domingo, 12 de novembro de 2006

Era Francisco Rolão Preto fascista?

Vou descrever-vos um passeio pela Internet. Se calhar não tem interesse nenhum mas fica como exemplo do que pode acontecer quando não se tem como ocupar o tempo.

Comecei por escavar mais informação sobre uma paixão recente chamada William Elliot Whitmore. Fui ao All Music e confirmei influências nítidas de Woodie Guthrie, desencantei mais uns nomes como Roscoe Holcomb ou Dock Boggs e acabei por achar uma canção velhinha do tempo das Brigadas Internacionais chamada Si Me Quieres Escrivir que acabou por ser gravada pelo Pete Seeger e pelo Woodie Guthrie. Daqui passei à busca de outras canções da mesma altura....de ambos os lados, Republicanos e Nacionalistas.

Acabei na Wikipédia à procura de informação sobre as
J.O.N.S. onde vi a referência ao Nacional-Sindicalismo o que me levou finalmente ao nome de Francisco Rolão Preto. Pelo que li, o homem fundou o Movimento Nacional-Sindicalista em Portugal acabou por incompatibilizar-se com Salazar e fugiu para Espanha onde passou o período da Guerra Civil com os Nacionalistas. Um dos textos que encontrei associa Rolão Preto a José António Primo de Rivera na redacção do programa da Falange. Noutro sítio, alguém tentava apresentar argumentos baseados nos escritos de Rolão Preto que o afastavam da ideologia Fascista apresentando-o antes como um defensor da monarquia e do Integralismo Lusitano.


Quando Francisco Rolão Preto morreu, em 1977, era dirigente do PPM. Em 1994 foi condecorado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pelo seu patriotismo e "entranhado amor pela liberdade". O Presidente da Republica na altura era Mário Soares.

Fim de história.

Ainda andei por um blogue VIP chamado Abrupto onde o autor desanca a Wikipédia e sublinha vários erros num artigo que menciona o Nacional-Sindicalismo. Infelizmente Pacheco Pereira não se deu ao trabalho de fornecer a informação que ele julga ser correcta.

Conclusão. Isto exige mais tempo e mais algum trabalho de pesquisa. Era Francisco Rolão Preto fascista? O que era afinal o Movimento Nacional-Sindicalista Português? Sei que Pacheco Pereira discorda que fosse "um movimento católico da Direita Fascista".

Bolas eu só andava à procura de mais informação sobre o William Elliot Whitmore...

sábado, 11 de novembro de 2006

O Rico Clube Pobre

Um aviso prévio. Não tenho o mínimo interesse em discussões sobre clubes de futebol que me tentem provar que um é mais atraente ou de algum modo melhor do que o outro. Comentários do género "os X são todos uma cambada de tuberculosos" ou "o XPTO é o maior porque os seus adeptos têm os maiores pénis da galáxia" não vão ter resposta.

O Benfica continua no seu caminho para se tornar um clube terceiro-mundista. Tem um tipo de gestão terceiro mundista, onde um ditador manipula as massas com o auxilio de capangas e não existe oposição significante, tem reacções terceiro mundistas às adversidades - a culpa é do "inimigo" dos "outros", dos "não-benfiquistas" que não nos querem ver brilhar - e agora acaba de registar um recorde com o objectivo de provar mais uma vez ao grupo ululante e lobotomizado de seus adeptos que: "somos os maiores". O raciocínio é: temos o maior número de sócios de qualquer clube no mundo, logo somos o maior clube do mundo. Está tudo certo se, por "maior" não se pretender inferir "melhor". A China tem mais de um Bilião de habitantese eu dificilmente a considero o melhor pais do mundo. A India tb tem uma data de gente a lá viver e eu dificilmente gostaria de assentar arraiais por aquelas bandas.

Estão a ver onde quero chegar?

Como nota de consolo para os adeptos do Benfica devo dizer que os outros clubes nacionais têm o mesmo problema com a diferença de que não lhes tem dado para a megalomania tão frequentemente. O FC Porto tem uma estrutura igual à de uma máfia e o Sporting tem falta de gente competente. Abaixo destes a qualidade é Vicentina...ou seja ao nível das rábulas do presidente do clube de Barcelos.

