quinta-feira, 3 de abril de 2008

Al-drabice?

Confesso, sou um bocado lento e só agora é que vi a tal reportagem da Al-Jazeera sobre o José Sá Fernandes.

É inegável que Portugal é um dos países mais pobres da Europa. Mas não é nem pouco mais ou menos a Moldávia ou a Albânia. É inegável que Lisboa tem muitos prédios a cair de podre. Mas não está toda a cair de podre.

A reportagem é má, superficial, feita com os pés, com um tom terceiro mundista que a nossa democracia, imperfeita e chata que seja, já ultrapassou.

Por muito bom e bem intencionado que o vereador Sá Fernandes seja, a reportagem tem um tom incensório irritante e torna-o num personagem antipático. Aquilo parece um tempo de antena do Bloco de Esquerda e, independentemente dos méritos que esta força política tenha, o facto é que acaba por ficar mal na fotografia.

Sei que sou cínico e desconfiado em relação à informação que nos é dada e admito que por vezes posso exagerar mas estas pequenas coisas não contribuem nada para melhorar as minhas más impressões.

E por fim, alguns factos e perguntas:

a) As vozes off eram de portugueses. Há portugueses a trabalhar na Al-Jazeera ou a pós-produção foi feita cá? Em qualquer dos casos o inglês deles era muito mauzinho.

b) Se houve malta nativa envolvida na produção e edição da peça o caso piora ainda mais. A um bife ainda se perdoa a ignorância. A um português acusa-se de estar a cumprir uma encomenda.

Comam fruta e legumes.

Al-drabice?

Confesso, sou um bocado lento e só agora é que vi a tal reportagem da Al-Jazeera sobre o José Sá Fernandes.

É inegável que Portugal é um dos países mais pobres da Europa. Mas não é nem pouco mais ou menos a Moldávia ou a Albânia. É inegável que Lisboa tem muitos prédios a cair de podre. Mas não está toda a cair de podre.

A reportagem é má, superficial, feita com os pés, com um tom terceiro mundista que a nossa democracia, imperfeita e chata que seja, já ultrapassou.

Por muito bom e bem intencionado que o vereador Sá Fernandes seja, a reportagem tem um tom incensório irritante e torna-o num personagem antipático. Aquilo parece um tempo de antena do Bloco de Esquerda e, independentemente dos méritos que esta força política tenha, o facto é que acaba por ficar mal na fotografia.

Sei que sou cínico e desconfiado em relação à informação que nos é dada e admito que por vezes posso exagerar mas estas pequenas coisas não contribuem nada para melhorar as minhas más impressões.

E por fim, alguns factos e perguntas:

a) As vozes off eram de portugueses. Há portugueses a trabalhar na Al-Jazeera ou a pós-produção foi feita cá? Em qualquer dos casos o inglês deles era muito mauzinho.

b) Se houve malta nativa envolvida na produção e edição da peça o caso piora ainda mais. A um bife ainda se perdoa a ignorância. A um português acusa-se de estar a cumprir uma encomenda.

Comam fruta e legumes.

Al-drabice?

Confesso, sou um bocado lento e só agora é que vi a tal reportagem da Al-Jazeera sobre o José Sá Fernandes.

É inegável que Portugal é um dos países mais pobres da Europa. Mas não é nem pouco mais ou menos a Moldávia ou a Albânia. É inegável que Lisboa tem muitos prédios a cair de podre. Mas não está toda a cair de podre.

A reportagem é má, superficial, feita com os pés, com um tom terceiro mundista que a nossa democracia, imperfeita e chata que seja, já ultrapassou.

Por muito bom e bem intencionado que o vereador Sá Fernandes seja, a reportagem tem um tom incensório irritante e torna-o num personagem antipático. Aquilo parece um tempo de antena do Bloco de Esquerda e, independentemente dos méritos que esta força política tenha, o facto é que acaba por ficar mal na fotografia.

Sei que sou cínico e desconfiado em relação à informação que nos é dada e admito que por vezes posso exagerar mas estas pequenas coisas não contribuem nada para melhorar as minhas más impressões.

E por fim, alguns factos e perguntas:

a) As vozes off eram de portugueses. Há portugueses a trabalhar na Al-Jazeera ou a pós-produção foi feita cá? Em qualquer dos casos o inglês deles era muito mauzinho.

b) Se houve malta nativa envolvida na produção e edição da peça o caso piora ainda mais. A um bife ainda se perdoa a ignorância. A um português acusa-se de estar a cumprir uma encomenda.

Comam fruta e legumes.

Al-drabice?

Confesso, sou um bocado lento e só agora é que vi a tal reportagem da Al-Jazeera sobre o José Sá Fernandes.

É inegável que Portugal é um dos países mais pobres da Europa. Mas não é nem pouco mais ou menos a Moldávia ou a Albânia. É inegável que Lisboa tem muitos prédios a cair de podre. Mas não está toda a cair de podre.

A reportagem é má, superficial, feita com os pés, com um tom terceiro mundista que a nossa democracia, imperfeita e chata que seja, já ultrapassou.

Por muito bom e bem intencionado que o vereador Sá Fernandes seja, a reportagem tem um tom incensório irritante e torna-o num personagem antipático. Aquilo parece um tempo de antena do Bloco de Esquerda e, independentemente dos méritos que esta força política tenha, o facto é que acaba por ficar mal na fotografia.

Sei que sou cínico e desconfiado em relação à informação que nos é dada e admito que por vezes posso exagerar mas estas pequenas coisas não contribuem nada para melhorar as minhas más impressões.

E por fim, alguns factos e perguntas:

a) As vozes off eram de portugueses. Há portugueses a trabalhar na Al-Jazeera ou a pós-produção foi feita cá? Em qualquer dos casos o inglês deles era muito mauzinho.

b) Se houve malta nativa envolvida na produção e edição da peça o caso piora ainda mais. A um bife ainda se perdoa a ignorância. A um português acusa-se de estar a cumprir uma encomenda.

Comam fruta e legumes.

Al-drabice?

Confesso, sou um bocado lento e só agora é que vi a tal reportagem da Al-Jazeera sobre o José Sá Fernandes.

É inegável que Portugal é um dos países mais pobres da Europa. Mas não é nem pouco mais ou menos a Moldávia ou a Albânia. É inegável que Lisboa tem muitos prédios a cair de podre. Mas não está toda a cair de podre.

