segunda-feira, 30 de junho de 2008

Memórias da Internet

Estava há pouco a ler um dos blogues nacionais sobre internet e tecnologia e deparei com uma discussão sobre RSS, Atom, OPML, etc.

O autor do blogue é engenheiro de sistemas, portanto a meus olhos, um técnico. Alguém que sabe da poda. Eu sou um utilizador, leigo e desajeitado.

Vieram-me à cabeça memórias dos tempos em que se começava a ouvir falar de uma coisa chamada Internet. Quase ninguém tinha olhado o bicho nos olhos, quanto mais tê-lo em casa.

Os poucos utilizadores foram buscar referências ao universo cyberpunk, usavam óculos de sol espelhados e imagino que tenham lidos os livros todos do Bruce Sterling. Falavam um dialecto estranho e não se esforçavam minimamente por chegar ao comum dos mortais. Cultivavam uma pose de herói de ficção-científica ou cybermaçon iniciado nos rituais herméticos da world wide web.

Passaram para aí 12 anos. Olhando para a Internet hoje em dia, tudo isto parece ridículo. Os cyberpunks estão gordos e vestem fatinho e gravata para melhor desempenharem o papel de executivos. Já não usam óculos espelhados. A Internet perdeu o mistério e afinal tanto serve para transferir dinheiro como para falar com os amigos, encomendar queijo e leite ou trabalhar.

Faz sentido discutir se o RSS já está fora de moda e agora é o OPML que está a dar?

Tendo em conta que a maior parte dos utilizadores não faz ideia do que um ou outro são, o melhor será deixar o debate para os engenheiros de sistemas. Como em quase tudo, o utilizador médio só quer algo simples e que funcione.

O país vai entrar em alerta...


...vamos obrigar a malta a lavar as mãos.

Mais um título hilariante da oficina criativa do Correio da Manhã.

Menos hilariante é o facto deste site fazer tudo o que pode para não ser lido. Pendura, demora anos a carregar, bloqueia.

No Diário de Notícias, Marinho Pinto até anda de lado


O blogue Zero de Conduta apontou mais esta prova de que no DN ninguém liga grande coisa à Internet. Das sete da manhã de Domingo até às duas da manhã de segunda-feira não houve uma alma caridosa que endireitasse a foto.

Eles querem é vender jornais em papel, ali... à homem!

Nada dessas mariquices dos computadores, onde é que já se viu. Isso é uma moda...um dia destes acaba! Jornal a sério é feito com tinta, a sujar as mãos todas.

Outra teoria, é de que no DN não gostam mesmo nada do homem.

Eu acho que é uma cabala.

domingo, 29 de junho de 2008

Outra boa piada...

Uma notícia do Diário de Notícias que, a confirmar-se, dá mais um empurrão na confiança que podemos ter nas elites nacionais.

Claro que o senhor se sentiu indignado ao ler a notícia e acusa o jornal de alinhar numa estratégia de ataques pessoais.

Pois claro. Até pode ser que sim mas eu sempre desconfiei de quem aumenta a si próprio. É uma embirração muito minha.

It needs one to know one

De repente, saído do nada Oliveira ataca.

Hilarious...

sábado, 28 de junho de 2008

Uma mão cheia de informações básicas (RSS, readers, aggregators e outros animais estranhos)

RSS são as iniciais de "Real Simple Sindication". Permite subscrever uma fonte de informação de forma directa e simples. Permite poupar o tempo que normalmente se gasta a localizar novas notícias e tópicos relevantes.

Para aceder a estas fontes, a que se dá o nome de feeds, em primeiro lugar há que seleccionar o local onde vamos colocar os feeds que nos interessam. Existem três modos de o fazer.


a) Podemos receber as actualizações no nosso endereço de mail.


b) Através de aplicações chamadas "readers"(leitores) ou "aggregators" (agregadores).

Permitem a colocação e organização dos feeds num só local. Alguns exemplos, o Google Reader, NewsGator, Bloglines, SharpReader ou o FeedDemon. Estes leitores podem estar instalados num computador ou acedidos online em qualquer lado.


c) Através de start pages personalizadas. É a minha opção preferida. Os melhores exemplos que conheço são o iGoogle ou o Netvibes (o que eu uso). Outras sugestões são o PageFlakes, o Protopage ou o Webwag.

Todas permitem quase o mesmo.

Adicionar todos nossos feeds RSS favoritos, organizá-los por tabs. Adicionar uns programas simpáticos chamados "widgets", que podem ser uma pequena janela com o tempo para os próximos cinco dias, um calendário, ou um relógio, o Daily Dilbert (favorito cá da casa), aceder directamente aos nossos mails, a programas de mensagens instantâneas (o Meebo tem um widget que permite isso mesmo) ou apenas um jogo de Sodoku para passar o tempo.

