domingo, 17 de outubro de 2010

Será desta que "The Hobbit" avança?

Peter Jackson conseguiu ultrapassar uma das barreiras que colocaram à frente no seu projecto "The Hobbit".

Após meses de incertezas quanto ao financiamento, por via dos dramas no interior da MGM, a New Line (que é como quem diz, a Warner Bros.) e a malta da Metro chegaram finalmente a acordo sobre quem paga a conta de 500 milhões de dólares (valor estimado, porque em Hollywood ninguém se chega a frente para mostrar com precisão o que custa a vida).

Já agora, vamos tentar ler um pouco mais nas entrelinhas: sabendo que a MGM está falida e não tem dinheiro para mandar cantar um elfo, o mais certo é que a WB tenha conseguido um excelente acordo e garantido uma parte substancial dos proveitos a obter.

Parece que as filmagens vão começar em Fevereiro do próximo ano. Ainda não existem datas de estreia fixadas, mas cheira-me que não vamos ver nada antes de finais de 2012.

Relembro que o projecto inclui duas longas-metragens, que vão ser filmadas de uma só vez, tal como aconteceu com "Lord Of The Rings". A rodagem será feita de raiz em 3D digital.

Por resolver está ainda o problema laboral que envolve sindicatos neozelandeses e norte-americanos à volta de problemas de jurisdição.

Ligações de interesse:

It's official: 'Hobbit' greenlighted
The Hobbit to begin filming in February next year 
MGM Files for Bankruptcy; Spyglass Entertainment To Take Over

Os intelectuais que comiam palavras

 
Um grupo de intelectuais decidiu começar a comer palavras. Começou por alguns artigos, substantivos de pouca importância e adjectivos com escasso uso.

Ao terceiro dia, um dos intelectuais engasgou-se com um verbo irregular e morreu asfixiado perante o olhar incrédulo dos companheiros.

A partir daí, os intelectuais comedores de palavras decidiram não engolir as palavras e limitaram-se a mascá-las.

Algum tempo depois, descobriram com surpresa que o seu hálito dependia das palavras mascadas durante o dia.

Quem mascava palavras com significados positivos, associados a beleza ou bondade, exalava um hálito agradável.

Os que preferiam vocábulos sombrios ou termos que evocam acções sinistras ou maléficas, soltavam um indescritível bafo pútrido que os obrigava a bochechar durante horas com um elixir de gramáticas e prontuários.

Playlist of the day (golden oldies)

Há muito tempo que não faço uma lista de músiquitas catitas.

Cá vai disto. Dez razões para não perder tempo a ouvir essas modernices que andam por aí.

  1. Enter The Young | The Association
  2. You Just May Be The One | The Monkees
  3. Roadrunner | The Zombies
  4. Red Telephone | Love
  5. CIA Man | The Fugs
  6. Day Is Done | Nick Drake
  7. Headin' For The Texas Border | Flamin' Groovies
  8. All The Young Dudes | Mott The Hoople
  9. Let's Loot The Supermarket | The Deviants
  10. Bored | Destroy All Monsters

sábado, 16 de outubro de 2010

MUBI - Um site que vende filmes e merece atenção?


Chama-se: MUBI

Vende filmes a 2€ (1€ para curtas-metragens) por video streaming.

Filmes do "outro cinema" e das origens mais diversas.

Ainda não experimentei (por isso não posso recomendá-lo, assim de caras), mas definitivamente acho que merece atenção.

Oh the times they are'a changing (E o The Hollywood Reporter também)


Pois estão.

O vetusto e venerável The Hollywood Reporter está a passar por um processo que só posso descrever como... "mudasti". 

Os donos da publicação concluíram que o futuro passava por uma mudança radical.

O Variety, tradicional líder entre os média do trade, preferiu barricar-se atrás de um paywall à la Murdoch. O THR preferiu mudar editores, refrescar escribas e reposicionar-se.

O grande drama deste género de imprensa tem sido a dependência dos estúdios em termos publicitários. Um paradoxo jornalístico: quem informa depende financeiramente daqueles que deve analisar, criticar e manter debaixo de olho (yes folks, essa é uma das funções importantes do jornalismo). Esta situação resultou em décadas de informação feita com pinças e um cuidado extremo para não comprometer receitas publicitárias.

Entretanto apareceu a internet. Uma chusma de bloggers e sites independentes ganhou protagonismo e começou a meter a boca no trombone sem pruridos ou limitações. Mais importante ainda: era tudo à borla.

Os tradicionais líderes viram-se obrigados a pensar na vida.

