quarta-feira, 30 de abril de 2008

Traduções reles 2

Lá bem no Louisiana perto de Nova Orleães
No fundo da floresta entre os pântanos
Ficava uma cabana feita de lama e terra
Onde vivia um rapaz do campo chamado Joãozinho Bem-Bom
Que nunca aprendeu a ler ou escrever
Mas sabia tocar guitarra como se fosse uma campaínha

Vai Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Joãozinho Bem-Bom

Costumava andar com a guitarra num saco de batatas
Sentava-se atrás de uma árvore perto da linha do comboio
E os maquinistas viam-no sentado à sombra
A tocar ao ritmo das locomotivas
E as pessoas que passavam, paravam e diziam
Bem, este rapazito do campo sabe mesmo tocar

Vai Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Joãozinho Bem-Bom

A mãe dizia-lhe "Um dia hás-de ser um homem,
vais liderar uma daquelas grande bandas.
E muita gente virá de milhas em redor
Para ouvir-te tocar ao pôr-do-sol
Talvez um dia o teu nome apareça iluminado
Dizendo esta noite Joãozinho Bem-Bom."

Vai Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Vai Joãozinho vai
Vai
Joãozinho Bem-Bom




Deep down Louisiana close to New Orleans
Way back up in the woods among the evergreens
There stood a log cabin made of earth and wood
Where lived a country boy named Johnny B. Goode
Who never ever learned to read or write so well
But he could play the guitar just like a ringing a bell

Go go
Go Johnny go
Go
Go Johnny go
Go
Go Johnny go
Go
Go Johnny go
Go
Johnny B. Goode

He used to carry his guitar in a gunny sack
Go sit beneath the tree by the railroad track
Oh, the engineers would see him sitting in the shade
Strumming with the rhythm that the drivers made
People passing by they would stop and say
Oh my that little country boy could play

Go go
Go Johnny go
Go
Go Johnny go
Go
Go Johnny go
Go
Go Johnny go
Go
Johnny B. Goode


His mother told him "Someday you will be a man,
And you will be the leader of a big old band.
Many people coming from miles around
To hear you play your music when the sun go down
Maybe someday your name will be in lights
Saying Johnny B. Goode tonight."

Go go
Go Johnny go
Go go go Johnny go
Go go go Johnny go
Go go go Johnny go
Go
Johnny B. Goode



*Johnny B-Goode, Chuck Berry

Ena! Um artigo inteligente sobre marketing!

É raro, sobretudo aqui em Portugal, onde qualquer pessoa que fale sobre marketing ou publicidade parece estar a vender-se a si ou à empresa onde trabalha. Normalmente, ouvem-se lugares comuns e frases feitas. Quase nunca alguma ideia original ou interessante.

Este artigo critica o abuso do marketing viral nas campanhas de lançamento de filmes. Fala do umbiguismo dos marketeers e da facilidade com que se seguem modas cuja eficácia diminui à medida que se estabelecem.

Para ler no Yahoo News.

Coisinhas irritantes

Como o Twitter, a moda do momento ou o Snapshots (para quem não sabe, lembram-se de andar a surfar e de repente passam com o rato por cima de um link e abre uma janelinha? É isso.)

A quantidade de pequeninas ferramentas (ou apps) que nascem como cogumelos destinam-se teoricamente a melhorar produtividade e aumentar e bla bla bla...

Um pequeno detalhe...e tempo para actualizar essas caquinhas todas?

Por exemplo, o Twitter: este entusiasta da coisa diz q "ai e tal, cada membro da equipa podia abrir uma conta no twitter e configurá-la para ser usada através do telemóvel e depois iam partilhando informação e sabíamos sempre onde estava o pessoal todo e partilhávamos ideias e tal....e aumentava o espírito de equipa...blablabla.

Umas perguntinhas:

Quem é que tem tempo para parar o seu trabalho e partilhar ideias, o que está a fazer, onde está, etc.? E tempo para ler essa informação?

Como é que uma ferramenta que essencialmente serve para um editor controlar o que que cada um está a fazer serve para aumentar o espírito de equipa?

Admito que possa estar a exagerar com este meu asco a ouvir falar do Twitter e por não levar a sério mais esta modinha digital mas porque raio é que temos de estar a debater a toda a hora e ser sociável a cada minuto que passa?

