sábado, 4 de março de 2006

lista de mercearia, 4 de março 2006

gorillaz; hanne hukkelberg; jan jelinek; tracy & the plastics; briskeby; stereolab; múm; lali puna; nanook of the north; dntel; mojave 3; cowboy junkies; television personalities; sonic youth; galaxy 500; boards of canada; to rococo rot; badly drawn boy; the russian futurists; vladislav delay...

round with a hole in the middle


durante todo o dia, queixaram-se do barulho. à noite, rezaram de joelhos, todos muito juntinhos e deitaram-se a resmungar contra a inutilidade desta música.

lá no alto

existe concerteza um sonho. muitas cores vindas do espaço, qualquer coisa que possas esconder debaixo da almofada, enquanto contas carneiros lilazes e cheiras flores silvestres arrancadas à beira da estrada. reflecte bem no que te ensinei. os segredos desta floresta ao pé da fonte onde os centauros de grandes bigodaças se reúnem para almoçar.

existe concerteza um lugar onde possas domir nu. onde ninfas sonolentas bocejem uma existência feita de erva fresca e brisas suaves. um lugar em que repousem harpas à espera de serem tocadas, repleto de runas gravadas em pedras escuras, iluminadas por finos feixes de luz que rompem da copa das árvores.

ao fim da tarde. no cimo de um monte. a olhar.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Soletrar

cortar enfim as rosas brancas
a húmida perversão que em mim caminha
rodear as névoas que me perseguem
aliviar de vez as dores desta viagem
tornar aos penedos batidos pelo mar
e enfrentar destemido o vento
além destas ténues miragens
sentir ser esse o meu dever

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Esta lua não me faz uivar


no dia em que te perdeste no meio da planície - na porcaria da planície, pedaço de terra inútil - ficámos todos com medo que te tivesses transformado num transistor ou assim, numa peça de tecnologia, e que já não gostasses de nós.

Água no vidro não é inocente

uma vez corri com tanta velocidade que choquei com toda a força contra o vidro
felizmente, não me magoei.
lembro-me que nesse dia cercámos uma pequena aldeia e executámos todos os habitantes.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Ubíquo

demasiado ubíquo? talvez, a esta velocidade não consigo dizê-lo.
talvez com mais treino
refrescado por duas pétalas
criadas e embaladas
na mesma noite de geada
numa humidade escura
ausência de alegria
ausência de saudade
de uma vontade de fazer

a princípio parece um ruído suave
queria dizer gemer
but baby you talk too much
e está tudo tão longe
pintalgado
pequenas gotas de orvalho
névoa
ao longe

Antropologia Para Tansos

Extractos dos cadernos do Dr. Valakion:

Carta ao Dr. Angus McPherson (Universidade de Aberdeen)

(...) É maravilhosa a diversidade humana! Estou fascinado com os documentos que o meu caro colega Eugénio Schonberg, da Universidade da Pensilvânia, me enviou. Há anos que tentava em vão aceder ao espólio do chamado "Grupo Escalfeta", um conjunto de fantásticos antropólogos que, durante a segunda metade do século XX, se dedicou a estudar os rituais de diversos povos do nosso planeta sob uma perspectiva a que chamaram precisamente de "Escalfeta". Segundo eles, a dificuldade em manter os pés quentes, principalmente durante a noite, permitiria identificar padrões comuns de comportamento e estabelecer relações lógicas acerca do pé frio.

O grupo tinha como objectivo publicar uma obra conjunta onde divulgaria as suas conclusões. Infelizmente, a partir de 1972 os membros do grupo começaram a morrer com problemas causados pela exposição prolongada a um determinado tipo de queijo suiço mais tarde identificado como "Schüpffenschlupfer". No entanto, a odisseia do "Grupo Escalfeta" não havia terminado. Em 1983, um investigador de seguros de Tarragona, chamado Vicente Espalda, disse ter em seu poder documentos que provavam a existência de uma conspiração para matar os cientistas. Passados dois meses Espalda foi encontrado em Melilla, vestido de derviche com uma faca de trinchar perú espetada no coração.(...)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Exoesqueleto

sabes. fica mais barato se pintares.

***

ao pé do edifício condomínico, burguesito, anafadito a ficar careca, reúnem-se os membros do clube dos mais irritantes. toma a palavra o imbecil com um número seis cravado na testa fofa. diz exactamente dezoito palavras e cai no chão esfaqueado pelos compinchas que riem enquanto o sangue espirra à altura do terceiro andar. a esposa dedicada a um vibrante que lhe enche a monumental cona, ri-se e distribui saliva em redor, enquanto balança o recém nascido nas bordas da janela. naquela noite, sozinha na cama, enquanto a vizinhança homicida esquarteja o consorte, gemerá mil vezes de prazer com a plástica pila entalada bem fundo, enquanto dá a mama pingante ao querubim coradito.

***

o soporífero fará efeito quando o meu amigo se deitar e reflectir sobre os seus pecadinhos. o soporífero do padre cruz é uma panaceia sagrada. só exerce o seu poder quando o paciente se entrega ao divino.