A reportagem é má, superficial, feita com os pés, com um tom terceiro mundista que a nossa democracia, imperfeita e chata que seja, já ultrapassou.

Por muito bom e bem intencionado que o vereador Sá Fernandes seja, a reportagem tem um tom incensório irritante e torna-o num personagem antipático. Aquilo parece um tempo de antena do Bloco de Esquerda e, independentemente dos méritos que esta força política tenha, o facto é que acaba por ficar mal na fotografia.

Sei que sou cínico e desconfiado em relação à informação que nos é dada e admito que por vezes posso exagerar mas estas pequenas coisas não contribuem nada para melhorar as minhas más impressões.

E por fim, alguns factos e perguntas:

a) As vozes off eram de portugueses. Há portugueses a trabalhar na Al-Jazeera ou a pós-produção foi feita cá? Em qualquer dos casos o inglês deles era muito mauzinho.

b) Se houve malta nativa envolvida na produção e edição da peça o caso piora ainda mais. A um bife ainda se perdoa a ignorância. A um português acusa-se de estar a cumprir uma encomenda.

Comam fruta e legumes.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Passeios pedestres (ou como ficar com os bofes de fora)

A história já tem um par de semanas mas não resisto a contá-la aqui. O texto é todo criação aqui da casa, as partes em itálico são adendas referentes ao desenrolar da batalha.




A minha amiga Lena convidou-me para um passeio pedestre comemorativo dos 200 anos da batalha da Roliça (ver post anterior).

O vício da História e as recordações de algumas férias na minha infância, passadas nessa aldeia do concelho do Bombarral, levaram-me logo a dizer que sim, que ia e tal, mas sempre com uma pequena dúvida em mente. Como raio é que eu, um sedentário, amante da contemplação mística, ia meter-me numa actividade ao ar livre que, ainda por cima, terminava com um prémio de montanha de primeira categoria no alto da serra do Picoto?

Decidi mandar estas considerações às urtigas e lançar-me de cabeça.

Quando lá cheguei, confesso que a minha confiança regressou. Aquilo estava cheio de velhinhos e famílias com crianças, o percurso certamente não ia ser assim tão difícil.

Acabou por revelar-se um grupo giro, uma mistura de gente residente no concelho e sócios de um grupo de actividades ao ar livre, malta com um ar muito pro, equipado à maneira, que até levava umas varas metálicas todas xpto para ajudar a subir aos sítios. Um exagero, pensei eu, o néscio armado em bom.

De início tudo bem e a fase de arranque do passeio, até à primeira posição francesa, foi feita em velocidade de cruzeiro, em terreno plano. Isto vai ser canja, pensava eu...

Como atracção adicional, havia a presença de um senhor cheio de piada chamado François, um gaulês capaz de nos dar uma rara perspectiva dos acontecimentos do lado dos invasores.

Os Franceses invadiram Portugal em Novembro de 1807, forçando a corte a mudar-se para o Brasil. De modo a impedir o fecho do bloqueio continental e aproveitando as revoltas populares na Peninsula, a Inglaterra desembarca a 1 de Agosto de 1808, na praia de Lavos, junto à foz do Mondego, um exército comandado pelo General Arthur Wellesley (mais tarde Duque de Wellington). Reunidas em Leiria com uma pequena e mal equipada força Portuguesa, avançam sem oposição, perseguindo a divisão do General Delaborde, até perto da Roliça.

O passeio acompanhou o caminho das tropas de Laborde que, perante o avanço anglo-português, achou por bem retirar do pequeno planalto inicial para posições mais altas e mais fáceis de defender.

Atravessámos novamente a Roliça e depois a Columbeira. Nada de muito problemático.

O drama começou quando chegámos ao sopé da serra do Picoto. Ai Jesus, Maria, José, pensei eu. Isto parece alto como o caraças. Será que vamos mesmo subir por aqui, pelo meio do mato?

Pois.

Foi aqui que a minha confiança começou a desaparecer ao ritmo de cada passo. Foi aqui também que os velhinhos e as criancinhas frágeis me começaram a dar uma abada. Eles não andavam depressa mas tinham aquele ritmo certo e firme de quem está habituado a mexer o rabo ao invés de ficar sentado a ver o Dr. House.

A Lena fez como os sprinters na Volta à França quando começa a subida aos Alpes D'Huez: Encostou ao lado e disse: "vão andando meus queridos que eu a partir de agora meto o meu ritmo e chego quando tiver de chegar". Eu, continuei armado em parvo e meti na cabeça que não havia de ficar atrás dos velhinhos e das criancinhas. Lá me fiz à serra com o pensamento de que algum daqueles senhores e senhoras devia saber primeiros socorros...

Salvou-me o gesto caridoso do pessoal da organização que, a meio da subida, decidiu recriar o alto das tropas inglesas antes do ataque suicida do batalhão do Tenente-Coronel Lake.

Aquela santa gente não só me deu oportunidade de fazer um reset ao sistema cardio-respiratório como ainda presenteou a malta com garrafinhas de água, croissantezinhos com fiambre e queijo e muita fruta (incluindo as fantásticas pêras-rocha da zona). Quase chorei de emoção. Estou bem capaz de me recensear na zona só para poder votar no elenco da Junta de Freguesia da Roliça!

Ali, o nosso amigo François explicou que os soldados Ingleses largaram a sua pesada carga regulamentar e prepararam o assalto às defesas Francesas. E é nesta altura que entra em cena a figura do Tenente-Coronel Lake.

Comandante do 29th Foot, veterano das guerras na Índia, George Lake era, segundo dizem, um adepto das cargas frontais em cold steel. A baioneta usada à época pelos Britânicos, dava-lhes uma superioridade teórica, reforçada pelo intenso treino a que era sujeito aquele exército profissional. No entanto, naquele dia de Agosto de 1808, pedia-se prudência e calma, duas características ausentes da personalidade do oficial em comando do 29.

Ao invés de aguardar pela chegada das tropas nos seus flancos, decidiu atacar sozinho. Vestido com uniforme de gala (verdade ou lenda?) e montado no cavalo de um dos seus oficiais (insistiu neste aspecto mesmo depois de o primeiro animal ter sido abatido), acabou por ser atingido e a sua unidade sofreu pesadas baixas debaixo do fogo cruzado francês.