Existem clubes a mais, em comunidades que não conseguem manter nem um grupo de tocadores de ferrinhos de nível decente, onde os negócios escuros abundam. Em Portugal, facilmente se abatiam 80% dos clubes existentes, concentrando fundos energias e adeptos. Querem um exemplo: o Algarve.



Toda a gente é minha amiga

Antigamente, quando éramos pequenos, também escrevíamos diários, poemas e pequeninos textos íntimos, disparates, piroseiras. Guardávamos-los em caixas debaixo da cama, ou em diários que tinham fechaduras e a chave andava sempre connosco. Um ou outro tinha realmente jeito para escrever e isso notava-se nas redacções ou nos trabalhos de grupo, nos artigos do jornaleco da escola. No entanto, a maior parte dessa produção "literária" era insuportável, pretensiosa e não fazia qualquer sentido fora da nossa intimidade.

Hoje, a internet veio alargar os horizontes individuais e virtualmente qualquer pessoa, desde que tenha acesso a um computador e saiba onde procurar, pode aceder à nossa maneira de ver o mundo. Têm nomes estranhos: hi5, My Space, Facebook ou algo do género. Ensinaram-nos a definir as novas fronteiras da intimidade, aparentemente mais amplas e diversas e levam-nos a crer que temos menos hipóteses de ficar sós. Será interessante observar o futuro e ver o resultado disto tudo.


quarta-feira, 8 de novembro de 2006

E a meio da noite, acordou e disse:

Continuem. Façam de conta que eu não estou cá.


West 56th

nesse mar
tudo ilude
eleva
e deixa cair
tudo revela
tudo esconde
num vento frio
numa sirene
em noites passadas num beiral
a olhar para baixo
à espera

cruzamos-nos com os reflexos
com as manchas de óleo espalhadas na rua
as luzes dissolvidas nos fumos dos escapes
pensamos
nos limites que temos
nas falhas que evitamos
envergonhamos-nos
ficamos calados
em fila única
com o olhar vago
e uma senha numerada
pendendo das mãos sem força

sábado, 28 de outubro de 2006

Os Chatos

Em vésperas de ir para muito longe, mais do que me apetece, deixo aqui um desabafo: Portugal está cheio de chatos. A imprensa, as universidades, as empresas, todas repletas da chatice nacional. Chatos que empestam também os blogues escritos em Português "Europeu"; país de novo-riquismo, material e intelectual, incapaz de inovar, de ousar, de ser um pouquinho de nada louco, de pensar fora do que é reconhecido como "mainstream".

Daqui por uma semana, vou estar cheio de saudades. E depois, recomeça tudo.


Actualização após o regresso: Cheio de saudades. Nem sem bem de quê. A América dá-me arrepios. E fascina-me. Aquilo ainda vai acabar mal.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Don't Save the CBGB!


parece que o CBGB, clube lendário de Nova Iorque vai fechar de vez e o bloco onde se encontra vai ser demolido para dar lugar a novos edifícios.

irritante: os movimentos de parolos para salvar o espaço. salvar o quê? o punk nova-iorquino? a new wave? os ramones?

go save a whale....

um dia destes ainda querem salvar o rivoli...

The Day The End Finally Came

w i l l i a m e l l i o t w h i t m o r e

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Os Inúteis

Arnaldinho saiu da cama, calçou os chinelos e arrastou-os para a casa de banho, acendeu a luz, olhou-se ao espelho, passou a mão direita pela cara e sentiu os pêlos da barba que cresceram durante a noite. Rodou o corpo, deslizou um pouco para a frente, baixou as calças do pijama às riscas azuis e brancas, segurou o pénis e, soltando um pequeno suspiro de alivio, urinou.
Naquela manhã sentiu-se mais vazio do que nas outras manhãs. Mais cinzento, mais moribundo. Sacudiu três vezes e levantou as calças.
Meia hora depois, despediu-se da mulher e dos quatro filhos e saiu de casa. Meteu-se no helicóptero que o esperava com as hélices em banho-maria e foi para o escritório. Nunca mais foi visto. Na verdade, de tanto desejar ser invisível, deixou de existir.

sábado, 21 de outubro de 2006

Ontem houve dias assim-assim

quando a preguiça toma os dedos. quando só conseguimos escrever com os indicadores. quando histórias enormes se transformam em piadas muito, muito pequenas.



