terça-feira, 16 de maio de 2006

Temporada de galinhas

Sim, fui buscar inspiração para o titulo deste poste a um filme Mexicano...
Tudo para dizer que esta história da gripe das aves não me convence.
Normalmente os grupos a que chamamos "entidades oficiais" são muito lentos a reagir aos acontecimentos à sua volta - e isto inclui tudo, de catástrofes nucleares a surtos de caspa.

Não fazem por mal, mas são organismos enormes, pesados, que têm de olhar para muitos lados ao mesmo tempo, onde qualquer decisão passa por um sem fim de pessoas, departamentos e organismos.

Por tudo isto acho estranha a reacção tão célere, a tomada de medidas rápidas, o aprovisionamento de medicamentos, a elaboração de planos e estimativas.

Espero estar enganado e que na realidade aconteça mesmo a tal mutação do vírus e que morra muita gente, sob pena de nunca mais voltarmos a acreditar quando nos disserem que o fim do mundo se aproxima sob a forma de uma cagarra, de um periquito ou de um cisne.


***

Ciclicamente, os cabeças pensantes (e escrevinhadoras) decidem "insensar" alguém. Agora parecem ser os pobres moços do "Gato Fedorento".

Há uma coisa extremamente proviciana e tão irritante como a moda do dizer mal que é a moda do dizer bem. Durante anos foi moda dizer bem do Herman José e de tudo o que ele fazia - "ai o senhor Herman hoje fez um cócó lindo" ou "ai o senhor Herman arrotou lindamente após comer um pedacito de foi-gras". Agora, essa moda passou para os 4 jovens Gatos. As críticas que lí sobre o novo programa na RTP já contêm uma falta de espírito crítico e um alinhar irritante com a onda só explicável pela falta de exigência fruto da inaptidão geral que se vê nas produções e humor (e noutras).

A verdade, tal como eu a vejo, é que os programas dos 4 rapazes não estão mesmo a ter piada e raros são os sketches que ficam na memória. Além disso, nota-se que estão a ser engolidos pela máquina de fazer medíocres que é a sociedade Portuguesa. Aparecem em todo o lado, a dançar num programa de danças de salão, a fazer sketches sobre o Mundial, et ceatera, et ceatera, et ceatera. O problema é que continuam a não ser mais do que um projecto com possibilidades de melhorar mas já toda a gente lhes diz que não vale a pena esforçarem-se. Já são os maiores da rua deles e isso para nós basta.


segunda-feira, 1 de maio de 2006

Afinal o prémio para a melhor piada do ano vai para...

Ex-aequo para:

a) Os tipos cheios de sentido de humor que dão pelo nome de "Irmãos Anonymous" que disseram que eu não devo falar sobre o que não conheço, que me chamaram "portuguesinho" e me deram mais uma bela lição sobre coragem e liberdade.

b) Armando Ramos, Alberto da Costa e Leandro Coutinho, as três pessoas que comentaram esta notícia do "Correio da Manhã" sobre um cidadão que se atirou da Ponte 25 de Abril:

Armando Ramos
"So que eu desejo e que se cure depressa e tente outra vez, porque gente desta nao merece viver."

alberto da costa
"E a namorada coitada ninguem tem pena dela pelo o azar que teve com o desfecho da tentativa de suicidio ? cand."

Leandro Coutinho
"Um maluquinho que se atira abaixo da ponte por causa de arrufo de namoro!! Devia era arranjar logo outra para passear na discoteca à frente da "ex".. Vê-se logo que estuda sociologia! Isso é não é um curso, é um recurso que enche a cabeça das pessoas com minhocas..."

Devo confessar que estive tentado a atribuir o prémio apenas a Leandro Coutinho mas, depois de muito pensar, achei que os três comentários faziam um ramalhete muito mais valioso.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

E o prémio para a melhor piada do ano vai para...

A petição online para que João Bénard da Costa não saia do cargo de Presidente da Cinemateca Portuguesa.

Realmente, há gente com muito sentido de humor.

Quem não percebeu a piada foi a Ministra da Cultura que pelos vistos vai mesmo convidar o senhor a permanecer no cargo. É normal porque, como toda a gente sabe, cultura e humor são coisas que não ligam.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Este Lado Para Cima

Este Lado Para Cima

danças nativas

taga aha gaga maga raga taga aha.

aha magaga raga taga mahagaraga taga.

aha.

