sábado, 9 de agosto de 2008

Fazer render o peixe

Os jornais esgotaram no dia a seguir ao assalto ao BES. Agora, toca a fazer render o peixe. As vidas dos envolvidos são analisadas em detalhe e a operação é dissecada até à náusea.

Conflito na Ossétia aumenta de intensidade

O que começou com um ataque da Geórgia para retomar o controlo da capital da província separatista da Ossétia do Sul já degenerou para uma guerra entre a Geórgia e a Rússia.

Aviões russos já atacaram alvos em território da Geórgia fora da zona da Ossétia, na cidade de Gori.

Tropas russas retomaram o controlo da capital da Ossétia do Sul.

A frota russa do Mar Negro recebeu ordens para se deslocar para o porto de Ochamchira na zona de conflito.

Mais detalhes no El País e no New York Times.

Equipa olímpica da Geórgia abandona os Jogos

Devido à situação de guerra na zona da Ossétia do Sul que envolve separatistas e tropas georgianas e russas, a equipa olímpica da Geórgia abandonou os Jogos Olímpicos de Beijing.

O abandono foi apresentado como tendo sido da iniciativa dos atletas. Honestamente, parece-me uma medida política. Não há muito contra que protestar, o ataque inicial foi Georgiano e de acordo com fontes locais, a escolha da data não foi inocente.

A Ryanair cancela reservas feitas através de sites que permitem comparação de preços

A low-cost irlandesa Ryanair, cancelou milhares de reversas feitas na Internet, em sites de operadores que permitem comparar de preços entre ofertas de várias companhias aéreas.

A Ryanair acha que essa actividade é ilegal, que os operadores em causa cobram taxas muito elevadas e que os preços apresentados não estão correctos.

Algumas organizações de consumidores e agências de viagens já criticaram esta acção da Ryanair.

A notícia é da Lusa e é reproduzida em diversos sites nacionais como, por exemplo, o site da RTP.

Ainda o acordo ortográfico e um texto que desmonta os argumentos dos sábios da nação

Quem me conhece, sabe que não vejo mal no acordo ortográfico. Simpatizo com ele e era mesmo capaz de lhe dar um beijinho.

Sabem que acho a generalidade das manifestações do tipo "ai jasus que lá se vai a nossa querida língua" ou bater no peito e rasgar as vestes, completamente parvas e com um inegável potencial piadético.

A língua portuguesa é uma coisa do caraças. E tem sido maltratada e negligenciada mais ao nível político do que pelos utilizadores. O grande desafio e o mais importante de tudo, acima dos egos e dos acordos ortográficos, é continuar a ganhar gente para o lado dos que falam português. Isso dá-nos - a todos e não só aos brasileiros ou moçambicanos ou quem quer que seja - mais força e cria laços mais relevantes do que qualquer outro factor. Mais do que um passado comum dá-nos um futuro comum.

O assunto perdeu alguma actualidade enquanto os subscritores de petições e textos apocalípticos foram a banhos ou estão entretidos à procura de outros temas que lhes permitam brilhar e exibir a sapiência. Apesar disso, dá tanto gozo ler este texto que não o partilhar me iria impedir de dormir bem durante semanas.

Análise dos resultados tugas no primeiro dia de jogos (actualizado)

A avaliação (potencialmente injusta e certamente subjectiva) terá os seguintes parâmetros:

  • Excelente / Muito Acima do Esperado - 5
  • Muito Bom / Superou as expectativas- 4
  • Dentro do Esperado / Foi de encontro ao esperado - 3
  • Fraco / Ficou abaixo do que se esperava - 2
  • Muito Fraco/ Não cumpriu os objectivos mínimos - 1

Judo
Ana Hormigo (3) na categoria de -48kg foi sétima. Ganhou o primeiro combate a uma indiana, perdeu o segundo com a sul-coreana com quem já tinha perdido duas vezes noutras competições e voltou a ser derrotada nas repescagens que poderiam dar-lhe acesso ao terceiro lugar.

Badminton
Ana Moura (2) foi eliminada na primeira eliminatória por 2-0 pela suíça Jeannine Cicognini, uma adversária de valor semelhante ao seu.

Ciclismo
Na prova de estrada, Nuno Ribeiro (3) terminou os 245kms em 28º lugar a 2m28s do primeiro enquanto André Ribeiro (2) perdeu o contacto com o grupo principal e não fez melhor que o 72º lugar a mais de 15 minutos do vencedor.

