terça-feira, 2 de setembro de 2008

Darwin e a web 2.0

Inevitável, previsível. Impossível que tantos sites da web 2.0 - a social, a da colaboração e dos conteúdos criados pelos utilizadores - pudesse conviver durante muito tempo. Quanto mais não seja por pura falta de tempo para estar em todo o lado.

O próprio fundamento da web 2.0 leva a que assim seja. Por mais fixe e interessante que seja um determinado site ou aplicação, só funciona com utilizadores, portanto, quanto maior o número de pessoas concentradas num local melhor. Ninguém gosta de ficar a falar sozinho.

Esta tendência leva a que os sites que conseguiram angariar uma base relevante de utilizadores cresçam, em prejuízo dos mais pequenos. Não apenas segundo o princípio de que ninguém gosta de falar sozinho mas também através de peer pressure: se os meus amigos estão lá, eu também tenho de estar.

Tudo isto a propósito do fim do Mash, o site que incorporava a rede social do Yahoo!. Os vencedores aqui são o My Space e o Facebook.

Além destes, provavelmente sobreviverão as redes sociais para nichos (a comunidade dos pescadores à linha ou a das pessoas que não conseguem dizer os érres) ou as que conseguiram implantar-se numa determinada região (como é o caso do Hi5 em Portugal).

De resto, iremos assistir ao lento adeus de muitas ideias e propostas desta onda a que se deu o nome de web 2.0. Uma onda que tarda em descobrir como rentabilizar o entusiasmo e a moda criados em seu redor. Uma onda que apresenta os primeiros sinais de esmorecimento.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Não têm mais nada que fazer senão criar jornais?

Como se já não tivéssemos que cheguem parece que lá para o início de 2009 vai sair mais um jornal diário nacional. Só espero que não seja gratuito, acho que já não há lugar nos semáforos para mais distribuidores de papel.

Candidata a vice de McCain tem filha de 17 anos grávida de cinco meses

E então dizem vocês? Não é crime.

Pois não. É um facto político.

Este blogue gosta imenso de cortiça!

Aliás, este blogue ama tanto a cortiça que tem uma rolhinha na mesa de cabeceira e todas noites, antes de adormecer, dá-lhe um beijinho e deseja-lhe bons sonhos. E o melhor sonho que a rolhinha pode ter é que acabe a moda estúpida de usar vedantes de plástico nas garrafas de vinho.

Existem várias razões para o carinho que este blogue dedica à cortiça. A mais importante talvez, é o facto de ter as raízes bem no meio daquilo que os bifes chamariam de cork-country, onde este material fofinho e delicado é rei.

Só assim eu alinharia com uma corporação malvada, a Amorim Corticeira, para promover uma causa comum: ajudar a salvar a rolhinha.

Até este momento só conheço uma parte da campanha, um vídeo viral com o actor Rob Schneider, um site, www.savemiguel.com e presenças no You Tube, Facebook e Flickr.



Diz quem sabe que os objectivos desta campanha se concentram sobretudo no mercado Australiano, malta que aprendeu a fazer vinho ontem ao fim do dia.

Embora já produzam umas pingas valentes, é preciso não esquecer que são bifes, gente pouco civilizada, com uma cultura assente sobretudo nesse refresco diurético chamado cerveja.

Aos emigrantes na bifolândia, que lêem este blogue para matar saudades do vosso Portugal, deixo dois pedidos: divulguem esta campanha junto dos vossos amigos bifes. E não comprem vinho com vedantes de plástico.

É uma calúnia, mas ouvi dizer que quem bebe de garrafas dessas fica impotente.

Estarão os Estados Unidos a perder o controlo da Internet?

Artigo do New York Times acerca das mudanças no tráfego da Internet.

Para ler em conjunto com este outro artigo, publicado no IOL, que fala da intenção do governo da Venezuela em terminar a dependência do país relativamente às ligações via Internet.