Esfrega-me as costas, por favor

precisamente.

o quê?

precisamente. exactamente o que acabou de dizer.

sabe, ontem à noite pensei um pouco melhor nestas coisas e...

e...?

decidí parar.

precisamente.

e quando teve essa tal consciência da realidade?
a partir de quando sentiu ter à sua volta essas pessoas que...

desculpe.

o quê?

eu nunca senti nada disso.

nunca? nunca se sentiu mergulhado em água fria até ao pescoço?

nunca senti nada disso, já lhe disse.

pois bem.

sendo assim, não temos mais nada a dizer um ao outro.

sábado, 8 de abril de 2006

Zero

não houve nada que não lhe tivesse passado pela cabeça. as horas passaram e ele continuou a matutar. no final do dia de trabalho foi ter com o patrão e disse-lhe que julgava ter uma ideia para aumentar a produtividade. sacou de uma pistola e disparou 5 vezes.

o patrão morreu. a produtividade não aumentou.

o empregado foi preso.

Desastre ferroviário

embora tenha visto o comboio que se aproximava, Jan Van der Wonck decidiu ignorar os sinais do maquinista. pulou decidido para a frente da locomotiva. o desastre foi inevitável, o caos imenso.

a partir desse dia, os outros meninos nunca mais o deixaram brincar em casa deles.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Sim....este é um poste dedicado ao futebol

Bom, é mais sobre os espanhóis do que sobre futebol...

Hoje, fui dar uma vista de olhos pelas edições on-line dos jornais desportivos espanhóis mais para observar comportamentos do que pelas notícias em si. E pude ver o seguinte:

a) O jornal "Sport" de Barcelona viu outro jogo.

b) Os jornais "Ás" e "Marca" de Madrid não viram o jogo e nem querem saber. Um dava destaque ao facto de um jogador do Atlético de Madrid não gostar com as camisolas que a Nike apresentou para a próxima época porque não tinham listinhas vermelhas o outro dava destaque a uma entrevista de Figo que diz que no Real Madrid aquilo era uma rambóia.

Ignorando as considerações relativas ao jogo este exemplo ilustra bem quão tendenciosa é a informação desportiva em Espanha, anos luz mais irritante do que a nossa.

E se querem um opinião independente, na realidade foi um óptimo jogo. Pena não serem todos assim.

Publicidade e sexo

Deve haver alguém no departamento de marketing da Nabisco, na sua agência de publicidade, ou em ambos, com uma fixação por sexo e uma perversidade assinaláveis. Antes, foi a campanha que apelava à promiscuidade e ao turismo sexual com a frase "Come Filipinos e verás". Embora moralmente duvidosa continha uma indefinição, algo entre a ameça e a promessa de prazer, que lhe conferiam uma sensualidade e uma classe muito particular. Agora, apresentam-nos o slogan: "20cm. Atreves-te?" acompanhados de modo sugestivo por uma senhora de olhar esbugalhado e mãos que indicam de modo bem claro o que parecem ser os tais 20cm.

Espero ansioso pela próxima campanha. Imagino que seja algo na linha de "Papava-te toda!" acompanhada pela imagem de um trolha bigodudo a lamber-se para uma embalagem ou "Oh sim cariño, más!" ilustrado por uma loura platinada em trajes menores e olhar lúbrico.

terça-feira, 28 de março de 2006

Intimista ou obstipado?

quando nos sentamos para escrever será que não pensamos antes se o que vamos escrever é bom ou não? será desta que vai sair uma obra prima ou uma desgraça completa. e quantas vezes perguntamos, envergonhados pela possibilidade do vexame: afinal escrevo bem ou não? em quase todos os casos a resposta a esta última pergunta é negativa. Quase ninguém escreve bem. Só uns poucos, cheios de sorte, foram bafejados com esse..."dom", chamemos-lhe assim, com uns leve salpico místico.

mas mesmo assim, eu acho que a "escrita popular" deve existir e florescer, tal como defendo a música popular, feita "by the people, for the people" como contraponto à literatura e à música erudita. Acho que toda a gente deve tentar, e tentar e tentar e, claro, falhar e falhar e falhar. Claro que, por vezes, ambos os mundos se tocam. É desejável que isso aconteça. Nessas ocasiões, raras e admiráveis em que toda gente tem dúvidas e ninguém sabe que etiqueta pôr, alguns ficam extasiados e outros chocados. Porque há quem goste dos géneros bem arrumadinhos e separados, cada um para seu lado, sem misturas. Há quem se sinta incomodado quando os "do outro lado da rua" olham para as mesmas coisas de que gostamos e elas perdem a exclusividade e o carácter elitista que até então possuiam.

Dia de Surf

I love the colorful clothes she wears
And the way the sunlight plays upon her hair
I hear the sound of a gentle word
On the wind that lifts her perfume through the air

(The Beach Boys, Good Vibrations)

sexta-feira, 24 de março de 2006

Aborrecimento de morte.

O chefe do clã chegou-se à frente e falou para o centurião: "Ó chefe dos romanos, ganhaste. Toma a minha espada, o meu escudo, o meu elmo com cornos e leva-nos para Roma como escravos."