Já falámos do enterrar da cabeça na areia por parte do Variety. Quanto ao The Hollywood Reporter, tem novidades mais profundas e interessantes. A edição em papel passa de semanal para quinzenal, em formato de revista. Deixa de estar concentrada na indústria para começar a alargar a cobertura ao glamour e ao gossip. Ou seja, deixa de ser tanto uma publicação de trade e passa a piscar o olho ao consumidor comum e a entrar no campo de sítios como PerezHilton.com ou o TMZ.com.

Ao atrair um leque mais alargado de leitores passa automaticamente a atrair outro tipo de anunciantes. Os que - assim reza a teoria defendida pelos executivos do THR - irão proporcionar a independência financeira que possibilitará uma relação mais agressiva com os estúdios e executivos da indústria.

As mudanças têm-se processado ao longo dos últimos meses, mas só agora começam a tornar-se evidentes para o leitor comum. As maiores novidades estão no novo site, na nova imagem e, também, no realinhamento de secções e tipo de notícias em destaque.

Vai resultar? Vamos ter uma publicação com melhores conteúdos?

Quem disser que sabe a resposta está a mentir. "A ver vamos" é a única resposta aceitável, nesta altura.

Actualização: O novo site do THR mostra problemas de juventude. Para além do espaço em branco nas duas colunas laterais que lhe dá um aspecto inacabado, os feeds RSS não estão a apontar correctamente para as notícias. Portanto, hold your horses, aquilo ainda é um work in progress e alguém se precipitou ao atirá-lo assim de repente para o o mundo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"I Love You Phillip Morris" só agora vai estrear nos EUA


Isto serve para provar como são estranhos e tortuosos os caminhos da distribuição cinematográfica.

I Love You Phillip Morris já estreou em toda a parte, de Abrantes a Timbuctu, menos nos Estados Unidos. Primeiro por causa de uma trica judicial entre produtor europeu e distribuidor independente sobre dinheiros. Depois, foi preciso encontrar outra empresa disposta a adquirir os direitos de lançamento na América do Norte.

Aparentemente, só em Agosto é que a Roadside Attractions pegou no filme. Vai sair nos States a 3 de Dezembro, quase dois anos após ter sido apresentado no festival de Sundance.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ena o próximo Polanski tem cá um título...

O próximo filme de Roman Polanski vai intitular-se "God Of Carnage" e é baseado na peça de teatro de uma senhora chamada Yazmina Reza.

O elenco: Kate Winslet, Jodie Foster, Matt Dillon, Christoph Waltz.

Aparentemente é uma comédia e deve estrear lá para 2012, se Deus quiser.

Leitura recomendada (12/Out/10)

Como a Coreia do Sul enfrentou Hollywood e venceu. Ou como é possível coexistir uma indústria que floresce em redor do cinema comercial e, ao mesmo tempo, manter um cinema de autor vibrante e criativo.

South Korea's booming film business - latimes.com

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Este blogue está empestado de zombies

 

O canal AMC (o mesmo que deu ao mundo o "Mad Men") prepara-se para lançar The Walking Dead, de Frank Darabont. Este trailer de 4 minutos marca o tom para o que pode vir a ser uma boa série.

Actualização catita: A Fox de cá vai começar a transmitir a série a 2 de Novembro, um mero parzinho de dias após a estreia nos States. Nice!

Bansky. Simpsons. Shocking.

 

A isto chama-se um título para chamar clientela.

Bom, vamos ao que interessa. Diz a BBC que o genérico inicial do episódio dos Simpsons de ontem à noite causou fernicoques em alguns sectores.

O genérico foi idealizado pelo artiste Bansky, um malandro que ganhou fama a pintalgar paredes. Dá umas bicadas descaradas à exploração de mão-de-obra barata no Sudeste Asiático, facto que não terá agradado a algumas pessoas menos dadas a admitir que não passam de uns porcos capitalistas sem escrúpulos.

Foi a primeira vez que o início de um episódio de "The Simpsons" foi entregue a alguém exterior à equipa. 

Há anos que se lêem queixas de que a longevidade da série lhe retirou acutilância e interesse. Agora fizeram algo inovador e é isto? Em que ficamos?

domingo, 10 de outubro de 2010

Ai que bom, o próximo "Harry Potter" já não vai ter versão em 3D

 "Tridimensius Adaptatus!" - Oh bolas, falhou. É melhor não inventar e manter isto em 2D.

Isso é bom? É, pois!

Porquê? Fácil. A Warner Bros. olhou para o resultado da adaptação para 3D do original, em 2D, e achou fraquinho.

Ao contrário do que aconteceu com "Confronto de Titãs" achou prudente recuar e desistir da versão em três dimensões para a primeira parte dos "Deathly Hollows" (o último livro foi dividido em duas longas metragens).

