quarta-feira, 30 de junho de 2010

Se...

Se aquela bola tivesse entrado. Se aquela outra bola não tivesse entrado. Se o árbitro tivesse apitado.

Se... de besta a bestial e depois novamente a besta. Nada a fazer.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Um breve recado acerca dos clubes de video

Muito rapidamente, as associações de donos de clubes de vídeo passam a vida a queixar-se da Internet e da pirataria.

Ainda não repararam que o negócio deles acabou.

Conselho: que tal pensarem em substituir o vosso negócio por algo deste género:

sábado, 26 de junho de 2010

Os cinco pilares da civilização ocidental

No outro dia, alguém me falava da educação como pilar da civilização. Fiquei a pensar. Adormeci. Quando acordei voltei ao assunto. Voltei a adormecer. Fui beber umas chávenas de café com leite (o café é execrável se for ingerido "solo", como dizem os nativos do país aqui do lado). Infelizmente, nos dias que correm, o café não me faz efeito. Peguei outra vez no sono. Ontem, voltei a reflectir sobre esse tema dos pilares da civilização. Conclui que a educação não é pilar de coisa nenhuma. Depois, esqueci as razões que me levaram a essa conclusão. Voltei a adormecer. Bebi café outra vez. Hoje, de manhã cedo, enquanto via um episódio da "Nurse Jackie" lembrei-me de tudo. Aqui ficam, então, os cinco pilares da civilização ocidental, versão Steed.


    1. Água canalizada, quente e fria. 

Tirem a água canalizada, os duches e a misturadora a qualquer cidadão da União Europeia durante 5 dias e observem como ele se transforma num Neanderthal mal-cheiroso.


    2.  Esgotos 

Experimentem não despejar o autoclismo durante umas horas. Confiram como o vosso T3 duplex com móveis de design adquiriu o cheiro de uma favela de Bombaim.

    3. Frigorífico

Salgar arenque e fazer pickles é menos divertido do que parece, não é? E a cerveja quente é tão entusiasmante como uma reunião da condomínio.

   4. Ar condicionado

Seja no carro, em casa ou na repartição de finanças, o ar condicionado é aquilo que nos permite manter a compostura e a dignidade. Sem ele, adquirimos a tez de uma prótese usada e o aspecto viçoso de uma trabalhadora do sexo.

   5.A Internet

É o mais recente dos cinco pilares - substituiu, com vantagem, o amor, a amizade e todas as coisas fofas. A Internet deu-nos a capacidade de interagir com outras pessoas sem ter de olhar para elas. Também nos permitiu aceder a imensa pornografia, ter coisas à borla que levam empresas à falência e ver montes de vídeos idiotas com que desperdiçamos tempo que devíamos utilizar para trabalhar.



Sem estes cinco pilares, meus caros leitores, não passamos de pequenos lémures de cauda anelada, presos aos ramos frágeis da vida pela nossa longa cauda prensil ou inúteis ratinhos de laboratório a correr eternamente numa roda de plástico.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Isto lembra alguma coisa?

"mismanagement at the top, inneficiency in the middle, want of training at the bottom"



Na verdade é apenas o desabafo de um oficial inglês numa carta escrita em Novembro de 1915.

Queixava-se ele da falta de qualidade dos generais, em muitos casos vindos da arma de Cavalaria para comandar uma guerra de trincheiras travada por infantaria e artilharia. Da pouca prática dos oficiais subalternos que substituíram os militares de carreira tombados no início do conflito e nas primeiras ofensivas falhadas. Da falta de jeito dos civis voluntariosos, mas apressadamente treinados e enviados para as linhas sem os anos de polimento e serviço dos "Old Sweats".

Encontrado aqui:  
"The War The Infantry Knew - 1914-1919" by Captain J. C. Dunn

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A pensar como o marketing e a publicidade estão a mudar

Engraçado como o marketing é cada vez mais para gente atenta, com bom senso, e não se compadece com administradores e gestores fechados nas suas bolhas, nos seus estudos de mercado e análises disto e daquilo.

O bom profissional de marketing e de publicidade devia passar tempo na rua, a ouvir pessoas, na net, a ler coisas, nos media, atento ao que se está a passar.

Infelizmente, costuma estar assoberbado de trabalho, maioritariamente inútil. Com a agenda repleta de reuniões desnecessárias. Não tem tempo, nem disponibilidade mental, para observar o mundo.

Faz-me impressão falar com profissionais de comunicação que ainda hoje não fazem ideia do que é um feed RSS ou para que serve o Google Reader. Que não vêem televisão ou pouco mais conhecem da Internet do que o Farmville.

Claro que a carapuça não serve a todos. Se os meus produtos são fertilizantes ou maquinaria pesada, se calhar o Twitter não é o sítio mais indicado, mas todos os que estão envolvidos em produtos de grande consumo (produtos "pop" como gosto de lhes chamar) devem conhecer por dentro e por fora a cultura popular onde os seus consumidores vivem.

Repito o que escrevi no início: o marketing é cada vez mais para gente atenta, com bom senso. O resto é só malta que gosta de complicar.