Tiro
Manuel Silva (1) fartou-se de falhar tiros na primeira sessão de fosso olímpico e, como é hábito nas participações portuguesas nos Jogos nesta modalidade, não justificou a presença. Sei que estou a ser injusto e mauzinho mas irrita-me sempre que estes homens do tiro aos pratos façam bons resultados em competições durante o ciclo olímpico, tenha um ranking muito bom e depois se espalhem ao comprido na parte que realmente interessa.

Na pistola de ar comprimido a 10 metros o João Costa (3) ficou fora da fase final. Foi 18º a duas posições do último apurado. Nada de muito preocupante. A especialidade do João é o tiro a 50 metros. Nessa variante é líder do ranking mundial e aí a responsabilidade é outra.

Tiro Com Arco
Nuno Pombo (3 ainda com possibilidade de melhorar) foi 42º na fase que estabelece o ranking para a segunda fase. Terá agora de defrontar um turco no sistema de eliminação. O adversário foi 23º na fase anterior e tem resultados bastante superiores ao do português.

Natação
Sara Oliveira (3) bateu o recorde nacional dos 100 metros mariposa em 18 centésimos e foi 35ª nas eliminatórias. Foi uma boa marca dentro do que se pede mas infelizmente ainda está longe do nível que lhe permita chegar às meias-finais.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Uma cidadã repórter com piada

Como passei algumas das melhores férias da minha vida na Manta Rota, o título chamou-me a atenção.

A senhora tem piada e um estilo fluído, no limite aceitável do indignado. Quanto ao assunto em si, estou solidário com ela. Se há coisa capaz de me transformar no incrível Hulk em segundos é a mania da animação nas zonas de férias. A imbecilidade de insistir em debitar música em todo o lado, o marketing morcão que persegue os consumidores com brindes e outras actividade irritantes.

Por norma sou um tipo animado. Quando vou de férias para algum lado quero ouvir o mar e não o Tony Carreira ou a bardajona da Beyonce. Sobretudo, não quero que me enfiem à força animação tipo monitor hiper activo do Holmes Place com palminhas e gritos histéricos de "vamos pessoal" ou "toca a mexer esses rabos".

A Manta Rota já foi das melhores praias do Algarve. Pelo que diz a Margarida, agora é mais um destino a evitar.

PS: Eu não meto os pés no Algarve há anos. Odeio aquilo. Lamento.

Programa para o primeiro dia dos Jogos Olímpicos

Começou!

O link para a página do site oficial onde pode saber o programa de cada dia está aqui.

Hoje

Hoje não me chateiem que vou ver os Jogos Olímpicos.

Deixo-vos apenas o editorial do "Público" que fala - adivinhem - da China.

Fala de uma ideia que partilhei aqui há uns tempos de que o aparecimento de uma classe média forte conduziria a maiores exigências de conforto, respeito por direitos humanos, qualidade ambiental, etc.

O editorial diz que isso não está a acontecer. Eu, humildemente digo que ainda é cedo. A China, ainda não chegou ao ponto de caramelo. Vai ser um caramelo assim para o sujito mas mesmo assim...

Os Jogos Olimpicos de Pequim parte III

Prova de que ninguém liga ao que eu escrevo. Hoje fartaram-se de me perguntar: a que horas começa a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos? E em que canal dá?

Impressionante era a neblina com péssimo aspecto que cobriu Beijing durante o dia de ontem. Os Chineses começaram a reduzir as emissões há semanas, fechando fábricas e limitando a circulação de veículos. A diferença é pouca.

De qualquer modo, estou com grandes expectativas para a cerimónia de amanhã. Espero que corra tudo bem.

A partir das 13h na RTP e no Eurosport.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dicas para sobreviver ao acesso de produtividade do autor

Há quem se queixe de falta de tempo e pachorra para ler muito do que escrevo neste blogue. Para esses, duas dicas:

a) Subscrevam o blogue por RSS ou e-mail. É ir ver como se faz nos bonecos aqui ao lado.

b) Se não estão puto interessados nos textos sobre jornalismo ou tecnologia, ou se preferem piadolas e parvoíces, vão à lista de temas (ou tags) e cliquem nas vossas preferidas. Só vos aparecerão os textos sobre esse assunto.

Aproveitem para votar na listinha de temas. Ajuda imenso a saber em quais carregar mais ou menos.

Como alternativa, podem visitar os blogues e sites das listas que são todos, sem excepção, incomparavelmente melhores do que este.

E já sabem, comam fruta e legumes e evitem as massagens porque - todos juntos, agora - "aquilo são coisas que se sabe como começam mas nunca se sabe como acabam!"

Os jornais portugueses são bons e a gente não sabia!


Tomem lá para aprenderem a dar valor ao que é vosso.

Atenção que o senhor que escreve é parte interessada no assunto porque, pelo que percebi, a empresa dele esteve (está?) envolvida no design gráfico do Expresso.