As capas da Annie Leibovitz na Vanity Fair

Este blogue está a ficar duma vulgaridade...

Enfim, desculpem o desabafo. Voltando ao que (não) interessa, desde 1995 que a Vanity Fair apresenta anualmente uma edição especial dedicada a Hollywood [preencher com uma das opções abaixo indicadas]*

a) Se você é trolha, mecânico de automóveis ou pintas de Alfama leia "cheia de gajas boas".

b) Se você é um metrossexual armado aos cucos leia "com mulheres interessantes, modernas, inteligentes, que sabem cuidar da sua aparência e ocasionalmente com homens assim como eu".

c) Se você é uma mulher leia "repleta de tipas todas retocadas e cheias de maquilhagem. De vez em quando aparecem gajos bons mas a maior parte deles deve ser larilas"

d) Se você tem 35 anos, ainda vive com os pais e a sua mãe é que lhe compra a roupa, leia "gahgrlihihihihi... com miúdas giras!"

As fotos destas capas, da autoria de uma senhora chamada Annie Leibovitz, são sempre muito giras, ocasionalmente maravilhosas e geralmente bem esgalhadas.

Para comemorar o 14º Hollywood issue, o site da Vanity Fair criou um slideshow com todas as capas.

Aproveitem, dêem uma olhadela e sorriam com os títulos das mais antigas.


*Exemplo de como este blogue encarnou o espírito da web 2.0

Existe mais gente a fazer piadas logo pela manhã

Site da RTP:

blablabla...combustíveis mais caros a partir de hoje...blablabla...escandaloso diz a ANAREC...blablabla.

A piada está nesta parte:

"Preço varia consoante postos de abastecimento

Na Galp os consumidores vão passar a pagar 1.32 euros por cada litro de gasóleo e 1,44 pela gasolina sem chumbo 95.

Nos postos da BP, o gasóleo custa agora 1,32 euros e a gasolina sem chumbo 1,44 euros.

De manhã a Repsol ainda não tinha actualizado os preços, mantendo o gasóleo a 1,289 euros e a gasolina 95 a 1,429 euros por litro."

Portanto, o preço varia consoante os postos apenas porque esta manhã a Repsol ainda não tinha feito a actualização. OK. Claro que aquele lindo conceito chamado "concertação de preços" não se aplica aqui.

Pura coincidência que a Galp e a BP, dentro do espírito de mercado livre tenham aplicado exactamente os mesmos preços, até ao cagagésimo do cêntimo.

Cartel? Naaaaaa.....coincidência.

É por estas e por outras que aqueles penteadinhos liberais me dão vontade de rir com as suas larachas. Se há quem precise de ser vigiado são as empresas, essas malvadas.



Oito e cinquenta


O Ministério da Saúde adverte que escrever piadolas antes das nove da manhã pode causar impotência e uma vontade incontrolável de dizer "chiça" em eventos sociais.

O Ministério da Saúde acrescenta ainda que nem pense em ter um médico de família antes de 2037.

Por isso, coma muita fruta e legumes em abundância. Lembre-se: An apple a day keeps the doctor away.

Às oito e quarenta e dois

Comentário jocoso:

Alunos do Carolina Michaelis visitaram o Estádio do Dragão. A visita foi abreviada após vários vário membros do grupo terem agredido os jogadores aos gritos de "damessabolajah!". Os Super-Dragões foram imediatamente chamados a intervir e distribuiram pêras e anonas pelos adolescentes descontrolados.

Instado a comentar, o líder da claque azul e branca referiu: "A fruta faz bem à saúde".

Por falar em saúde, o já chamado "Sindrome do Damissojah" está a ser estudado por um grupo de médicos, incluindo aquele senhor de barbas brancas que costuma aparecer na televisão e cujo nome de momento me escapa.

Não, não é o Pai Natal. O Pai Natal não é médico, é apenas um senhor bonzinho que distribui prendas.

Às oito e trinta e oito

8.38 da manhã:

Frase que inclui referencia a Adelino da Palma Carlos e Jorge Luis Borges.

Cultura para começar o dia. Achei que ficava bem.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Ver a banda larga passar...

Artigo do género "porreiro pá!" no site da Wired.

Fala do futuro da banda larga e de como o crescimento das velocidades de download e upload irão mudar a maneira como a Internet é utilizada.