Esta sábia decisão tem duas vantagens: 
  • Evita outro enxovalho como o sofrido aquando do lançamento dos "Titãs".
  • Não crava outro prego no caixão do 3D Digital. 

Apresentada como a melhor coisa na vida desde o gelado de caramelo, a nova tecnologia sofreu golpes sucessivos após o êxito de "Avatar".

Os filmes seguintes falharam na obtenção do mesmo efeito "aaah!". Os espectadores recusaram aceitar algo menos que deslumbramento após a extorsão de uns euros adicionais com promessas de um admirável mundo novo repleto de coisas lindas e brilhantes.

"Alice no País das Maravilhas" ainda escapou. Tim Burton é suficientemente bom para fazer esquecer uma adaptação 3D que não acrescentava nada ao filme.

A ânsia de dinheiro rápido tramou a Warner Bros. Quando "Choque de Titãs" - outro título filmado de forma tradicional e transportado para 3D - fez toda a gente tomar consciência da treta que lhes estavam a vender, logo surgiu uma vaga de artigos na imprensa a anunciar o apocalipse.

O lançamento de vários filmes de terror e longas metragens de animação de segunda classe em 3D depressa encaminhou a reputação da nova tecnologia para a sarjeta.

O problema é que há muito dinheiro investido na reconversão de salas e os preços premium ajudam a atenuar as quedas nas receitas do entretenimento doméstico (DVDs e similares), a tradicional vaca leiteira da indústria.

Por isso, exige-se prudência. Outro passo em falso e a malta é capaz de perder a fé de uma vez por todas.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Chegou aquela altura do ano! Vamos fingir que já sabemos quem vai ganhar os Oscars

Todos os anos, mal acaba o Verão, aparecem os primeiros candidatos aos Oscars. A maioria não dura sequer um mês nesta curta lista (em inglês "short list", em francês "petit patapon" em alemão "sturmgeschütze im unterpuntz").

Outros, resistem algum tempo, mas acabam fenecer, diluídos nas chuvas de Inverno. Apesar disso, como os salmões na altura da desova, um ínfimo número consegue chegar às nomeações, anunciadas com ar estremunhado, às 5h30 da manhã, pelo presidente da AMPAS com a ajuda de uma actriz boazuda.

É a única altura do ano em que os filmes mais sérios (aqueles em que o protagonista não tem super-poderes, não é um morto-vivo e onde não se contam piadas sobre funções fisiológicas) recebem atenção por parte das massas e da imprensa. É também a única época em que têm alguma hipótese de fazer dinheiro a sério nas bilheteiras.

A colheita de 2010 produziu, até agora, três títulos:

Eis-o-los-ios:

Realizadores: Joel e Ethan Cohen
Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin

Realizador: David Fincher
Elenco: Jesse Eisenberg

Realizador: Tom Hooper
Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter



Quem quiser saber tudo sobre os próximos Oscars, pode ir aqui:

Calendário dos Oscars

As decisões difíceis de Aronofsky

Darren Aronofsky enfrenta uma decisão difícil. Ganhar uma pipa de dinheiro a realizar uma sequela ou seguir um caminho mais "indie spirit" com argumento original e tudo.

How Hollywood's franchise sequels have become catnip for top directors | The Big Picture | Los Angeles Times

Leitura recomendada (7/Out/10)

Judah Friedlander não é Deus (Como todos sabem essa posição está neste momento ocupada por Jeremy Clarkson), mas anda lá perto.

Judah Friedlander Teaches You 'How To Beat Up Anybody' (PHOTOS)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A verdade dói

Dilbert.com

No entanto, o Dilbert consegue dizê-las com uma eficiência que abana qualquer pessoa.

O marketing é:

Meia dúzia de conceitos muito básicos que se aprendem em meia dúzia de horas. 

Umas quantas técnicas que se resumem em algumas frases.

O resto tem a ver (sem qualquer ordem especial) com relações pessoais, inteligência emocional, saber comunicar com os outros, capacidade de trabalho e muita sorte. 

Ah e arranjem bons designers. Vão precisar de embalagens bonitas.

A sério, quanto mais cedo se convencerem disto, mais felizes serão.

Cinema, crítica e Internet

Uma reflexão sobre crítica de cinema, Internet e as formas de interacção que surgiram nos últimos anos. Podemos não concordar com o que Armond White escreve - eu não partilho este ponto de vista radical e desiludido - mas é uma opinião bem escrita e fundamentada que merece leitura e reflexão. Descartá-la, apenas por ser radicalmente oposta àquilo em que acreditamos é um erro que, infelizmente, cometemos demasiadas vezes.

Discourteous Discourse
The social networking approach to film criticism is not about democracy