Box Office Americano (estimativas de domingo)

Em Tropic Thunder, Alpa Chino (Brandon T. Jackson), Tugg Speedman (Ben Stiller) e Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.), são um grupo de actores, apanhados numa batalha real durante a rodagem de um filme de guerra


Nada de novo. Pelo terceiro fim-de-semana consecutivo, a comédia Tropic Thunder com Ben Stiller é o número um com uns fracos 11 milhões e meio de dólares. Suficientemente para deixar os 9,7 milhões de Babylon A.D. em segundo lugar.

As outras duas estreias do fim-de-semana, Traitor e Disaster Movie, fizeram ainda pior com 7,9 e 6,2 milhões, em quinto e sétimo, respectivamente.

No meio ficaram os resistentes Dark Knight, terceiro com 8,8 milhões, The House Bunny, quarto com 8,3 e Death Race, sexto com 6,2.

Para quem ainda tivesse dúvidas, o Verão acabou.

Mensagem para o Mayor de New Orleans

Dude, acho bem que aquela tempestade seja mesmo má. Com a propaganda que lhe tens feito, se não arrasar tudo à sua passagem a malta vai ficar desapontada.

"Esta é a mãe de todas as tempestades. É tão poderosa e cresce tanto a cada dia que não estou certo de que tenhamos visto algo semelhante

Vocês precisam de estar preocupados. Quem decidir não partir ficará sozinho. Queremos que a evacuação seja a cem por cento

Ficar na cidade e tentar resistir à passagem do furacão será um dos maiores erros que poderão cometer durante toda a vossa vida"

Ray Nagin, Mayor de New Orleans, falando da tempestade Gustav

domingo, 31 de agosto de 2008

Um exemplo do diálogo jornalista/leitor

A notícia no Público sobre as alegadas reduções na quantidade de combustível nos vôos da Ryanair serviu-me de ponto de partida para analisar as diferenças entre o jornalismo pré-web e pós-web e sobre o modo mais ou menos cuidado com que se produz e reproduz informação.

  • No jornalismo pré-web, as notícias chegavam ao jornalista de forma passiva (via agência de notícias por exemplo) ou activa (deslocou-se ao local, falou com pessoas, consultou fontes, etc.). O artigo era escrito e publicado em papel. Fim (algumas raras excepções seriam as cartas de leitores).
  • No jornalismo pós-web, aos métodos referidos acima, junta-se a possibilidade de recolher informação de outros media - agora, a notícia permanece relevante em termos temporais, dado o imediatismo permitido pela imprensa online. O artigo é escrito, colocado online e, eventualmente, publicado em papel. E não é o fim da história. A notícia permanece e pode ser comentada, dissecada, partilhada, reproduzida.

Voltando à notícia sobre a companhia de aviação low-cost:

Os comentários dissecam o texto: A Ryanair não voa 747s mas sim 737s; alguém pergunta se os 300kgs são um extra em relação ao combustível que é exigido pelos regulamentos internacionais; outro explica como é planificado o abastecimento de um avião; os habituais histéricos prometem não voltar a voar e há quem preveja o armagedão.

A notícia do Público foi publicada ontem às 17h35 e referia o Sunday Times como fonte. Ao consultar o site do jornal inglês foi possível verificar que o modelo referido originalmente era o Boeing 737 e que havia uma explicação mais elaborada e correcta sobre os procedimentos de abastecimento e quantidades de combustível.

A mesma notícias noutros sites, portugueses, brasileiros e espanhóis:

TSF 15h19 cita que "vários pilotos denunciaram a situação no site da empresa" e refere o modelo 747.

Aeiou 15h37, cita a TSF.

Correio da Manhã 16h31, refere que "pilotos da Ryanair denunciaram" e "não se quiserem identificar com medo de represálias" e refere o modelo 747. O erro no verbo "querer" faz parte do texto publicado no site.

IOL 18h21, cita o Sunday Times e refere o 747.