O Tenente-Coronel Lake foi enterrado ali perto e o seu túmulo, restaurado em 1903 por um grupo de oficiais do regimento, é hoje a marca mais evidente da batalha.

Após a visita ao túmulo, proseguiu a subida da serra, repetindo os passos dos ingleses que atacaram pelas linhas de água.

Recuperando a história da batalha:

Os franceses não perseguiram as tropas em fuga do 29 e a linha foi reposta com a chegada do 9th Foot. Atacados insistentemente por quatro lados e em risco de cerco pelo destacamento do Coronel Trant, o General Delaborde dá ordem de retirada. Ordeiramente, por fases e com o apoio da cavalaria, os franceses deixam o campo de batalha, cientes de terem cumprido o seu objectivo de retardar o avanço do exército Wellesley, permitindo a Junot reunir as suas tropas.


O embate decisivo teve lugar quatro dias depois, no Vimeiro.

Quem também mal sobreviveu ao dia fui eu e a Lena. Mas a paisagem do cimo da Serra do Picoto compensou o esforço. Apesar do vento. E do facto de eu não sentir os pés. E do tempo que demorei a recuperar o fôlego.

Apesar disso gostei. Já disse à Lena que se souber de outros passeios que conte comigo.

Ah e para que saibam, ambos tínhamos mesmo onde estar e só por isso é que pedimos boleia a uns senhores amigos da Lena que pertenciam à organização e descemos a serra de jipe.

Passeios pedestres (ou como ficar com os bofes de fora)

A história já tem um par de semanas mas não resisto a contá-la aqui. O texto é todo criação aqui da casa, as partes em itálico são adendas referentes ao desenrolar da batalha.




A minha amiga Lena convidou-me para um passeio pedestre comemorativo dos 200 anos da batalha da Roliça (ver post anterior).

O vício da História e as recordações de algumas férias na minha infância, passadas nessa aldeia do concelho do Bombarral, levaram-me logo a dizer que sim, que ia e tal, mas sempre com uma pequena dúvida em mente. Como raio é que eu, um sedentário, amante da contemplação mística, ia meter-me numa actividade ao ar livre que, ainda por cima, terminava com um prémio de montanha de primeira categoria no alto da serra do Picoto?

Decidi mandar estas considerações às urtigas e lançar-me de cabeça.

Quando lá cheguei, confesso que a minha confiança regressou. Aquilo estava cheio de velhinhos e famílias com crianças, o percurso certamente não ia ser assim tão difícil.

Acabou por revelar-se um grupo giro, uma mistura de gente residente no concelho e sócios de um grupo de actividades ao ar livre, malta com um ar muito pro, equipado à maneira, que até levava umas varas metálicas todas xpto para ajudar a subir aos sítios. Um exagero, pensei eu, o néscio armado em bom.

De início tudo bem e a fase de arranque do passeio, até à primeira posição francesa, foi feita em velocidade de cruzeiro, em terreno plano. Isto vai ser canja, pensava eu...

Como atracção adicional, havia a presença de um senhor cheio de piada chamado François, um gaulês capaz de nos dar uma rara perspectiva dos acontecimentos do lado dos invasores.

Os Franceses invadiram Portugal em Novembro de 1807, forçando a corte a mudar-se para o Brasil. De modo a impedir o fecho do bloqueio continental e aproveitando as revoltas populares na Peninsula, a Inglaterra desembarca a 1 de Agosto de 1808, na praia de Lavos, junto à foz do Mondego, um exército comandado pelo General Arthur Wellesley (mais tarde Duque de Wellington). Reunidas em Leiria com uma pequena e mal equipada força Portuguesa, avançam sem oposição, perseguindo a divisão do General Delaborde, até perto da Roliça.

O passeio acompanhou o caminho das tropas de Laborde que, perante o avanço anglo-português, achou por bem retirar do pequeno planalto inicial para posições mais altas e mais fáceis de defender.

Atravessámos novamente a Roliça e depois a Columbeira. Nada de muito problemático.

O drama começou quando chegámos ao sopé da serra do Picoto. Ai Jesus, Maria, José, pensei eu. Isto parece alto como o caraças. Será que vamos mesmo subir por aqui, pelo meio do mato?

Pois.

Foi aqui que a minha confiança começou a desaparecer ao ritmo de cada passo. Foi aqui também que os velhinhos e as criancinhas frágeis me começaram a dar uma abada. Eles não andavam depressa mas tinham aquele ritmo certo e firme de quem está habituado a mexer o rabo ao invés de ficar sentado a ver o Dr. House.

A Lena fez como os sprinters na Volta à França quando começa a subida aos Alpes D'Huez: Encostou ao lado e disse: "vão andando meus queridos que eu a partir de agora meto o meu ritmo e chego quando tiver de chegar". Eu, continuei armado em parvo e meti na cabeça que não havia de ficar atrás dos velhinhos e das criancinhas. Lá me fiz à serra com o pensamento de que algum daqueles senhores e senhoras devia saber primeiros socorros...

Salvou-me o gesto caridoso do pessoal da organização que, a meio da subida, decidiu recriar o alto das tropas inglesas antes do ataque suicida do batalhão do Tenente-Coronel Lake.

Aquela santa gente não só me deu oportunidade de fazer um reset ao sistema cardio-respiratório como ainda presenteou a malta com garrafinhas de água, croissantezinhos com fiambre e queijo e muita fruta (incluindo as fantásticas pêras-rocha da zona). Quase chorei de emoção. Estou bem capaz de me recensear na zona só para poder votar no elenco da Junta de Freguesia da Roliça!

Ali, o nosso amigo François explicou que os soldados Ingleses largaram a sua pesada carga regulamentar e prepararam o assalto às defesas Francesas. E é nesta altura que entra em cena a figura do Tenente-Coronel Lake.

Comandante do 29th Foot, veterano das guerras na Índia, George Lake era, segundo dizem, um adepto das cargas frontais em cold steel. A baioneta usada à época pelos Britânicos, dava-lhes uma superioridade teórica, reforçada pelo intenso treino a que era sujeito aquele exército profissional. No entanto, naquele dia de Agosto de 1808, pedia-se prudência e calma, duas características ausentes da personalidade do oficial em comando do 29.