Na prática, estas páginas iniciais personalizadas permitem que, ao abrirem o vosso browser, em vez de irem parar a um site como o Google, o Yahoo! ou o Sapo, possam aceder imediatamente a uma quantidade de informação que vos é útil e foi escolhida e formatada por vocês mesmos.


Olha a internet a mudar...

Como poderão concluir após lerem a notícia do Público.

A ICANN anunciou a possibilidade de se poder registar domínios personalizados além dos tradicionais .com, .net ou .org. A partir do segundo semestre de 2009.

O estado da nação online

Tenho estado numa fase de aprendizagem intensiva sobre esta nova coisa da web 2.0 e a evolução da Internet. Passo muito tempo de volta de blogues e sites sobre o assunto e tenho tentado retirar alguma lógica da avalanche de informação, teorias e opiniões.

Acho que, para bem da minha saúde mental, é chegado o momento de fazer um balanço e organizar ideias:

  • Em Abril, escrevi sobre a quantidade de aplicações que surgiam a cada dia, como cogumelos. Dei o exemplo do Twitter e do Snapshots como coisas que me pareciam completamente inúteis.
  • Barafustei contra o Twingly e a proliferação de social-tudo-e-mais-alguma-coisa e armei-me em adivinho ao prever que isto era uma moda, uma nova bolha, uma confusão em que só conseguiremos ver alguma coisa de jeito quando a poeira assentar.
Agora, acho que estou pronto para retirar mais algumas conclusões.

  • Continuo a achar que existe uma moda que alimenta dezenas de sites e aplicações que no essencial servem para o mesmo.
  • Ainda embirro com o Twitter e o microblogging e acho que é daquelas trends sem futuro.
  • O Twingly no site do "Público" até agora não resultou em nada de interessante.
  • Descobri uma aplicação chamada Apture que parece muito melhor do que o Snapshots por uma razão muito simples. Enquanto a passagem do rato por cima de um link do Snapshots abre de imediato uma janela, o que dificulta bastante a navegação, o Apture, por sua vez, exige uma intencionalidade muito maior. A janela só abre após um segundo em cima do link. Suficiente para não prejudicar a leitura do texto.
  • Descobri algumas ferramentas mesmo úteis como o Netvibes, explorei mais as capacidades de ferramentas de colaboração e partilha online, rendi-me aos feeds rss e descobri que o futuro imediato reside nos agregadores de plataformas de web social. E ocasionalmente fiquei a gostar de uma ou outra start up.
  • Tenho aprendido bastante com as pessoas de diversos blogues e sites. Os links estão todos na barra aqui já ao lado, na secção de blogues profissionais. Ah, porque é disso que se trata agora, da separação entre o blogue pessoal sem pretensões ou exigências de qualidade e os pros, que elevaram o blogue a outro nível.
  • Parece-me cada vez mais evidente que esta bolha irá rebentar. Não existe mercado para tanto site, aplicação, mashup, agregador ou como raio se chamam. Este site chamado The Industry Standard fez uma análise de 10 serviços que eles pensam que irão triunfar e 10 que irão desaparecer. Honestamente, acho que estão quase todos condenados à extinção. Mas eu engano-me com frequência e nem sequer percebo muito deste assunto.
Afinal o que vai acontecer? Qual vai ser o futuro destas pequenas revoluções?

A única certeza que tenho é que tudo irá acabar, como sempre, por ir ter ao dinheiro. O resto, limita-se a mais uma série de perguntas:

  • Como se rentabilizam as aplicações e os serviços que elas prestam, num meio em que o consumidor não quer ver publicidade e não quer pagar para utilizar?
  • E o futuro da publicidade? Onde poderão as marcas anunciar de modo eficaz?
  • Como será a nova industria da música?
  • Qual será a face do novo jornalismo? Irão mesmo acabar os jornais impressos?
  • E o video? A tão falada ligação/fusão entre TV e Internet irá mesmo acontecer?

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A aplicação indispensável para os fãs de séries americanas (e é Made In Portugal!)

Nesta página simpática e com muito bom aspecto do 2.0 Webmania, encontrei uma aplicação excelente para aqueles que, como eu, já têm dificuldade em seguir as diversas séries de televisão dos canais por cabo.

O myTVShows, permite manter um registo de todos os episódios das séries que nos interessam. Além disso, tem bastante informação adicional e uma secção com links de notícias.

Só a experimentei de modo superficial mas parece-me bem feita. E é made in Portugal!


As confusões do futebol português - agora também na Europa

O futebol português, cansado de ter as suas confusões limitadas pela dimensão do país, decidiu lançar-se à conquista da Europa. Agora, já não é só o campeonato nacional que não pode ser homologado, é o sorteio da Champions League que corre o risco de não se realizar na data prevista. Tudo porque o Benfica decidiu recorrer para o tribunal arbitral.