I was five and he was six

We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down.

Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say
"Remember when we used to play?"

Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down.

Music played, and people sang
Just for me, the church bells rang.

Now he's gone, I don't know why
And till this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie.

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down...

da canção Bang Bang (My Babby Shot Me Down), Nancy Sinatra




decididamente não há mais espaço neste elevador. Terceiro andar por favor.





Musique rythmique
Son electronique
L'art politique
A l'age atomique

Electric Cafe

Culture physique
Cuisine dietetique
L'art dynamique
A l'age atomique

Electric Cafe

Musica electronica
Figura ritmica
Arte politica
De la era atomica

Electric Cafe

Images synthetique
Forme estetique
L'art poetique
A l'age atomique

Electric Cafe

Musique rythmique
Son electronique
L'art politique

Electric Cafe, Kraftwerk



I was sightseeing with a small group of partizans who were looking for places to blow.
All of a sudden one says: Hey! I really like that spot. Let's make it go up in pieces.
After a few minutes of vivid conversation they all agreed. We made camp and prepared things for next morning.

domingo, 15 de outubro de 2006

Pensamentos sobre a China

Até quando conseguirá a China continuar a produzir depressa e barato? Quando parará o crescimento da sua economia? Porque razão as sociedade ocidentais, tão orgulhosas da "sua" democracia e das protecções e beneficíos que oferecem à sua força de trabalho, consomem toneladas de artigos cujos preços baixos se devem apenas ao facto de serem produzidos por pessoas sem qualquer tipo de direitos? Não deveriam os governos destes países exigir o respeito pelos direitos dos trabalhadores dos países emergentes? Será que os países emergentes o continuariam a ser se fossem forçados a explorar menos os seus cidadãos? Será que, a médio prazo, estes países conseguirão formar uma classe média forte que comece a exigir melhores salários, mais tempo para si, menos horas de trabalho e mais benefícios? Será isto obtido de forma pacífica ou será este caminho para o desenvolvimento interrompido por convulsões sociais e políticas, recuos e violência?

Estaremos nós a assistr aos primeiros momentos do declínio dos Estados Unidos como a maior potência mundial? O que virá a seguir à "pax americana"?
Sejamos honestos: a nossa vida é chata e sem interesse. Valha-nos a Macroeconomia e a Geo-Estratégia para nos manter vivos...



Em nome do pai

Entristece-me o facto de os apelidos de família ainda serem decisivos para tanta coisa.

A verdade é que as pequeninas elites que existem no nosso país se protegem e impedem a ascenção de outros porventura mais competentes ou com maior vontade de impor mudança. E quando têm algum problema, conseguem fazer-se ouvir mais facilmente. Existe um conjunto de regras e parâmetros que, como tantas coisas no nosso país, não são mencionados em voz alta. Estabelece-se deste modo o acesso ao topo da nossa sociedade. Regras e parâmetros religiosos, de comportamento social e tipo de vida, origem, local onde se vive e apelido, que condicionam e formatam as nossas elites.

Algo que poderia ser resumido no cliché: "tios e tias contratam tios e tias". E quem não é tio e tia, o melhor que tem a fazer é tentar parecer-se com um tio ou uma tia.

Chiça, como continuamos a ser possidónios e provincianos...


segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Ser de esquerda é bom. Ser de direita também.

Ou será que nada disto faz sentido?

Eu confesso: não comprei nenhum exemplar do SOL ou do EXPRESSO nas últimas semanas. Confesso ter tentado uma vez mas, como eram 11 da manhã de sábado e me disseram "ai, esgotou logo pelas 10 horas", pensei, "bolas, se os tipos não se deram ao trabalho de ser espertos e de imprimir jornais suficientes para a procura, então não merecem que me dê ao trabalho de andar a mendigar um exemplar", e lá segui o meu caminho.

Quem me conhece sabe a opinião que tenho da imprensa nacional: ligo pouco e acho fraquinha. Assino o "Courrier International" porque cada vez tenho menos tempo para ler. Aquilo funciona como umas Selecções do Reader's Digest com a vantagem de não ser "middle-class american" e de me permitir aceder a artigos que de outro modo levariam horas a pesquisar na net.