Ao invés de aguardar pela chegada das tropas nos seus flancos, decidiu atacar sozinho. Vestido com uniforme de gala (verdade ou lenda?) e montado no cavalo de um dos seus oficiais (insistiu neste aspecto mesmo depois de o primeiro animal ter sido abatido), acabou por ser atingido e a sua unidade sofreu pesadas baixas debaixo do fogo cruzado francês.

O Tenente-Coronel Lake foi enterrado ali perto e o seu túmulo, restaurado em 1903 por um grupo de oficiais do regimento, é hoje a marca mais evidente da batalha.

Após a visita ao túmulo, proseguiu a subida da serra, repetindo os passos dos ingleses que atacaram pelas linhas de água.

Recuperando a história da batalha:

Os franceses não perseguiram as tropas em fuga do 29 e a linha foi reposta com a chegada do 9th Foot. Atacados insistentemente por quatro lados e em risco de cerco pelo destacamento do Coronel Trant, o General Delaborde dá ordem de retirada. Ordeiramente, por fases e com o apoio da cavalaria, os franceses deixam o campo de batalha, cientes de terem cumprido o seu objectivo de retardar o avanço do exército Wellesley, permitindo a Junot reunir as suas tropas.


O embate decisivo teve lugar quatro dias depois, no Vimeiro.

Quem também mal sobreviveu ao dia fui eu e a Lena. Mas a paisagem do cimo da Serra do Picoto compensou o esforço. Apesar do vento. E do facto de eu não sentir os pés. E do tempo que demorei a recuperar o fôlego.

Apesar disso gostei. Já disse à Lena que se souber de outros passeios que conte comigo.

Ah e para que saibam, ambos tínhamos mesmo onde estar e só por isso é que pedimos boleia a uns senhores amigos da Lena que pertenciam à organização e descemos a serra de jipe.

Passeios pedestres (ou como ficar com os bofes de fora)

A história já tem um par de semanas mas não resisto a contá-la aqui. O texto é todo criação aqui da casa, as partes em itálico são adendas referentes ao desenrolar da batalha.




A minha amiga Lena convidou-me para um passeio pedestre comemorativo dos 200 anos da batalha da Roliça (ver post anterior).

O vício da História e as recordações de algumas férias na minha infância, passadas nessa aldeia do concelho do Bombarral, levaram-me logo a dizer que sim, que ia e tal, mas sempre com uma pequena dúvida em mente. Como raio é que eu, um sedentário, amante da contemplação mística, ia meter-me numa actividade ao ar livre que, ainda por cima, terminava com um prémio de montanha de primeira categoria no alto da serra do Picoto?

Decidi mandar estas considerações às urtigas e lançar-me de cabeça.

Quando lá cheguei, confesso que a minha confiança regressou. Aquilo estava cheio de velhinhos e famílias com crianças, o percurso certamente não ia ser assim tão difícil.

Acabou por revelar-se um grupo giro, uma mistura de gente residente no concelho e sócios de um grupo de actividades ao ar livre, malta com um ar muito pro, equipado à maneira, que até levava umas varas metálicas todas xpto para ajudar a subir aos sítios. Um exagero, pensei eu, o néscio armado em bom.

De início tudo bem e a fase de arranque do passeio, até à primeira posição francesa, foi feita em velocidade de cruzeiro, em terreno plano. Isto vai ser canja, pensava eu...

Como atracção adicional, havia a presença de um senhor cheio de piada chamado François, um gaulês capaz de nos dar uma rara perspectiva dos acontecimentos do lado dos invasores.

Os Franceses invadiram Portugal em Novembro de 1807, forçando a corte a mudar-se para o Brasil. De modo a impedir o fecho do bloqueio continental e aproveitando as revoltas populares na Peninsula, a Inglaterra desembarca a 1 de Agosto de 1808, na praia de Lavos, junto à foz do Mondego, um exército comandado pelo General Arthur Wellesley (mais tarde Duque de Wellington). Reunidas em Leiria com uma pequena e mal equipada força Portuguesa, avançam sem oposição, perseguindo a divisão do General Delaborde, até perto da Roliça.

O passeio acompanhou o caminho das tropas de Laborde que, perante o avanço anglo-português, achou por bem retirar do pequeno planalto inicial para posições mais altas e mais fáceis de defender.

Atravessámos novamente a Roliça e depois a Columbeira. Nada de muito problemático.

O drama começou quando chegámos ao sopé da serra do Picoto. Ai Jesus, Maria, José, pensei eu. Isto parece alto como o caraças. Será que vamos mesmo subir por aqui, pelo meio do mato?

Pois.

Foi aqui que a minha confiança começou a desaparecer ao ritmo de cada passo. Foi aqui também que os velhinhos e as criancinhas frágeis me começaram a dar uma abada. Eles não andavam depressa mas tinham aquele ritmo certo e firme de quem está habituado a mexer o rabo ao invés de ficar sentado a ver o Dr. House.

A Lena fez como os sprinters na Volta à França quando começa a subida aos Alpes D'Huez: Encostou ao lado e disse: "vão andando meus queridos que eu a partir de agora meto o meu ritmo e chego quando tiver de chegar". Eu, continuei armado em parvo e meti na cabeça que não havia de ficar atrás dos velhinhos e das criancinhas. Lá me fiz à serra com o pensamento de que algum daqueles senhores e senhoras devia saber primeiros socorros...

Salvou-me o gesto caridoso do pessoal da organização que, a meio da subida, decidiu recriar o alto das tropas inglesas antes do ataque suicida do batalhão do Tenente-Coronel Lake.

Aquela santa gente não só me deu oportunidade de fazer um reset ao sistema cardio-respiratório como ainda presenteou a malta com garrafinhas de água, croissantezinhos com fiambre e queijo e muita fruta (incluindo as fantásticas pêras-rocha da zona). Quase chorei de emoção. Estou bem capaz de me recensear na zona só para poder votar no elenco da Junta de Freguesia da Roliça!

Ali, o nosso amigo François explicou que os soldados Ingleses largaram a sua pesada carga regulamentar e prepararam o assalto às defesas Francesas. E é nesta altura que entra em cena a figura do Tenente-Coronel Lake.