Portageiros vão passar a dizer adeus aos automobilistas

Os chips e a automatização das portagens vão eliminar a função de portageiro.

Até agora, não percebia como é que as operadoras continuavam a afirmar que não iam despedir ninguém. Hoje de manhã fez-se luz. Lembram-se daquele senhor que costumava estar no Saldanha a dizer adeus a quem passava?

domingo, 6 de junho de 2010

Diário de um consumidor (entrada 1365/10)


Recebi um voucher de 20 euros da Staples e fui à loja.

"Só preciso de um artigo que custa 14 euros. Devolvem-me o restante?"
"Não, o sistema não permite."
"Então e passarem-me um novo voucher com o remanescente?"
"Não, o sistema também não permite."
"Compre algo que custe seis euros" diz a funcionária.
"Mas não preciso de nada que custe seis euros" digo eu.

Silêncio. Saí da loja e fui ao Media Markt do Estádio da Luz. Nos 30 metros entre a entrada e a loja aconteceu isto:

a) Homem sentado em barraquinha pergunta "Quer ser sócio do Benfica?" num tom que evidenciava ódio e desprezo por aqueles que ainda não contribuem com o dízimo para o amado clube.

b) Senhora gorducha aparece de repente e grita "Quer ajudar as criancinhas necessitadas?"

c) Outra senhora corre na minha direcção e pergunta "Quer fazer o rastreio do colesterol?"

d) Uma quarta senhora tenta impingir-me algo. Não faço ideia do que fosse porque já tinha acelerado o passo para me refugiar dentro da loja.

Felizmente, encontrei o artigo que queria e era mais barato. Hurrah. À saída, não voltei a ser importunado. Eram 13h02 e já tinham ido almoçar. Duplo hurrah!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Histórias da carochinha

É saudável que não exista apenas uma versão da História. É positivo que se discutam ideias.

Por isso é bom ler este artigo do Público acerca de "A História de Portugal", de Rui Ramos e companhia.

Citação de Irene Flunser Pimentel (diz que é de esquerda): 
"Creio que, neste momento, os historiadores de esquerda, que sempre foram acusados de instrumentalizar, são mais cuidadosos a trabalhar e os de direita até fazem gala em provocar."

Rui Ramos, numa entrevista para a revista Ler, afirmou que era uma personalidade de direita e que gostava de provocar a esquerda.

Irene Pimentel responde bem ao afirmar que:
"Eu não faço História para chatear a direita. Eu sou de esquerda, mas, se quiser fazer política, faço-o no espaço político, não no espaço da História, mesmo sabendo que a minha ideologia está lá."
Rui Ramos diz que a história é toda revisionista, uma afirmação correcta na medida em que não é algo imutável - depende de fontes - nem consegue ser neutral - requer interpretações.

A conclusão de tudo isto é absurdamente banal. Existem bons e maus livros de história. Livros mais e menos "engagé". É necessário ler muito para criar uma imagem da história que nos seja própria. É preciso ter cuidado com os mitos que se criam e que, de tanto serem repetidos, passam a "facto histórico". 


Um exemplo que está fresco na minha memória: é relativamente fácil e pacífico dizer como ocorreu a revolução industrial na Inglaterra. As coisas ficam mais complexas quando, a partir daí, se interpretam resultados e se escolhem ângulos a abordar com mais pormenor. 

Exploração de uma nova classe social nascida a partir do êxodo para as cidades? Uma época terrível para a humanidade? Ou uma época de grandes avanços, o maior salto civilizacional desde o Neolítico? Melhoria geral das condições de vida, acesso a uma nova realidade? Ou raiz de duas guerras mundiais?


É tudo uma questão de pesos. De puxar mais ali e menos acolá.


Por tudo isto, faço tenção de ler a "História de Portugal" de Rui Ramos. Para comparar com outras obras que li antes. Para adicionar mais informação e aumentar o meu espírito crítico. Mesmo que, no final, venha a achar este novo livro uma gigantesca chachada. Mesmo que, no final, o considere desonesto e  uma tentativa de limpar os crimes e asneiras do Estado Novo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Isto é que é usar o Facebook! O resto é brincadeira de meninos.



Tenho ouvido gente muito importante falar daquilo do Facebook e do Twitter todos entusiasmados. Há mesmo malta que vê a nossa senhora assim que a página da empresa deles atinge 400 seguidores.


Por isso, permitam-me que apresente algo realmente importante:

A página do Top Gear no Facebook.

2.166.893 fãs

11 minutos após a publicação deste artigo 322 pessoas já tinham carregado na tecla "Eu Gosto" e 105 tinham escrito comentários.

Normalmente, cada post na página recolhe mais ou menos mil e tal cliques de gente que diz que gosta e chega com facilidade aos 200 comentários.

Estão a ver o potencial da coisa?

PS: Nos cinco minutos que decorreram enquanto escrevia este texto o número de fãs da página de Facebook do Top Gear aumentou para 2.166.959.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Relatório do INE sobre emprego no primeiro trimestre de 2010


A confirmar-se a veracidade e qualidade destes dados podemos fazer a partir deles um retrato das tendências da nossa sociedade em termos laborais e, por consequência directa, das tendências em termos sociais.