Uma das últimas edições do "Courrier" tinha como tema de capa a nova esquerda, a renovação da esquerda, algo que o valha. Nos artigos que pude encontrar lá dentro escreviam sobre o que constitui a esquerda dos nossos dias. Coisas como a defesa do estado-providência, preocupação com o ambiente, defesa dos direitos das mulheres e das minorias, etc., e após enumerarem estas qualidades faziam uma pergunta inteligente: mas será que a direita não defende também estes valores? Será que o que é positivo é monopólio da esquerda e a direita não pode ser mais do que uma lista de estereotipos ligados a xenofobia, estado policial, liberalismo e capitalismo sem regras e sem moral, entre outros?
(falta desenvolver esta parte do texto)

E onde está o mal? Durante anos tivemos os dos chapéus brancos e pretos bem divididos, mas agora não existe um vilão de contornos definidos. Ou antes, existe mas não é uma ideologia, é uma religião e chama-se Islamismo.

Pode assim dizer-se que o Islamismo é o novo fascismo, o novo comunismo? Eu preferia que se fosse por outro caminho. Sendo uma religião confundida com o mal - e a humanidade sempre adorou ter inimigos bem estereotipados, daqueles em que apetece cuspir em cima - o que irá acontecer no fim? Qual é o nosso objectivo, como os bonzinhos da fita? Converter os milhões de Islâmicos ao Ateísmo ou ao Cristianismo tal como os ex-fascistas e ex-comunistas se converteram à democracia?




(à suivre)

domingo, 17 de setembro de 2006

Um sonho

foi mais ou menos por essa altura que dei por mim a afastar-me de uma estrada empedrada rodeada de trigo alto de ambos os lados. foi mais ou menos por essa altura que me começaram a faltar as palavras, que os momentos de silêncio substituiram a voz. foi quando pensei que o horizonte tem muitas cores, um pôr do sol glorioso cheio de salpicos de estrelas distantes e galáxias iluminadas de perfil por explosões de anãs brancas. um ar revolto, uma atmosfera húmida, pesada. uma areia fina, avermelhada, constantemente levantada por remoínhos de vento, cobrindo a pele e dando-nos o aspecto estranho de nativos da papua-nova guiné.

este sonho prossegue.

sábado, 16 de setembro de 2006

Day

Blue skies
enter
delights
open eyes
bright daylight
feel sick
disregard wind
forget rain

Blue skies
a change
yesterday
waiting
it's time
may come out
play

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Porque razão precisamos do Sol?

Só me lembro de uma: veio criar emprego. Desejo que os seus funcionários o mantenham por muitos e bons anos e que consigam aturar o Saraiva.

Em Portugal, estamos numa fase em que, por um lado, a Internet que temos é muito má. Péssima mesmo, dos piores sites da Europa e do mundo civilizado (que como sabem exclui os visigodos, os sumérios e os bárbaros em geral). Por outro, os jornais já não conseguem sobreviver. Muito por culpa deles mesmos, diga-se de passagem, que não souberam adaptar-se e mudar.

Rádio Europa

Passa quase exclusivamente jazz, e isso é agradável. Gosto de ouvir.

Têm umas crónicas diárias ou semanais - não percebi bem. Oscilam entre o interessante (um senhor que fala de ciência e outro que fala sobre internet), o engraçado (um senhor que fala sobre comida até diz umas coisas giras mas devia entregar o texto a alguém que soubesse ler) e o completamente senil e desinteressante (aquela senhora que deu à luz dois políticos e não sabe ler em rádio, é muito aborrecida e extremamente pretenciosa).

Os jornalistas oscilam entre o competente e o mauzinho.

Sobretudo pela música é a rádio que vai tocando mais na voiture deste vosso criado.

Vrum! Vrum!

Cá no burgo acelera-se muito, quer se tenha um carro grande ou pequeno. Também se tem pouco dinheiro. A gasolina está cara.




Ok, eu explico: acelerando muito gastam mais gasolina, o depósito esvazia-se mais rapidamente.

Eu relembro, a gasolina está cara. toda a gente se queixa que tem pouco dinheiro.


Agora perceberam?

sábado, 9 de setembro de 2006