Comandante do 29th Foot, veterano das guerras na Índia, George Lake era, segundo dizem, um adepto das cargas frontais em cold steel. A baioneta usada à época pelos Britânicos, dava-lhes uma superioridade teórica, reforçada pelo intenso treino a que era sujeito aquele exército profissional. No entanto, naquele dia de Agosto de 1808, pedia-se prudência e calma, duas características ausentes da personalidade do oficial em comando do 29.

Ao invés de aguardar pela chegada das tropas nos seus flancos, decidiu atacar sozinho. Vestido com uniforme de gala (verdade ou lenda?) e montado no cavalo de um dos seus oficiais (insistiu neste aspecto mesmo depois de o primeiro animal ter sido abatido), acabou por ser atingido e a sua unidade sofreu pesadas baixas debaixo do fogo cruzado francês.

O Tenente-Coronel Lake foi enterrado ali perto e o seu túmulo, restaurado em 1903 por um grupo de oficiais do regimento, é hoje a marca mais evidente da batalha.

Após a visita ao túmulo, proseguiu a subida da serra, repetindo os passos dos ingleses que atacaram pelas linhas de água.

Recuperando a história da batalha:

Os franceses não perseguiram as tropas em fuga do 29 e a linha foi reposta com a chegada do 9th Foot. Atacados insistentemente por quatro lados e em risco de cerco pelo destacamento do Coronel Trant, o General Delaborde dá ordem de retirada. Ordeiramente, por fases e com o apoio da cavalaria, os franceses deixam o campo de batalha, cientes de terem cumprido o seu objectivo de retardar o avanço do exército Wellesley, permitindo a Junot reunir as suas tropas.


O embate decisivo teve lugar quatro dias depois, no Vimeiro.

Quem também mal sobreviveu ao dia fui eu e a Lena. Mas a paisagem do cimo da Serra do Picoto compensou o esforço. Apesar do vento. E do facto de eu não sentir os pés. E do tempo que demorei a recuperar o fôlego.

Apesar disso gostei. Já disse à Lena que se souber de outros passeios que conte comigo.

Ah e para que saibam, ambos tínhamos mesmo onde estar e só por isso é que pedimos boleia a uns senhores amigos da Lena que pertenciam à organização e descemos a serra de jipe.

Passeios pedestres (ou como ficar com os bofes de fora)

A história já tem um par de semanas mas não resisto a contá-la aqui. O texto é todo criação aqui da casa, as partes em itálico são adendas referentes ao desenrolar da batalha.




A minha amiga Lena convidou-me para um passeio pedestre comemorativo dos 200 anos da batalha da Roliça (ver post anterior).

O vício da História e as recordações de algumas férias na minha infância, passadas nessa aldeia do concelho do Bombarral, levaram-me logo a dizer que sim, que ia e tal, mas sempre com uma pequena dúvida em mente. Como raio é que eu, um sedentário, amante da contemplação mística, ia meter-me numa actividade ao ar livre que, ainda por cima, terminava com um prémio de montanha de primeira categoria no alto da serra do Picoto?

Decidi mandar estas considerações às urtigas e lançar-me de cabeça.

Quando lá cheguei, confesso que a minha confiança regressou. Aquilo estava cheio de velhinhos e famílias com crianças, o percurso certamente não ia ser assim tão difícil.

Acabou por revelar-se um grupo giro, uma mistura de gente residente no concelho e sócios de um grupo de actividades ao ar livre, malta com um ar muito pro, equipado à maneira, que até levava umas varas metálicas todas xpto para ajudar a subir aos sítios. Um exagero, pensei eu, o néscio armado em bom.

De início tudo bem e a fase de arranque do passeio, até à primeira posição francesa, foi feita em velocidade de cruzeiro, em terreno plano. Isto vai ser canja, pensava eu...

Como atracção adicional, havia a presença de um senhor cheio de piada chamado François, um gaulês capaz de nos dar uma rara perspectiva dos acontecimentos do lado dos invasores.

Os Franceses invadiram Portugal em Novembro de 1807, forçando a corte a mudar-se para o Brasil. De modo a impedir o fecho do bloqueio continental e aproveitando as revoltas populares na Peninsula, a Inglaterra desembarca a 1 de Agosto de 1808, na praia de Lavos, junto à foz do Mondego, um exército comandado pelo General Arthur Wellesley (mais tarde Duque de Wellington). Reunidas em Leiria com uma pequena e mal equipada força Portuguesa, avançam sem oposição, perseguindo a divisão do General Delaborde, até perto da Roliça.

O passeio acompanhou o caminho das tropas de Laborde que, perante o avanço anglo-português, achou por bem retirar do pequeno planalto inicial para posições mais altas e mais fáceis de defender.

Atravessámos novamente a Roliça e depois a Columbeira. Nada de muito problemático.

O drama começou quando chegámos ao sopé da serra do Picoto. Ai Jesus, Maria, José, pensei eu. Isto parece alto como o caraças. Será que vamos mesmo subir por aqui, pelo meio do mato?

Pois.

Foi aqui que a minha confiança começou a desaparecer ao ritmo de cada passo. Foi aqui também que os velhinhos e as criancinhas frágeis me começaram a dar uma abada. Eles não andavam depressa mas tinham aquele ritmo certo e firme de quem está habituado a mexer o rabo ao invés de ficar sentado a ver o Dr. House.

A Lena fez como os sprinters na Volta à França quando começa a subida aos Alpes D'Huez: Encostou ao lado e disse: "vão andando meus queridos que eu a partir de agora meto o meu ritmo e chego quando tiver de chegar". Eu, continuei armado em parvo e meti na cabeça que não havia de ficar atrás dos velhinhos e das criancinhas. Lá me fiz à serra com o pensamento de que algum daqueles senhores e senhoras devia saber primeiros socorros...

Salvou-me o gesto caridoso do pessoal da organização que, a meio da subida, decidiu recriar o alto das tropas inglesas antes do ataque suicida do batalhão do Tenente-Coronel Lake.

Aquela santa gente não só me deu oportunidade de fazer um reset ao sistema cardio-respiratório como ainda presenteou a malta com garrafinhas de água, croissantezinhos com fiambre e queijo e muita fruta (incluindo as fantásticas pêras-rocha da zona). Quase chorei de emoção. Estou bem capaz de me recensear na zona só para poder votar no elenco da Junta de Freguesia da Roliça!