Algo a que o autor do artigo chama "banda larga 2.0": 50 a 100 Mbps (megabits por segundo). Algo que irá demorar o seu tempo até estar disponível para um número significativo de consumidores. A melhoria das redes custa dinheiro e as empresas do sector são conhecidas por providenciar maus serviços e não cumprirem o que anunciam em termos de velocidade. Aqui como nos Estados Unidos.

Aparentemente, só em algumas partes da Ásia (Japão à frente) é que o serviço de Internet já atingiu um nível que pode ser classificado como "banda larga 2.0" e preparam-se para aceder a velocidades na casa de 1 Gbps.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Respeito

Ainda a propósito do 25 de Abril e da nossa história recente, fica aqui a ideia de que Portugal honra pouco os ex-combatentes, aqueles a que os anglo-saxónicos - nisto muito mais sentimentalistas que nós - chamam veteranos. Pode pensar-se, como eu penso, que era errado travar a guerra nas colónias. Mas temos a obrigação de honrar, proteger e até mimar aqueles que para lá foram. Os que morreram e os que voltaram, ilesos ou mutilados. Não só por respeito e justiça para com esses homens (e algumas mulheres), mas também para garantir o respeito a Portugal como nação. Porque um país que não cuida de quem por ele lutou perde muita da razão de existir.

Este blogue não podia ser mais a favor do 25 de Abril

Primeiro: a crónica desta semana do Ricardo Araújo Pereira na Visão está muito boa. Eu próprio, se fosse ele, não teria escrito melhor.

Segundo: amanhã é o dia 25 de Abril.

Na data de hoje, há 34 anos, era 24 de Abril de 1974 e se existissem blogues nessa altura, o mais certo era andar um coronel reformado de ar caquético com um lápis vermelho (ou uma aplicação tipo twitter versão censura) a cortar quase tudo o que eu escrevesse. Isto se tivesse tido a sorte de passar ileso pelos meus dois anos de serviço militar.

Há 34 anos, se existissem blogues, seriam quase todos mantidos por homens e em muito menor número, dado o elevado nível de analfabetismo, porque as mulheres pouca opinião tinham e porque muito menos gente teria acesso à Internet do que hoje.

Na data de hoje, 34 anos atrás, houvessem blogues naquele tempo, Marcelo Caetano provavelmente teria o seu e chamar-se-ia "Conversas em Família".

Alguns dos blogues mais lidos, embora em segredo, seriam aqueles escritos por membros da oposição exilados no estrangeiro. Cunhal e Soares teriam cada um o seu, com nomes que poderiam muito bem ser "Até Breve Camaradas" e "O Florir das Rosas".

E haveria o blogue secreto de um jovem oficial, que fugindo ao controlo da PIDE, escreveria de África sobre o mal que era a guerra colonial.

Por tudo isso não me lixem. Precisamos de símbolos para continuar a acreditar.

25 de Abril sempre.

As tangas com o ambiente (meios & publicidade, woohooo aqui está o malandro de um blogger a falar mal das marcas!!!)

Desde que passou a ser bem, o ambiente assumiu uma posição de destaque nas estratégias das maiores companhias mundiais. Especialmente daquelas que pelo tipo de produtos que vendem estão mais expostas a críticas ou à ira de grupos de pressão e consumidores.

Para atrair ou manter a boa-vontade dos diversos públicos, todos gritam o quão amigos são dos ecossistemas, o muito que reciclam e o imenso que ajudam os pobrezinhos.

Acredito que em alguns casos as intenções sejam reais e admito que algumas dessas acções produzam resultados positivos. Mas...

Um exemplo. A Nokia, aquela empresa de origem finlandesa que produz aqueles aparelhos que em tempos serviram para falar com outras pessoas e que, alegadamente, irão contribuir para que muitos de nós se finem com tumores na cabeça, pois a Nokia diz no seu site aquilo que toda a empresa diz hoje em dia: respeitamos o ambiente e reciclamos bué e tudo mais.

Então porque razão é que de repente os donos de aparelhos Nokia vão ter de deitar for...ops enviar para reciclagem uma data de carregadores só porque as tomadas de repente ficaram mais fininhas?

Eu, comprei um carregador para o carro marca Nokia e tal. Agora, passados 2 anos, se quiser, vou ser obrigado a comprar outro porque a tal entradinha mudou.

