vão enfrentar-se em mais um duelo de programação. A novidade é que, desta vez, não vão esgrimir casas com gente de reputação duvidosa, nem ficção nacional de baixo custo.
Às 14h, a TVI estreia um produto Spielberg intitulado
"Terra Nova". Uma família recua 85 milhões de anos no tempo para salvar o mundo. Ficção científica, efeitos especiais, mistério. Só o custo do episódio piloto daria para comprar um banco português daqueles muito aflitinhos (14,5 milhões de dólares).
Às 14h45, a SIC lança
"Pan Am", uma série mais em conta, também muito na berra porque pretende ser um "Mad Men" passado na aviação comercial dos anos 60. Hospedeiras sensuais, mas pouco sexo e nada de tabaco que a Disney não permite essas poucas vergonhas.
Novidades:
- São duas séries fresquinhas (estrearam nos Estados Unidos no fim de Setembro).
- Estão a sair nas generalistas em primeiro lugar.
- Não foram recambiadas para a madrugada de um dia de semana.
Não é a primeira vez que temos séries de topo no início da tarde de fim de semana das generalistas. Assim de repente lembro-me do "Prison Break". Admito que hajam outros exemplos.
O que chama a atenção é a frescura do produto em causa e o facto de haver uma marcação cerrada entre ambos os canais. Isto, numa altura em que o
share diário do cabo superou o do maior canal generalista.
Ou seja, aumentou o número de espectadores a migrar para a oferta alternativa do cabo, com maior variedade, outro tipo de progrmação e
breaks publicitários mais curtos.
É preciso ver se esta tendência se manterá quando a crise financeira nos cair em cima com toda a força (cortar nos serviços pagos de televisão será uma das primeiras reacções do povo à rasca). De qualquer forma, hoje, a situação é esta: nota-se uma saturação do modelo de programação dos canais privados, SIC e TVI (a RTP é um caso à parte porque atravessa uma fase de reestruturação) e há uma fuga para o cabo onde os canais de séries lideram.
Em teoria, a migração começa pelo topo da pirâmide, ou seja, pelos portugueses urbanos, com maior poder de compra - em teoria os que mais interessam aos anunciantes. A melhor forma de combater esta tendência é oferecer produto superior ao da concorrência. Séries mais frescas e com maior impacto.
Será esse o objectivo destas estreias?
(
O pior é mesmo ter de gramar com 15 minutos de anúncios. Felizmente existem as boxes que permitem gravar tudo e passar por cima dos spots aborrecidos que uns tipos compraram a peso de ouro. A vida é boa, às vezes.)