Se calhar está na hora de começar a olhar para os números mais com o olhar crítico do cientista social e menos com o olhar de máquina de calcular de economistas e quejandos. Não?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Teoria da conspiração A

A teoria da conspiração "A" afirma que a crise foi criada de propósito para que pudessem aprovar mais facilmente um conjunto de medidas que, de outra forma, não passariam pelo crivo da opinião pública.

Como por exemplo...Governo promete nova reforma do mercado laboral

ou... Corte de 1,5% nos salários atinge mais de 1,2 milhões de famílias

O mais irritante nisto tudo é que continuamos a reger-nos pelos mesmos princípios de há 50 anos.

Crise, reagir, aplicar medidas avulso, cortar despesas, aumentar receitas rapidamente, repetir teorias, ignorar pontos vitais que possam ofender elites e interesses estabelecidos.

No meio de tudo isto, há uma triste falta de ideias novas, de visão, de criatividade. Se calhar é a consequência de sermos governados por economistas, contabilistas e advogados.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Haja pachorra para estes putos

Não tem ideias. Não tem opiniões. Lança umas bocas para o ar porque sabe que dá nas vistas. Aplica a velha ideia de que: "quem não está connosco está contra nós" ou seja, quem não gosta do Papa é um comuna imundo que gosta de caviar.

Ridículo. Tão ridículo como pensar que todos os católicos são violadores de criancinhas, homófobos e beatos queques e/ou parolos.

Felizmente conheço uma boa mão-cheia de católicos a sério. Felizmente, também passei por uns quantos beatos para saber do que falo.

Felizmente, tento ser honesto quando formo ideias.  

Este moço, nem por isso. Para ele vale tudo para ganhar reputação de "enfant terrible".

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sim, sim, também eu quero ser um caçador de pickles


Roubado de forma despudorada do site do Top Gear, eis a foto de uma versão do Audi A1 que me fez erguer o sobrolho derivado dos escritos nas ilhargas.

Por mais que tente só consigo ler "Picklejäger", o que traduzido dá qualquer coisa como "caçador de pickles".

Quem não gostava de ter um carro decorado desta forma?

Por falar em Top Gear, e para não dizerem que este texto só contém parvoíces, já repararam na página no Facebook?

Há bocadinho tinha perto de dois milhões de fãs. É verdade, pessoas com o orifício bocal extremamente aberto. Quase dois milhões.

Qualquer coisa que por lá apareça escrita - artigo, referência, ou simplesmente o número de vezes que o Jeremy Clarkson defeca em cada mês - tem, em poucas horas mil e tal pessoas a dizer "Eu gosto" e 300 ou 400 comentários.

Como é que se gere uma coisa assim? Já viram o potencial?*


*Na realidade, a reposta às duas perguntas é "não". Ninguém gere nada e a equipa do Top Gear ainda não reparou que basta uma palavra deles para que os fãs devotos peguem em armas para tomar o planeta.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vamos por Partes - Magazine das segundas-feiras

Vamos por partes...

A BP está a tentar convencer os residentes nas áreas costeiras do Golfo do México a assinar um documento em como aceitam compensações até ao valor máximo de 5 mil dólares.
@ The Huffington Post

Má jogada por parte do Facebook. Ser possuído por uma empresa chamada DST não inspira lá muita confiança.
@ AllFacebook

O Oliveira da Figueira é um personagem do Tintin que transborda de piada. O seu equivalente no mundo real é o Ferreira de Oliveira. Homo piadeticus como este não há.
@ Expresso

Fusão da Continental com a United cria a maior companhia aérea do mundo. Não tínhamos chegado à conclusão de que empresas demasiado grandes fazem mal à saúde? Se não estou em erro a expressão era "too big to fail"...
@
Público

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A evolução das espécies

Há uma mania que parece espalhar-se rapidamente.

Quando pedimos algo a alguém, uma informação, um favor, um convite para um evento, seja o que for, parece ser socialmente aceitável não responder.

É uma forma de agir um pouco japonesa. Sorrimos, dizemos que sim a tudo e depois mandamos o parceiro dar uma volta não lhe respondendo e passando a evitar qualquer tipo de contacto com ele.


Acho isto estranho. Pode ser antiquado, mas sempre me habituei a pronunciar a palavra "não". Por alguma razão que me escapa, este vocábulo tão útil parece estar a cair em desuso.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Por esse Nordschleife acima

São quase 22 quilómetros. Agora, o velho circuito de Nurburgring só raramente é usado para competições. Existe uma versão nova, mais pequena e menos interessante, mas bastante mais segura.

De qualquer forma o circuito antigo, o Nordschleife, é um daqueles locais míticos, tal como Spa, Le Mans, Monte Carlo, Pikes Peak ou a Ilha de Man.

Neste vídeo um piloto de testes da Ferrari, ao volante de um... Ferrari 599XX.