Ó Nokia, Nokia...tu até produzes os únicos telemóveis que eu consigo usar mas havia mesmo necessidade de mudar o raio da tomada? Então e o ambiente, caraças?

PS: Uma simpática leitora de Fornos de Algodres (olá Fornos estamos contigo) informou-me de que existem adaptadores que permitem usar o carregador grosso com a tomada fina. Um grande bem-haja para ela. No entanto o problema ambiental mantém-se. Se não tivessem mudado o raio da tomada não era preciso adaptador e éramos todos mais verdes e felizes.


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Pergunta honesta

Alguém me explica para que serve a televisão digital terrestre (TDT)?

Permite transmissão em alta definição mas o número de canais que comporta é limitado.

Qual é a vantagem? Porque razão é que se fala tanto disto e tanta gente parece preocupada com o caso?

Traduções reles

Condução descuidada, como um carro desportivo
Deus, eu quero-te, como um motor quer gasolina
Linha energética, como uma estrada
Tu-u-u-u-u-u-u-u conduzes-me-e-e-e-e-e-e
Como uma estrada

Prego a fundo
Pés no ar
Areia no cabelo
oh não olhes para trás
não te vires para trás
condução descuidada pela
Estrada secundária e suja



Wreckless drivin', like a sportscar
God I want you, like a fuel engine!
Energized line, like a road
You-oo-oo-oo--oo ride me-ee-ee-ee-ee
Like a road
You-oo-oo-oo--oo ride me-ee-ee-ee-ee

Foot on the peddle
Feet in the air
Sand in my hair
Oh, don't look back
Don't look behind you
Wreckless drivin' on
Dirty Back Road

(Dirty Back Road, The B-52's)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Dummkopf meets John Abbermüller

Fim de tarde. Princípio de noite. Eleutério Godinho, roupão de seda, casado-pai-de-filhos, juiz-relator do tribunal de Monção, abriu a porta da salinha que dava para o estúdio do solar da familia. Sentou-se à vasta secretária, devolveu cartas ao remetente e incluiu recadinhos da sua autoria em diversas missivas, colocando os pendentes entre os assuntos d'affaires e as moscas que fugiam do vinagre entre os assuntos arrumados. Sentiu desejo e buscou o Madeira.

Aproximou-se da lareira em passos lentos. Beberricou e congeminou o aquecimento dos pés, gelados como icebergs. À medida que o calor lhe subia pelo corpo, Eleutério sentiu um frémito. E depois outro. E mais outro. Uma série imparável, irresistível, inominável de frémitos.

Tombou, cálice de Madeira partido ao seu lado. Braços esticados, barriga para baixo, olho esbugalhado e os pequenos óculos redondos que usava para ler, espalmados debaixo da bochecha. A lareira ainda crepitava, iluminando em soluços a divisão. O mordomo ouviu e acorreu. Baixou-se em aflição e constatou.

Era preciso avisar o médico, a senhora, os meninos, a guarda.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Suave


sinto-me tão calmo
quase à deriva
como se o acto de
seguir o tracejado
representasse
um abraço suave

obedecer
é a glória maior
surpresa
hoje é o teu dia
obedece
transforma-te
num barco à vela
a balançar na corrente

* foto: legume do dia, o feijão-verde.

Outra vez o "look at me! look at me!"


AVISO: ESTE TEXTO FOI ESCRITO NUMA LINGUAGEM QUE NÃO SE PARECE COM NADA. ACONSELHAMOS AOS MAIS SENSÍVEIS QUE VÃO MAS É LER O BLOGUE DA RITITI. ISSO SIM É LITERATURA.

Estamos na idade do "look at me! look at me!"(1), uma espécie de idade do punk na internet em que o DIY(2) rula e todos podem ser o que quiserem! Ou me engano muito ou I spy with my little eye(3) que isto vai ter um destino semelhante ao do punk, ou seja, vai acabar por ser incorporado no establishment e tudo vai ficar como dantes, quartel-general em Mountain View, California(4).

Mas entretanto, continuamos em plena euforia, com meio planeta em bicos de pés a tentar sobressair num ambiente saturado de informação.

O número de aplicações de social bookmarking(5) e social-mais-não-sei-o-quê é enjoativamente grande e o mais interessante é que a maior parte deles não serve para nada realmente útil. Ou então eu sou muito burro, o que é bem provável.