O centurião acabou de palitar os dentes, olhou em volta e disse com olhar ausente: "Fica com o teu elmo com cornos. Mas quero a tua pele de urso."

O chefe do clã mostrou-se surpreendido e exclamou: "A minha pele de urso? Mas sem ela fico com as minhas vergonhas à mostra! Não é digno!"

"Pois, pois....mas perdeste e agora eu faço o que me apetece. A pelezinha de urso se faz favor e podes tapar as vergonhas, como tu dizes, com o elmo dos cornos."

quarta-feira, 22 de março de 2006

Knoc, knoc...

Normalmente vou ver quem passa. Além dos do costume, a quem eu pago 5 euros para aumentarem os números do contador, os estranjas continuam a cair aqui, perdidos, se calhar a pensarem que isto é um blog a sério.

Normalmente são blogs sem interesse. Marcado na memória ficou o de um transsexual cheio dos problemas que os transsexuais têm e pouco mais. Mas hoje, uma míuda francesa andou por aqui o que me permitiu ir bisbilhotar o blog dela.

Fica aqui o link. Porque os desenhos são bem giros. Porque tem links para os blogs de outras pessoas que também fazem desenhos giros. E porque eu gosto de desenhos giros.

Putativa

e então?
de tudo o que fazes
de tudo o que fizeste
escorregar nos limos
cair de costas na água fria
o cais está vazio
há raiva e tristeza para descarregar
em contentores invisíveis
vindos de destinos inimagináveis
é diferente
não necessáriamente melhor
estamos à tua mercê
à mercê dos teus beijos e carinhos
e não podemos voltar para casa
o cais parece não acabar
desaparece no meio do nevoeiro
esperámos tanto pelos teus murmúrios

segunda-feira, 20 de março de 2006

Cores do Globo

A Cores do Globo mudou de endereço. Foram simpáticos, inteligentes e eficientes porque comunicaram o facto a todos os que, como eu, têm no blogue um link para o site deles.

O novo endereço é:

http://coresdoglobo.org

Para quem não sabe ou esqueceu a Cores do Globo defende e estimula o comércio justo. Dêem lá um pulo e fiquem a saber mais sobre este movimento.

E aqui fica um contributo para desfazer o mito segundo o qual só freaks e cabeludos é que se interessam por estes assuntos.


Eu já sei o que não quero ser

a) Intelectual. Deus me livre. Têm todos um ar tão infeliz. Parece que ser intelectual suga a felicidade de dentro de uma pessoa. Por intelectual entenda-se alguém que sabe muitas coisas sobre um determinado assunto ou sobre muitos assuntos. Neste último caso adquire o título de "Ganda Intelectual".

b) Da moda. Entende-se por "da moda" qualquer pessoa que seja estilista, cabeleireiro, modelo, maquilhador ou que apareça nos desfiles sentado nas primeiras filas a aplaudir com entusiasmo. Também não quero ser. Deve comer-se muito mal nestes eventos porque têm todos um ar muito enjoado. Pouco esperto. E são esquisitos, pronto.

sexta-feira, 17 de março de 2006

a lista de mercearia desta semana

joy division, new order, x-ray spex, the buzzcocks, the stranglers, suicide, subway sect, the clash, magazine, sham 69, 999, siouxie and the banshees, the damned, the ramones, sex pistols, blondie, generation x, the adverts.

sobremesa:

Oh Bondage! Up Yours (X-Ray Spex)

Some people think little girls should be seen and not heard
But i think
Oh Bondage Up Yours!
One, Two, Three, FOUR!

Bind me tie me
Chain me to the wall I wanna be a slave
To you all

Oh bondage up yours
Oh bondage no more
Oh bondage up yours
Oh bondage no more

Chain-store chain-smoke
I consume you all
Chain-gang chain-mail
I don't think at all

Oh bondage up yours
Oh bondage no more
Oh bondage up yours
Oh bondage no more

Thrash me crash me
Beat me till I fall
I wanna be a victim
For you all

Oh bondage up yours
Oh bondage no more
Oh bondage up yours
Oh bondage no more

quinta-feira, 16 de março de 2006

Sentes-te com piada, punk?

robertinho andava a abanar o rabiosque pela avenida, embrulhado nos seus trapinhos haute couture. levava o lulu pela trela e segurava uma longa boquilha com a mão direita, a mesma que encaixava no braço cheio de sacos de lojas caras. o homofóbico, esperava-o numa esquina, passou-lhe uma rasteira que fez o ser enfeminado espalhar-se ao comprido e, enquanto robertinho, caido no chão, tentava desembaraçar-se do molho de sacos, aplicou-lhe um par de pontapés no torso. robertinho gritou de dor. o lulu ganiu de medo. o homofóbico rosnou de prazer. o povo passante abriu a boca.