Ali, o nosso amigo François explicou que os soldados Ingleses largaram a sua pesada carga regulamentar e prepararam o assalto às defesas Francesas. E é nesta altura que entra em cena a figura do Tenente-Coronel Lake.

Comandante do 29th Foot, veterano das guerras na Índia, George Lake era, segundo dizem, um adepto das cargas frontais em cold steel. A baioneta usada à época pelos Britânicos, dava-lhes uma superioridade teórica, reforçada pelo intenso treino a que era sujeito aquele exército profissional. No entanto, naquele dia de Agosto de 1808, pedia-se prudência e calma, duas características ausentes da personalidade do oficial em comando do 29.

Ao invés de aguardar pela chegada das tropas nos seus flancos, decidiu atacar sozinho. Vestido com uniforme de gala (verdade ou lenda?) e montado no cavalo de um dos seus oficiais (insistiu neste aspecto mesmo depois de o primeiro animal ter sido abatido), acabou por ser atingido e a sua unidade sofreu pesadas baixas debaixo do fogo cruzado francês.

O Tenente-Coronel Lake foi enterrado ali perto e o seu túmulo, restaurado em 1903 por um grupo de oficiais do regimento, é hoje a marca mais evidente da batalha.

Após a visita ao túmulo, proseguiu a subida da serra, repetindo os passos dos ingleses que atacaram pelas linhas de água.

Recuperando a história da batalha:

Os franceses não perseguiram as tropas em fuga do 29 e a linha foi reposta com a chegada do 9th Foot. Atacados insistentemente por quatro lados e em risco de cerco pelo destacamento do Coronel Trant, o General Delaborde dá ordem de retirada. Ordeiramente, por fases e com o apoio da cavalaria, os franceses deixam o campo de batalha, cientes de terem cumprido o seu objectivo de retardar o avanço do exército Wellesley, permitindo a Junot reunir as suas tropas.


O embate decisivo teve lugar quatro dias depois, no Vimeiro.

Quem também mal sobreviveu ao dia fui eu e a Lena. Mas a paisagem do cimo da Serra do Picoto compensou o esforço. Apesar do vento. E do facto de eu não sentir os pés. E do tempo que demorei a recuperar o fôlego.

Apesar disso gostei. Já disse à Lena que se souber de outros passeios que conte comigo.

Ah e para que saibam, ambos tínhamos mesmo onde estar e só por isso é que pedimos boleia a uns senhores amigos da Lena que pertenciam à organização e descemos a serra de jipe.

Passeios pedestres (ou como ficar com os bofes de fora)

A história já tem um par de semanas mas não resisto a contá-la aqui. O texto é todo criação aqui da casa, as partes em itálico são adendas referentes ao desenrolar da batalha.




A minha amiga Lena convidou-me para um passeio pedestre comemorativo dos 200 anos da batalha da Roliça (ver post anterior).

O vício da História e as recordações de algumas férias na minha infância, passadas nessa aldeia do concelho do Bombarral, levaram-me logo a dizer que sim, que ia e tal, mas sempre com uma pequena dúvida em mente. Como raio é que eu, um sedentário, amante da contemplação mística, ia meter-me numa actividade ao ar livre que, ainda por cima, terminava com um prémio de montanha de primeira categoria no alto da serra do Picoto?

Decidi mandar estas considerações às urtigas e lançar-me de cabeça.

Quando lá cheguei, confesso que a minha confiança regressou. Aquilo estava cheio de velhinhos e famílias com crianças, o percurso certamente não ia ser assim tão difícil.

Acabou por revelar-se um grupo giro, uma mistura de gente residente no concelho e sócios de um grupo de actividades ao ar livre, malta com um ar muito pro, equipado à maneira, que até levava umas varas metálicas todas xpto para ajudar a subir aos sítios. Um exagero, pensei eu, o néscio armado em bom.

De início tudo bem e a fase de arranque do passeio, até à primeira posição francesa, foi feita em velocidade de cruzeiro, em terreno plano. Isto vai ser canja, pensava eu...

Como atracção adicional, havia a presença de um senhor cheio de piada chamado François, um gaulês capaz de nos dar uma rara perspectiva dos acontecimentos do lado dos invasores.

Os Franceses invadiram Portugal em Novembro de 1807, forçando a corte a mudar-se para o Brasil. De modo a impedir o fecho do bloqueio continental e aproveitando as revoltas populares na Peninsula, a Inglaterra desembarca a 1 de Agosto de 1808, na praia de Lavos, junto à foz do Mondego, um exército comandado pelo General Arthur Wellesley (mais tarde Duque de Wellington). Reunidas em Leiria com uma pequena e mal equipada força Portuguesa, avançam sem oposição, perseguindo a divisão do General Delaborde, até perto da Roliça.

O passeio acompanhou o caminho das tropas de Laborde que, perante o avanço anglo-português, achou por bem retirar do pequeno planalto inicial para posições mais altas e mais fáceis de defender.

Atravessámos novamente a Roliça e depois a Columbeira. Nada de muito problemático.

O drama começou quando chegámos ao sopé da serra do Picoto. Ai Jesus, Maria, José, pensei eu. Isto parece alto como o caraças. Será que vamos mesmo subir por aqui, pelo meio do mato?

Pois.

Foi aqui que a minha confiança começou a desaparecer ao ritmo de cada passo. Foi aqui também que os velhinhos e as criancinhas frágeis me começaram a dar uma abada. Eles não andavam depressa mas tinham aquele ritmo certo e firme de quem está habituado a mexer o rabo ao invés de ficar sentado a ver o Dr. House.

A Lena fez como os sprinters na Volta à França quando começa a subida aos Alpes D'Huez: Encostou ao lado e disse: "vão andando meus queridos que eu a partir de agora meto o meu ritmo e chego quando tiver de chegar". Eu, continuei armado em parvo e meti na cabeça que não havia de ficar atrás dos velhinhos e das criancinhas. Lá me fiz à serra com o pensamento de que algum daqueles senhores e senhoras devia saber primeiros socorros...

Salvou-me o gesto caridoso do pessoal da organização que, a meio da subida, decidiu recriar o alto das tropas inglesas antes do ataque suicida do batalhão do Tenente-Coronel Lake.