De qualquer modo, a revista do maior semanário português vai mudar outra vez de grafismo. Não sei se acho muita piada ao facto de as secções passarem a ter nomes de partes de uma refeição mas é mau dizer mal antes de ver, por isso, esperemos calmamente.

"Presto", a curta da Pixar

Não faço ideia se a Pixar autorizou isto ou não. De qualquer maneira, anda por aí com óptima qualidade e é tão bom que não posso deixar de recomendar que o vejam.

Chama-se "Presto" e é a curta-metragem de animação da Pixar que irá passar antes do Wall-E (que, segundo me disseram, é excelente).

É, com toda a certeza, a que mais se aproxima em espírito dos tempos das animações da WB, do Friz Freleng e Chuck Jones.

Pixar rules!!!!

Mamma Mia!

(da esquerda para a direita) Christine Baranski (Tanya), Meryl Streep (Donna) e Julie Walters no papel de Rosie, em plena cena de bailarico

Teve muitas críticas más. Dizem que a Phyllida Lloyd pode saber de teatro mas não sabe realizar, que é tudo para baixo de mau. Mesmo assim, tenho vontade de ver o filme. Apenas porque acho que deve ser divertido.

Mas há alguns detalhes interessantes relativos ao Mamma Mia! que têm a ver com a campanha de marketing.

Como a acção se desenrola numa ilha na Grécia, isso levou uma das maiores acções de promoção do filme a esse país. Os gregos fizeram uma festarola imensa com os actores e a realizadora, imensas entrevistas, sessões de fotografia e estreia mundial.

O facto de um filme americano estrear primeiro num outro país é raro e normalmente causa alguns calafrios e comichões aos executivos. Mas fizeram bem. As receitas foram excelentes, recordes foram batidos e toda a gente ficou feliz.

Outro aspecto engraçado é que os gregos têm uma tradição muito forte de cinemas ao ar livre e, pelos vistos ,conseguiram alcançar a qualidade suficiente para convencer a Universal a estrear o Mamma Mia! mundialmente num número significativo de écrãs junto de praias e zonas turísticas.

Mais: 42% das receitas no primeiro fim-de-semana vieram desses cinemas al fresco. Apesar do número de sessões limitadas (imagino que a uma ou no máximo duas por dia), as lotações dos cinemas ao ar livre são bastante superiores às maiores salas dos multiplexes, com a vantagem de caber sempre mais um e de se poder recorrer a todas as cadeiras das esplanadas vizinhas para acomodar a procura (isto aconteceu e foi-me relatado por uma fonte da Universal).

Moral da história. Aqui em Portugal, temos praias, turistas, bom tempo e filmes em versão original - ou seja, os bifes podem perfeitamente ver o filme ignorando as legendas. Não valerá a pena apostar seriamente nisto?*

*Atenção: eu disse seriamente, não é fazer umas coisas mal enjorcadas para chular mais uns cobres ao veraneante.

Cartaz da SIC Notícias

O João Lopes merecia uma parceira de programa mais dentro do assunto do que a que tem actualmente no Cartaz da Sic Notícias. A senhora é muito simpática mas não consegue contribuir com algo de interessante para a conversa. Lembra o Professor Marcelo com a outra senhora também muito simpática mas apagadita.

Os reféns do BES e a reacção das televisões (actualizado)

O sequestro terminou às 23h23. Trinta minutos antes, os assaltantes, dois brasileiros com idades entre os vinte e os 30 anos, apareceram à porta do banco com as armas encostadas às cabeças dos reféns. Com a negociação interrompida e perante a ameaça evidente à vida dos reféns, os snipers abateram um dos assaltantes. O outro foi para o hospital em estado crítico. Os dois funcionários do banco, um homem e uma mulher, escaparam praticamente ilesos. Só o homem teve alguns ferimentos ligeiros causados pelos estilhaços que voaram depois dos disparos.

A SIC Notícias optou por se manter no ar durante todo o tempo. A RTP N fez uma pausa, regressou quando os assaltantes surgiram à porta, voltou a interromper e voltou uma vez mais para a leitura do comunicado final. A TVI também esteve no ar na altura dos disparos mas depois voltou para a tourada no Campo Pequeno.

***

Estou a escrever isto em cima do acontecimento (bom, não tanto assim, o acontecimento está na sala e eu estou aqui na divisão ao lado). Houve uma tentativa de assalto a uma dependência do BES na Marquês da Fronteira e parece que os ladrões fizeram reféns. Não se sabe mais nada. Há muito GOE, muito negociador e muita PSP.