Agora apareceu o Twingly, aplicação que permite a um site localizar referências feitas por bloggers a um determinado artigo. Em termos práticos, a malta regista o blogue no Twingly, e se linkarmos um artigo do "Público", o nosso blogue aparece referido mesma página do site do jornal.

Agora vem a parte em que eu sou malvado e cínico.

Dentro do espírito do "look at me! look at me!" a malta que queira aparecer e gerar mais tráfego no seu blogue só tem é de começar a linkar bué páginas do "Público" e de outros media que utilizem este programa.

(1) em português: "olhem para mim! olhem para mim". citação retirada do texto "Language Is A Virus" de uma senhora chamada Laurie Anderson, também conhecida como a patroa do Lou Reed.

(2) iniciais de "do it yourself", em português "faça você mesmo".

(3) em português: "e com este olhinho eu vejo" parte de uma lengalenga infantil anglo-saxónica.

(4) sede do Google.

(5) programas de social bookmarking são todos aqueles que permitem partilha de informação entre os utilizadores. alguns exemplos: Stumble Upon, del.icio.ous, facebook, twitter, etc.


foto: destaque do dia, as diversas colorações do pimento.

A Turba (Futebolices III)

Deve ser mesmo porque tenho tempo livre. Só assim é que percebo o facto de escrever tanto sobre - belhéque - futebol.

Mas cá vai.

As pessoas raramente pensam sobre o futebol que têm.

A regra é esgotar o tema em conversas com argumentos cada vez mais parvos acerca da qualidade de cada clube ou o asco que lhes causa o emblema dos adversários.

Quando as coisas correm menos bem, dado
o baixo nível de resistência do adepto médio à frustração, o alvo passa a ser o próprio clube que apoiam.

Há quem diga que o futebol é mesmo isto e que pensar lhe retira o sabor e a emoção. Pois. Tá bem. Tomem lá um puzzle para se entreterem, a enfermeira já passa por aqui com as gotas. As melhoras da lobotomia.

O futebol nacional é como uma enorme poia. As moscas que atrai são os dirigentes que ao longo do tempo fecharam clubes, ou os transformaram em feudos privados para negociatas escuras, ou os investidores que aparecem do nada com milhões milagrosos para pouco tempo depois serem procurados pela polícia.

À volta da poia e das moscas, está aquilo a que se chama de "massa associativa" e que normalmente é representada na televisão por quatro tipo de pessoas:

1. Os senhores reformados, com problemas de rosácea causada por anos de pinga, que falam muito alto sem que se perceba nada do que dizem e que já nasceram com um jornal enrolado num dos sovacos.

2. Pequenos meliantes pertencentes a claques organizadas, sempre prontos prá porrada, que falam inclinando a cabeça para o microfone como se lhe fossem dar uma cabeçada.

3. Senhoras gorduchas com falta de um dente da frente, vozes muito agudas e ar ultrajado, prontas a gritar palavras de ordem ao ritmo de palminhas.

4. Tipos que faltaram ao emprego e que acham que falam português pelo simples facto de usarem expressões como "derivado que", "conjuntura" ou "portantos".

Como é que clubes cotados na bolsa têm gestores escolhidos por estas "massas associativas" é uma coisa que me escapa.

A democracia é linda, ninguém duvida disso, mas é para aplicar com parcimónia, nos lugares devidos.

Nas empresas - e os clubes de futebol são precisamente isso, empresas - a escolha de quadros não pode ser deixada ao acaso de manobras populistas, de apelos a sentimentos que por muito reais que sejam não valem nada no mundo cão do desporto profissional do presente.

Aos associados - estuto diferente do de accionistas - deve estar reservado o papel de cliente de empresa, alguém que paga por um serviço e que exige deste a qualidade e atenção que é devida a qualquer cliente. E se não gostar, pode protestar deixando de consumir o produto, neste caso, deixando de ir ao estádio, nao comprando o merchandise do clube. Mas, em caso algum poderá ou deverá interferir de outro modo na escolha dos seus gestores.

Não ver isto, é continuar a pensar o futebol como há 30 anos. A viver de recordações que têm valor mas que por si só não criam riqueza.

domingo, 20 de abril de 2008

Basquetebolices II

Desenvolvimentos sobre este assunto:

A falta de nível das pessoas que estão à frente das federações é de rir a bandeiras despregadas.