TVNet, não indica hora de publicação e cita a TSF. Reproduz a ideia de que a situação foi denunciada no site da empresa e refere o modelo 747.

Sunday Times, britânico, indica apenas o dia de publicação, 31 de Agosto e refere como fonte documentos internos da empresa a que teve acesso. Mais adiante, identifica esses documentos como um memorando interno distribuído aos pilotos em Maio.

Folha Online, do Brasil, refere como fonte um despacho da agência Efe e menciona o memorando interno da Ryanair.

O El Mundo, de Espanha, recorreu também á agência Efe mas refere o Sunday Times como origem da notícia.

A velha história de que quem conta um conto acrescenta um ponto não devia ser aplicável ao jornalismo mas, pelos vistos é.

Vejamos:

A Ryanair não opera com o modelo Boeing 747. Os meios portugueses ou copiaram uns pelos outros ou enganaram-se todos do mesmo modo.

Onde terá a TSF desencantado a informação de que os pilotos denunciaram a situação no site da empresa? Azar teve a TVNet que acabou a reproduzir os dois erros.

Há ainda outros pontos mal construídos, como a explicação deficiente do processo de cálculo e abastecimento de combustível.

Os media portugueses saem mal desta análise comparativa. Erros factuais, ausência de informação essencial para a compreensão da notícia, neste exemplo há de tudo.

Sunday lazy Sunday

A votação com o mote: "de que mais gostas neste blogue" começa a revelar algumas tendências:

a) a Isménia vem cá de vez em quando votar no "gostava mais como era dantes"

b) Dois temas a descartar, ecologia e tecnologia. Num dos casos o povo não curte, no outro descobriu que eu não percebo mesmo nada disto.

c) A malta curte é cinema televisão e piadolas.

So be it.

sábado, 30 de agosto de 2008

Ah mas agora temos uma engenheira florestal

Há socorristas no INEM a fazer turnos de 24 horas.

Como é bom viajar

Update interessante por via deste comentário à notícia do Público.
"Como é possível tanta incompetência? Sou familiar de 4 dos passageiros que se encontram retidos em Cancún. 1.º Telefonei para o consulado honorário em Cancún . Atendeu um simpático e sonolento funcionário que em espanhol me dizia que o Cônsul não estava, a funcionária "que sabia de todo" também não. Só em "lunes". 2.º Telefonei para a embaixada no México. Neste caso, ninguém atendeu. Apenas uma mensagem em português de uma senhora que me informava que o horário da embaixada é: "de Segunda à Sexta-feira, das 8.30 às 14.30 horas." Portanto... Compatriota luso, se tiveres problemas no México, convém que seja durante a semana e, já agora, no horário de expediente. Assim sendo, como é que algum passageiro poderia "entrar em contacto com a embaixada"???"
Assim fica explicada a razão de não terem recebido nenhum pedido de ajuda via embaixada.

***

É para mim uma verdade inquestionável que as operadoras turísticas não passam de angariadoras de passageiros ou, colocando a questão de modo menos delicado, empresas de transporte de gado e que o serviço ao cliente é, quase sempre, mau.

Quando algo corre mal, consiste em tratar o gado - ou turistas, como alguns ainda preferem chamar - a toque de caixa, numa tentativa de impedir a revolta da manada.

Este tipo de atitudes já teve diversos nomes, Air Luxor, Yes (rebaptizada White) e agora, Orbest.

Jardim diz nada ter a ver com grupo mafioso russo

E acrescentou: "aqui nã entre mais máfia nenhume".

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

One thing leads to another - Os políticos saltitões

A Internet é mesmo mágica. Num instante estamos à procura de fotos da Margaret Thatcher e no outro encontramos o site mais absurdamente fantástico e genial.

Ei-lo! The magnificent Statesman or Skatesman!!!!