Aquela santa gente não só me deu oportunidade de fazer um reset ao sistema cardio-respiratório como ainda presenteou a malta com garrafinhas de água, croissantezinhos com fiambre e queijo e muita fruta (incluindo as fantásticas pêras-rocha da zona). Quase chorei de emoção. Estou bem capaz de me recensear na zona só para poder votar no elenco da Junta de Freguesia da Roliça!

Ali, o nosso amigo François explicou que os soldados Ingleses largaram a sua pesada carga regulamentar e prepararam o assalto às defesas Francesas. E é nesta altura que entra em cena a figura do Tenente-Coronel Lake.

Comandante do 29th Foot, veterano das guerras na Índia, George Lake era, segundo dizem, um adepto das cargas frontais em cold steel. A baioneta usada à época pelos Britânicos, dava-lhes uma superioridade teórica, reforçada pelo intenso treino a que era sujeito aquele exército profissional. No entanto, naquele dia de Agosto de 1808, pedia-se prudência e calma, duas características ausentes da personalidade do oficial em comando do 29.

Ao invés de aguardar pela chegada das tropas nos seus flancos, decidiu atacar sozinho. Vestido com uniforme de gala (verdade ou lenda?) e montado no cavalo de um dos seus oficiais (insistiu neste aspecto mesmo depois de o primeiro animal ter sido abatido), acabou por ser atingido e a sua unidade sofreu pesadas baixas debaixo do fogo cruzado francês.

O Tenente-Coronel Lake foi enterrado ali perto e o seu túmulo, restaurado em 1903 por um grupo de oficiais do regimento, é hoje a marca mais evidente da batalha.

Após a visita ao túmulo, proseguiu a subida da serra, repetindo os passos dos ingleses que atacaram pelas linhas de água.

Recuperando a história da batalha:

Os franceses não perseguiram as tropas em fuga do 29 e a linha foi reposta com a chegada do 9th Foot. Atacados insistentemente por quatro lados e em risco de cerco pelo destacamento do Coronel Trant, o General Delaborde dá ordem de retirada. Ordeiramente, por fases e com o apoio da cavalaria, os franceses deixam o campo de batalha, cientes de terem cumprido o seu objectivo de retardar o avanço do exército Wellesley, permitindo a Junot reunir as suas tropas.


O embate decisivo teve lugar quatro dias depois, no Vimeiro.

Quem também mal sobreviveu ao dia fui eu e a Lena. Mas a paisagem do cimo da Serra do Picoto compensou o esforço. Apesar do vento. E do facto de eu não sentir os pés. E do tempo que demorei a recuperar o fôlego.

Apesar disso gostei. Já disse à Lena que se souber de outros passeios que conte comigo.

Ah e para que saibam, ambos tínhamos mesmo onde estar e só por isso é que pedimos boleia a uns senhores amigos da Lena que pertenciam à organização e descemos a serra de jipe.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Tutónio



ai bó ma bebi a red radio...
...he plai di todé...
...a-go-go a-go-go...
...he lai tu denz tu it...
...daun inda strit...

...he sed i lav mi bati laik da bit...

(On Ma Radio - Da Selecta)

Tutónio



ai bó ma bebi a red radio...
...he plai di todé...
...a-go-go a-go-go...
...he lai tu denz tu it...
...daun inda strit...

...he sed i lav mi bati laik da bit...

(On Ma Radio - Da Selecta)

Tutónio



ai bó ma bebi a red radio...
...he plai di todé...
...a-go-go a-go-go...
...he lai tu denz tu it...
...daun inda strit...

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(On Ma Radio - Da Selecta)

Tutónio



ai bó ma bebi a red radio...
...he plai di todé...
...a-go-go a-go-go...
...he lai tu denz tu it...
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...he sed i lav mi bati laik da bit...

(On Ma Radio - Da Selecta)

Tutónio



ai bó ma bebi a red radio...
...he plai di todé...
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...he lai tu denz tu it...
...daun inda strit...

...he sed i lav mi bati laik da bit...

(On Ma Radio - Da Selecta)

Uma mensagem de esperança


Nós, os portugueses, temos várias manias. Uma delas é que somos o único povo a ter manias. Outra é que o nosso país é uma vergonha e que só em Portugal é que nada funciona. Uma terceira mania é a de embandeirar em arco e achar que somos os melhores do mundo cada vez que algo nos corre bem.

Por uma questão de organização vamos concentrar-nos apenas na segunda mania, a de que o nosso país é uma vergonha.

É verdade, o nosso país é uma vergonha mas não estamos sozinhos. Olhem a Inglaterra por exemplo.

Leiam o que aconteceu no novissimo terminal 5 no aeroporto de Heathrow.

Para os que não conseguem ler inglês ou não têm pachorra para ler textos com mais de 10 palavras aqui fica um resumo:

A British Airways abriu um novo terminal no aeroporto de Heathrow. Era suposto ser um edífício modernaço, cheio de automatismos, onde tudo funcionaria bem transformando a seca que é viajar de avião numa experiência senão agradável pelo menos não totalmente horrível.

Infelizmente para a BAA e sobretudo para os passageiros que tiveram a infelicidade de estar no terminal 5 no dia da inauguração, correu tudo mal.

Os empregados que lidam com a bagagem não conseguiram lugar para estacionar ou demoraram horas para atravessar os procedimentos de segurança. Os poucos que conseguiram chegar não foram capazes de registar-se no novo sistema informático. As malas começaram a acumular, os vôos começaram a atrasar. Os aviões que aterravam deixaram de ter espaço para estacionar e começaram a formar fila no tarmac.

Dentro do terminal, as escadas rolantes e os elevadores não funcionavam. As máquinas de pagamento automático de estacionamento avariaram.

O sistema entrou em colapso total e obrigou a British Airways a avisar os passageiros de que as suas malas não viajariam com eles.

A Wired refere um graffiti nas casas de banho que resumia bem a situação: "Welcome to hell".

Como vêem, shit happens everywhere.

domingo, 30 de março de 2008

Piadas fáceis sobre cocó

Ontem a RTP começou a transmitir uma série de documentários da BBC sobre os alimentos. No fim de contas, muita conversa sobre algo que este blogue tem repetido há anos:

comer fruta e legumes faz bem.


Mas o mais interessante do programa para tipos com a idade mental de 10 anos como eu foram as experiências na área escatológica.