Mário Saldanha, presidente da FPB não contém a felicidade pelo insucesso da liga profissional de basquebol.

Primeiro diz aos jornais que vai a uma reunião com a liga moribunda para "ouvir desgraças e apanhar os cacos". Ontem volta a demonstrar o seu contentamento por lhe permitirem aparecer como salvador da pátria e já apresentou uma data de ideias:

a) Parece que o Sporting e a Oliveirense querem regressar. Foram rápidos! Para quem criticou processos feitos em cima do joelho, parece-me que de repente aceitar que dois clubes compitam na principal prova nacional com projectos vindos do nada é um bocado incongruente.

b) Ainda ninguém aprovou nada mas o presidente já diz que vai propor que se chame "Liga Portuguesa de Basquetebol".

c) Parece-me bem que queira limitar o número de jogadores estrangeiros. Espero que o consiga. De qualquer modo, prometer acabar com a "Babilónia" actual era desnecessário.

d) Segundo diz o presidente da federação, a nova liga irá ter entre 14 a 16 clubes sendo 8 da prova profissional que agora termina e oito vindos da Proliga. Deixa ainda as tais duas vagas em aberto para Oliveirense e Sporting.

Só ele sabe porquê. Então e os outros participantes na Proliga que já têm estruturas prontas?

Não faria mais sentido que Sporting e Oliveirense pudessem entrar apenas na época seguinte, provando com resultados na Proliga o seu empenho em construir equipas competitivas?

e) O egocentrismo só piora a cada notícia que se lê. No "Jogo" diz que:

"não será um passo atrás, mas sim dois à frente". "Eles estão tão atrás que só há um caminho, andar para a frente", referiu. "Para quê precisávamos [sic] de organizar este campeonato? A federação está com muito trabalho e já estava a organizar um campeonato da Proliga. Por que é que me vou matar a organizar agora outra prova?"

Quem o ouvir falar pensa que a federação é ele e que ele sozinho organiza tudo quanto é competição nacional. Uau! Estou impressionado. Obrigado ó Saldanha por te dignares organizar uma prova melhor!

f) E finalmente a pérola. Diz Mário Saldanha que está em negociações para trazer a Portugal um jogo da NBA. A justificação é linda: eles já vão muitas vezes a Espanha.

Vamos ser honestos. Eu gostava muito de ir ao Pavilhão Atlântico assistir a um jogo com equipas da NBA mas as probabilidades de que isso aconteça são quase nulas. A NBA tem interesse em mercados maiores, de preferência países que tenham jogadores a actuar num dos seus clubes. Ah e o Pavilhão Atlântico é giro, mas essa Europa toda está a fervilhar de arenas mais modernas e com maior capacidade.

O discurso do coitadinho que tantas vezes se ouve é irritante mas a alegre incontinência verbal de alguém a quem a vida corre sobre rodas ainda é pior.

sábado, 19 de abril de 2008

Basquetebolices

Finalmente a Liga de Clubes de Basquetebol atirou a toalha ao chão. Para o ano já não há Liga e tudo se encaminha para que os 8 clubes que restavam se juntem à Proliga, o campeonato organizado pela federação que, em teoria, devia ser o segundo escalão do basquetebol nacional.

Em teoria, porque o facto de o Vitória de Guimarães ter vencido a Taça de Portugal este ano, veio confirmar que a diferença entre as duas provas já não existia.

Ao longo dos últimos anos os clubes têm vindo a perder competitividade. Se nos anos 80 e 90 os clubes portugueses ainda conseguiam algumas vitórias em jogos contra clubes europeus, as derrotas em série da Ovarense na fase de grupos da última Taça ULEB, a segunda mais importante, limparam qualquer dúvida.

O cenário neste momento reduzia-se a clubes sem capacidade financeira e uma liga que não gerava receitas; estrangeiros de qualidade cada vez menor e debandada dos melhores jogadores nacionais para Espanha, onde integram clubes da primeira, segunda e terceira liga.

Vamos ver se com a Proliga, em novos moldes, a situação volta a entrar nos eixos. Vai ser engraçado voltar a ver jogos entre o Atlético e o CAB Madeira ou o Illiabum e o FC Porto.