A história é simples. Uma discussão, sobre o facto de os políticos actuais serem mais ou menos interessantes do que noutros tempos, levou um estudante inglês a escrever a uma série de deputados, ministros e secretários de estado, perguntando-lhes se alguma vez tinham andado de:

Skate; Saltitão; Kart; Rappel; Mota Eléctrica; BMX; ou qualquer outro brinquedo do género

Acreditem. Ele obteve várias respostas. E juntou uma colecção impagável de fotos de diversas épocas que provam que os políticos são uns brincalhões.

Há piadas que não se fazem...


Pois há.

Margaret Thatcher sofre de demência



...



Oh, que se lixe...

Diversos grupos, críticos das políticas da antiga primeira-ministra, reagiram à notícia dizendo: "Só agora é que repararam? Nós andamos a dizer isso desde os anos 80 e ninguém ligou..."


A engenharia florestal é que está a dar

Um conselho a todos os que estão a pensar tirar um curso universitário e não sabem qual escolher.

Tentem a engenharia florestal. É o que está a dar. As oportunidades de emprego multiplicam-se e o leque de opções é diverso.

Por exemplo, a emergência médica.

O novo presidente do INEM reconheceu finalmente a importância que a formação em engenharia florestal tem na emergência médica e contratou como assessora uma licenciada nesta área.

Fontes internas do INEM disseram ainda que está previsto o ingresso em breve de um agrónomo, de um técnico especialista em lubrificantes industriais, de três trolhas e um veterinário especializado em anfíbios.

Achado não é roubado - um texto de ir às lágrimas via Roda Livre

Este moço faz-se. Encontra uns textos porreiros e partilha-os com a plebe. Por isso ganharás certamente o céu. Via Roda Livre, o tal blogue mais bacana a norte de Timbuctu, aqui fica a hiperligação (accionar hiperligação, Scotty!) para uma obra-prima do humor jornalístico intitulada:

The 15,000
What reporters are doing at the Democratic National Convention


Enjoy!



PS: Há uma expressão que me ficou no ouvido que vou passar a usar frequentemente:

"Oh, you truth-telling rebels!"

Agora já sabem, chegam ao pé de mim, dizem: "bom dia, então isto é que tá uma caca de tempo" e eu respondo logo: "Oh, you truth-telling rebel!"

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Second Life? Isso é tão 2007...

O que é que a Macarena tem em comum com o Second Life? Ambos foram modas passageiras e já ninguém quer ouvir falar deles.

Pelo menos é o que diz o Techcrunch, notícia reproduzida no ADivertido.

Stop Making Sense na Esplanada


Durante o Verão, a Cinemateca costuma passar alguns filmes na esplanada interior junto ao restaurante. É giro e devem ir, se morarem na Grande Lisboa. Mas a razão para este destaque é outra. No dia 5 de Setembro o filme chama-se Stop Making Sense, obra-prima tanto de Jonathan Demme como dos Talking Heads. O Steed levanta os braços e lança um sentido "iupiii!".

Box Office Português (estreias de 21 de Agosto)

Aqui ficam os números do Box Office Português relativo ao fim-de-semana passado.

O Wall-E resistiu à estreia de Hellboy II e manteve o primeiro lugar.

Bom resultado para o spoof* Superhero Movie. Estreou a medo, só com 25 cópias mas acabou por justificar um lançamento um pouco mais alargado. Foi o quinto filme em termos absolutos mas o primeiro em termos de média por cópia.

Tomem lá o quadro cheio de cores, pintado à mão pelos artistas que o Steed tem presos na cave:


*Jovem, não sabes o que é um spoof? O Steed ensina. Um spoof é um filme que pretende imitar um outro filme, mas assim a gozar, tás a ver? Exemplos de spoofs: O Scary Movie. Ou este, o Superhero Movie.

O Sol continua cruzada para provar que os tugas são calões

Vede ó gentes, como um estudo encomendado por uma marca de impressoras, se transforma em mais uma prova da preguiça portuguesa. Se isto é jornalismo sério, vou ali e já venho.

Infelizmente, raramente é estudada a organização do trabalho e a qualidade e ética profissional dos gestores.