A moda da ecologia

Já aqui escrevi sobre a Nokia e os carregadores que, de um dia para o outro ficaram obsoletos.

Não me recordo se não barafustei também sobre a idiotice cosmética que é cobrar sacos de plástico nos supermercados.

Agora há esta ideia do Metro de Lisboa que aqui foi tão bem apanhada.

Pior do que uma empresa não manifestar o seu amor pelo ambiente é que o faça de forma tão desastrada!

Os blogs como uma enorme agência de notícias

É uma ideia muito optimista lançada por um professor de jornalismo do Missouri.

Deixou ainda uma frase bonita:
There will always be a place for the journalist who can craft a story better than anyone else, but there will be a bigger place for the journalist who can help media consumers find the information they want.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A resposta da Greenpeace

Ontem enviei um mail à Greepeace a solicitar alguns esclarecimentos sobre a campanha da lista vermelha de peixes.

Agradeço a rapidez com que responderam:

Bom dia António.

Obrigado pelo seu interesse e por fazer estas questões

A maioria das questões que coloca já estão respondida nas páginas do site Português e no site Internacional. Veja os seguintes links e as páginas relacionadas:

http://www.greenpeace.org/portugal/lista-vermelha


http://www.greenpeace.org/portugal/noticias/lista-vermelha-portugal

http://www.greenpeace.org/portugal/lista-vermelha/5-criterios

http://www.greenpeace.org/international/seafood/

http://www.greenpeace.org/international/seafood/understanding-the-problem/aquaculture

http://www.greenpeace.org/international/press/reports/challenging-the-aquaculture

Espero que os links acima ajudem a esclarecer as suas questões.

Os melhores cumprimentos,

Osvaldo
Segui o conselho do Osvaldo e fui dar mais uma olhadela pelos links.

Acho que a resposta à minha primeira pergunta sobre como conciliar a necessidade que temos de consumir peixe está aqui:

1. Retirar o pior:

  • Deixar de comercializar todas as espécies de peixe que estejam a vermelho segundo a metodologia desenvolvida pela Greenpeace (ou equivalente);

2. Apoiar o melhor:

  • Aumentar a oferta de peixe com garantia de ser sustentável;

3. Melhorar o resto:

  • Trabalhar com os fornecedores de forma a obter peixe proveniente das melhores zonas disponíveis e das espécies que não estão na lista vermelha da Greenpeace. Trabalhar em conjunto com o governo, indústria, organizações não governamentais e científicos para melhorar a gestão, sustentabilidade e equidade das pescas das quais os distribuidores se abastecem.
  • Deixar de vender peixe proveniente de pescas e fornecedores que se recusem a mudar para métodos mais sustentáveis, ou que não estejam dispostos a fazer acordos mais justos com os países costeiros para aceder aos seus stocks.
  • Vender apenas peixe com proveniência comprovada até ao barco e com verificação de que a captura desse peixes está dentro das quotas e recomendações estabelecidas.

4. Apresentar e promover práticas sustentáveis e equitativas:

  • Promover junto dos consumidores a compra de produtos da pesca sustentáveis e equitativos.
  • Etiquetar todos os artigos que contenham produtos pesqueiros com o nome comum, nome científico e informações sobre o método de pesca ou de aquacultura através do qual foram produzidos. Apresentar informações detalhadas sobre os métodos de pesca ou de cultivo utilizados.
  • Apoiar iniciativas sustentáveis
  • Tornar pública a política de compra sustentável e realizar um acompanhamento e avaliações da implementação da mesma.
  • Dar formação aos técnicos e vendedores para ajudar aos consumidores a escolher produtos de pesca sustentáveis.
(fonte www.greenpeace.pt)

Quanto ao resto, tanto quanto me pude aperceber, a Greepeace repudia totalmente a aquacultura.

Bom, agora a decisão é de quem lê.

Honestamente acho que tudo passa por pressionar a grande distribuição. Através de acções como a de ontem mas multiplicadas por 100. Sim, porque os consumidores dado o preço e o decréscimo do poder de compra, já estão certamente a comer menos peixe. Resta fazer com que o pouco que come seja de boas origens.

A Wired fala de um futuro sombrio onde as corporações malvadas podem controlar equipamentos electrónicos

Uma previsão do que pode acontecer caso sejam implementados os diversos sistemas de "Digital Manners Policies".

Segundo Bruce Schneier, autor do artigo, trata-se de apresentar estas teconologias sob um prisma "isto é muito bom para todos" mas na realidade podem colocar tudo o que é aparelho electrónico debaixo do controlo de terceiros.