Há algo fascinante em ver um senhor e uma senhora usar uns calções em spandex com um tubinho ligado a um saco de plástico estanque colocado nas costas. O objectivo era medir a quantidade de gás expelido por dia. Para dar mais emoção à experiência, como ambos trabalhavam num rancho, foram-lhes servidas doses generosas de feijões, um dos pratos típicos do Oeste.

No final, apareceu um senhor antropólogo que mediu a quantidade de gás em cada saco colocando um frasco invertido num tanque de água. O tubo era retirado do saco e o gás ocupava então o lugar da água permitindo determinar o volume de gás acumulado.

Depois apareceu uma senhora simpática com um trabalho invejável. Recolhia amostras de fezes, analizava-as num microscópio e contava o número de bactérias.

Lindo. O que qualquer pessoa quer ver numa noite de Sábado.

Mas o que me deixou intrigado foi: que tipo de vida social tem uma pessoa destas que lida com dejectos alheios todos os dias?

- És muito simpática, o que é que fazes?
- Eu trabalho com cocó.
- Pois......

Não me parece muito atraente.

Uma solução seria que o senhor que mede os puns se casasse com a senhora das poias. Assim pelo menos teriam muito tema de conversa....

E pronto. Assim termina este texto fantástico dedicado a um tema que é caro a todos os que querem fazer piadas mas não têm talento.

Piadas fáceis sobre cocó

Ontem a RTP começou a transmitir uma série de documentários da BBC sobre os alimentos. No fim de contas, muita conversa sobre algo que este blogue tem repetido há anos:

comer fruta e legumes faz bem.


Mas o mais interessante do programa para tipos com a idade mental de 10 anos como eu foram as experiências na área escatológica.

Há algo fascinante em ver um senhor e uma senhora usar uns calções em spandex com um tubinho ligado a um saco de plástico estanque colocado nas costas. O objectivo era medir a quantidade de gás expelido por dia. Para dar mais emoção à experiência, como ambos trabalhavam num rancho, foram-lhes servidas doses generosas de feijões, um dos pratos típicos do Oeste.

No final, apareceu um senhor antropólogo que mediu a quantidade de gás em cada saco colocando um frasco invertido num tanque de água. O tubo era retirado do saco e o gás ocupava então o lugar da água permitindo determinar o volume de gás acumulado.

Depois apareceu uma senhora simpática com um trabalho invejável. Recolhia amostras de fezes, analizava-as num microscópio e contava o número de bactérias.

Lindo. O que qualquer pessoa quer ver numa noite de Sábado.

Mas o que me deixou intrigado foi: que tipo de vida social tem uma pessoa destas que lida com dejectos alheios todos os dias?

- És muito simpática, o que é que fazes?
- Eu trabalho com cocó.
- Pois......

Não me parece muito atraente.

Uma solução seria que o senhor que mede os puns se casasse com a senhora das poias. Assim pelo menos teriam muito tema de conversa....

E pronto. Assim termina este texto fantástico dedicado a um tema que é caro a todos os que querem fazer piadas mas não têm talento.

Piadas fáceis sobre cocó

Ontem a RTP começou a transmitir uma série de documentários da BBC sobre os alimentos. No fim de contas, muita conversa sobre algo que este blogue tem repetido há anos:

comer fruta e legumes faz bem.


Mas o mais interessante do programa para tipos com a idade mental de 10 anos como eu foram as experiências na área escatológica.

Há algo fascinante em ver um senhor e uma senhora usar uns calções em spandex com um tubinho ligado a um saco de plástico estanque colocado nas costas. O objectivo era medir a quantidade de gás expelido por dia. Para dar mais emoção à experiência, como ambos trabalhavam num rancho, foram-lhes servidas doses generosas de feijões, um dos pratos típicos do Oeste.

No final, apareceu um senhor antropólogo que mediu a quantidade de gás em cada saco colocando um frasco invertido num tanque de água. O tubo era retirado do saco e o gás ocupava então o lugar da água permitindo determinar o volume de gás acumulado.

Depois apareceu uma senhora simpática com um trabalho invejável. Recolhia amostras de fezes, analizava-as num microscópio e contava o número de bactérias.

Lindo. O que qualquer pessoa quer ver numa noite de Sábado.

Mas o que me deixou intrigado foi: que tipo de vida social tem uma pessoa destas que lida com dejectos alheios todos os dias?

- És muito simpática, o que é que fazes?
- Eu trabalho com cocó.
- Pois......

Não me parece muito atraente.

Uma solução seria que o senhor que mede os puns se casasse com a senhora das poias. Assim pelo menos teriam muito tema de conversa....

E pronto. Assim termina este texto fantástico dedicado a um tema que é caro a todos os que querem fazer piadas mas não têm talento.

Piadas fáceis sobre cocó

Ontem a RTP começou a transmitir uma série de documentários da BBC sobre os alimentos. No fim de contas, muita conversa sobre algo que este blogue tem repetido há anos:

comer fruta e legumes faz bem.


Mas o mais interessante do programa para tipos com a idade mental de 10 anos como eu foram as experiências na área escatológica.

Há algo fascinante em ver um senhor e uma senhora usar uns calções em spandex com um tubinho ligado a um saco de plástico estanque colocado nas costas. O objectivo era medir a quantidade de gás expelido por dia. Para dar mais emoção à experiência, como ambos trabalhavam num rancho, foram-lhes servidas doses generosas de feijões, um dos pratos típicos do Oeste.

No final, apareceu um senhor antropólogo que mediu a quantidade de gás em cada saco colocando um frasco invertido num tanque de água. O tubo era retirado do saco e o gás ocupava então o lugar da água permitindo determinar o volume de gás acumulado.

Depois apareceu uma senhora simpática com um trabalho invejável. Recolhia amostras de fezes, analizava-as num microscópio e contava o número de bactérias.

Lindo. O que qualquer pessoa quer ver numa noite de Sábado.

Mas o que me deixou intrigado foi: que tipo de vida social tem uma pessoa destas que lida com dejectos alheios todos os dias?

- És muito simpática, o que é que fazes?
- Eu trabalho com cocó.
- Pois......

Não me parece muito atraente.

Uma solução seria que o senhor que mede os puns se casasse com a senhora das poias. Assim pelo menos teriam muito tema de conversa....

E pronto. Assim termina este texto fantástico dedicado a um tema que é caro a todos os que querem fazer piadas mas não têm talento.