O que me interessou agora foi ver a reacção dos canais a esta notícia.

Os canais generalistas, RTP, SIC e TVI mantêm a programação.

Os canais de notícias fizeram apontamentos de reportagem nas edições que estavam a decorrer na altura. A SIC Notícias estava lá com repórter de imagem e jornalista excitada a ser afastada do local pelas forças da ordem. A RTP foi mais lenta e só apresentou uma jornalista ao telefone. A TVI, como ainda não tem canal de notícias, só vai falar do acontecimento mais logo às oito horas.

Coming up next on TELOS

Caçadores de Mitos

e....

James Cameron

A vida para lá dos blockbusters

François Cluzet em "Ne Le Dis à Personne"

Os americanos arranjam termos para tudo e mais alguma coisa. A indústria do entretenimento é bastante rica em expressões coloridas e práticas que ilustram o sucesso (blockbuster) , o falhanço (flop), ou a surpresa (sleeper).

Um sleeper é isso mesmo. Um filme à partida com pouco potencial que, inesperadamente, se transforma num pequeno sucesso, mensurável em médias por cópia e tempo em cartaz.

Os sleepers são os meninos bonitos de críticos e analistas e todos lutam pela glória de prever o surgimento de um desses bichos raros. Mas, claro, não é possível prever um sleeper.

A grande maravilha da indústria do entretenimento é exactamente a sua imprevisíbilidade. Os gostos do público mudam mais rapidamente do que o Cristiano Ronaldo muda de namorada e quem segue tendências arrisca-se a falhar com grande estrondo. Ah, e inovar também não é nada fácil.

Isso leva-nos a três regras de ouro:

a) Os executivos dos estúdios tendem a ir sempre atrás do último filme de sucesso embora a experiência prove que essa estratégia não compensa. Ai o "Sex and the City" fez dinheiro? Embora lá fazer mais 20 filmes para gajas.

b) Os estúdios são avessos ao risco e por isso a não ser que tenhas uma reputação à prova de bala é mais prudente não inovar muito. Ou seja, se não te chamares Joel Silver ou fores um dos irmãos Wachowski, não te metas a tentar realizar filmes psicadélicos para putos.

c) Quando pensamos que estamos a ir atrás daquilo que o público quer, já ele mudou de opinião. O quê? A nossa comédia com piadas escatológicas não fez dinheiro? Mas o "American Pie" fartou-se de facturar!

Voltando aos sleepers. Em Portugal, há poucos meses apareceu um. Chamava-se "La Grain Et Le Mulet". O título local foi "O Segredo de Um Cuscuz" (Toda a gente diz horrores mas eu até gosto deste título). Durante semanas a fio teve a melhor ou segunda melhor média por cópia do mercado português. Esteve em exibição em dois cinemas, não mais do que isso.

Hoje, enquanto buscava algum assunto que me chamasse a atenção no meio das notícias de cinema vi um artigo do Los Angeles Times sobre um filme francês chamado "Ne Le Dis à Personne" de Guillaume Canet. A surpresa é dupla. Primeiro porque o filme já tem dois anos e depois porque é francês e os filmes em língua estrangeira (para os americanos, tudo que não o inglês) têm muitas dificuldades em se afirmar no mercado norte-americano, avesso a ler legendas.

Embora a distribuíção esteja limitada aos maiores centros urbanos (e às zonas mais sofisticadas) o filme pegou no circuito alternativo ou art-house como lhe chamam.

Curiosamente, foi o segundo filme legendado a obter bons resultados este Verão, nos Estados Unidos, depois do épico "Mongol".

Não há ninguém que ponha termo a esta pouca-vergonha?

Investigadores franceses descobriram dois novos vírus. Tudo bem, é o trabalho deles, parabéns.

Agora, quando escolhem os nomes é que podiam lembrar-se de que mais tarde alguém terá ouvir de um médico: "olhe o senhor apanhou o mamavírus" ou dizer ao patrão "ó chefe estive doente em casa com o mamavírus".

No meu tempo, as doenças tinham nomes sérios. Uma pessoa apanhava tuberculose ou sarampo ou mesmo sífilis ou escorbuto (sim eu sou mesmo velho). Agora o mamavírus...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Olha! Um golpe de estado na Mauritânia e uma data de gorilas

Isto é tão fora de moda...golpes de estado, onde é que já se viu? E em Agosto? Hello? Silly season pessoal!!!!

Por outro lado, assim do nada, são descobertos 125 mil gorilas no norte do Congo.

Por falar em gorilas, o que em Portugal é "Kate tentou apelar 'ao coração' do sucessor de Gonçalo Amaral" no Reino Unido é "Kate McCann Begged Cops For Info".