Um enorme par de heresias

Muito rapidamente só para dizer duas enormes heresias:

a) Não acho piada ao Seinfeld. Achei-lhe alguma piada quando passou pela primeira vez. Agora, parece mais datado que o Barco do Amor.

b) Morreu George Carlin. De repente, tudo quanto é blogue está empestado de carpideiras que choram a morte de George Carlin como se fosse o pai deles. A verdade é que sim, é uma pena que ele tenha morrido mas na minha sempre modesta opinião, o George Carlin foi um comediante medíocre, como muitos que os Estados Unidos têm. Não me faz rir. Nada. Ziltch. Nicles. Desculpem a honestidade. E por amor da santa componham-se e parem com a choradeira!


As parvoíces do futebol

A notícia que saiu no DN

Nesta versão, o Benfica quase perdeu 6 pontos.

A notícia no JN

Nesta versão, O Benfica perdeu mesmo 6 pontos.

Uma pessoa é logo tentada a imaginar uma terrível história em que o jornalista, portista ferrenho, não quis perder uma oportunidade de se vingar da afronta do clube do senhor do bigode ao seu guru espiritual, o senhor da fruta.

Ou então, foi só um engano. Mas que aqui há alguma parvoíce, lá isso há.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A Greenpeace e o peixe III

A carta para o Greenpeace. Só para descansar algumas almas, assinei com o meu nome de baptismo:


Boa noite.

O meu nome é Steed e mantenho um blogue em www.mrsteed.blogspot.com

Li notícias sobre a vossa acção de hoje no supermercado das Amoreiras em Lisboa e gostaria de vos colocar duas perguntas:

a) Um dos problemas que este tipo de acções tem junto de alguma parte da população, prende-se com a imagem de que os ecologistas são uns chatos e uns embirrantes que não deixam fazer nada e só complicam. Lendo alguns dos comentários nos sites dos jornais mais importantes é fácil encontrar posições destas.

Um dos pedidos que fazem no vosso site é para que comamos menos peixe. Por outro lado, o cidadão comum ouve regularmente do seu médico e nos media conselhos para que coma mais peixe e menos carne, que o peixe faz bem à saúde, etc.

A pergunta que o cidadão médio faz é: em que ficamos? Como conciliamos as necessidades do planeta com a saúde? Que alimentos podemos usar em vez do peixe?

b) E em relação aos peixes de viveiro que estão à venda em Portugal? A aquacultura é uma solução ou um problema tão grande como a pesca destrutiva e não sustentada?

Desde já obrigado pela vossa atenção.

Cumprimentos,
Steed

A Greenpeace e o peixe II

Agora a sério. O site da Greenpeace está muito bem feito e é bastante informativo.

A situação de falta de peixe é grave e merece mais atenção do que a que lhe tem sido dada.

O peixe é um excelente alimento, melhor que a carne, mas há gente a mais para espécies nadadoras comestíveis a menos.

Uma solução é a aquacultura mas, como todas as actividades do género, dependem da intensidade para oferecerem lucro. Ora, os peixes fazem cócó como qualquer ser vivo e muitos dejectos juntos causam poluição. Existem ainda questões que se prendem com a propagação de doenças e a alimentação dos animais. Em resumo, também a este nível é necessário um controlo eficaz para que a aquacultura não passe de solução a problema.

A Greenpeace e o peixe

A Greenpeace começou hoje, em Lisboa, um conjunto de acções de sensibilização de consumidores e distribuidores para a necessidade de adquirirem peixe capturado de forma sustentável e utilizando técnicas não destrutivas.

Tudo bem. Mas há um detalhe que me intriga nesta notícia.

Que raio interessa para o caso o facto de um dos activistas usar aparelho nos dentes?

Porventura repararam também se os activistas usavam cuecas ou gel no cabelo? Ou óculos? Ou se havia algum que não tivesse lavado bem os dentes?

Por outro lado, o desgraçado do consumidor está completamente lixado. Vai ao médico e ele diz: ó Dona Maria Cristina tem de comer mais peixe porque o peixinho faz-lhe bem. A pessoa sai do médico, vai ao supermercado e estão uns senhores da Greenpeace a dizer: Dona Maria Cristina tem de comer menos peixe porque senão o mundo acaba.

Têm ambos muita razão, os senhores doutores e os senhores ecologistas. Mas percebem o ridículo da questão?

Vou mandar um mail para o site da Greenpeace com esta minha dúvida. Vamos ver se eles respondem.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Os 100 melhores posters de sempre

É uma lista pessoal, discutível e subjectiva.

Mas também é um exercício divertido que deve ter dado algum trabalho.

No blogue Stale Popcorn, os 100 melhores posters de cinema de todos os tempos, na opinião do autor Glenn Dunks.