Última estação

traulita traulita
hoje tenho imensas coisas para dizer, muito para te contar.
rebeldes aminoácidos regressaram ao sempiterno jejum e vetaram a travessia única da lousa imperial. mas também, o feio queria amparar as veias num papelito de jornal.
sim, sim, tenho mesmo muita coisa para dizer...

repara que os pimpolhos adiantaram-se e escreveram uma epístola agrafada a um corno. Um corno é uma representação mal enjorcada do maldizente e das parolices. mas depois, ela volta sempre com a mesma lengalenga e rebaixa-se aos sórdidos apelos do abençoado pai.

não voltes ao largo. a piscina está vazia e o vento corta. é tarde.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

what do you see?

I

and then there was a fire
started by the lake
progressed relentlessly
until it reached the shed
and we all began to scream

II

podíamos ouvir
as crianças
os patos
a confusão ao longe
caminhámos durante horas

III

finger
digitalia
homem
operática
efémero
artista

IV

gelatina
ópio
inversão
ausência
inferno
hábito

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Coisas boas da vida

O novo aspecto gráfico do Diário de Notícias. Não me canso de o dizer. Parece um jornal novo. Dá gosto ler. E tem um suplemento de sexta-feira que também tem muito bom aspecto.

***

As duas páginas do Rui Henriques Coimbra na revista do Expresso. São neste momento a única razão para comprar o saquinho de plástico cheio de papel aos sábados de manhã.

***

Séries de televisão nos canais por cabo.

As televisões generalistas são insuportáveis. Deixei-me disso. Agora sou viciado em séries. Não é que de repente deram em fazer um quantidade de séries muito boas? Decidi fazer um ponto da situação e dividi-las em três categorias: "Fanático", "Agradável" e "Vê-se". Aquelas de que não gosto passaram automáticamente para a categoria de "Bostas".

  • FANÁTICO
House M.D. - Hugh Laurie num papelão, com sotaque americano. No Fox.

Deadwood - (cóboiada a sério, uma reconstituição de época fantástica, toda a gente tem um ar seboso). No Fox.

Lost - OK, às vezes engonham um pouco tipo novela mas é uma das séries mais viciantes que já vi. No Fox.

Grey's Anatomy - Bons actores, histórias simples. No Fox Life.

  • AGRADÁVEL

Law & Order - Já um bocadito entradota mas prende e também tem óptimos actores. No Fox Life


Cold Case - Uns degraus abaixo das outras mas mesmo assim ainda vejo quando posso. No Fox

  • VÊ-SE
John Doe - Estava à espera de muito melhor. Aquilo não me convence...No Fox

E.R. - Já é do tempo da Maria Cachucha e acima já tenho duas séries com médicos bem melhores, no entanto, se não tiver nada melhor para fazer...No AXN

  • BOSTAS
Las Vegas - Confesso que ainda ví os primeiros episódios. Mas depois tudo começou a irritar-me na série. Os personagens, as histórias começaram a não ter pés nem cabeça, começaram a ter uns actores convidados que não lembram ao Menino Jesus (o Stallone?, o Bon Jovi?) e comecei a notar que aquilo era tudo um bocado (muito) fascizòide...um ex-agente da CIA, um marine que de vez em quando vai para a guerra, um sistema de vigilância que não deixa passar nada....ugh!

JAG - Por falar em série fascizóide, aqui está mais uma...

Pretender - A série até podia ser gira mas aquele protagonista tem um ar de canastrão e uns olhos esquisitos...

Repararam que não falei no CSI? Pois é....confesso que é uma série q me deixa completamente indiferente. Não a acho uma bosta nem gosto particularmente...se querem que seja sincero, acho um bocado irritante que eles descubram os criminosos recolhendo vestígios de cheiro a traques ou através de uma mancha nas cuecas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Aborrecidos

Sabem qual é o sentimento mais comum na sociedade ocidental de hoje em dia? O aborrecimento. Toda a gente está aborrecida. No geral ou com algo em particular. É por isso que tanta gente se droga e bebe, é infiel ou entra para estranhos cultos ou decide furar o umbigo para colocar um brilhante reles. É por isso que alguém decide entrar numa estação de correios e "go postal".

Toda a gente sofre de um tédio insuportável. Já temos tudo o que queremos ou temos a certeza de que não vamos conseguir mais do que temos no presente. Não há ideais, já ninguém se preocupa com as baleias ou em salvar um bando de pretos que está a morrer de fome. Já há montes de gente a fazer isso e mesmo esses também estão a ficar aborrecidos de distribuir farinha e dar injeccções o dia todo ou andar a perseguir navios Japoneses.

Mais do que descobrir a cura para o cancro ou a vacina para a SIDA (que seca, um dia destes alguém descobre e pronto) o grande desafio da humanidade desenvolvida será o combate à chatice que é viver nessa mesma sociedade e ter todos os serviços on-line, tudo entregue à porta, todas as opções, serviços pós-venda, personalizações, etc. Todas essas tangas que só contribuem ainda mais para o tédio geral.

Meio mundo está entediado. E dentro da outra metade, Indianos e Chineses trabalham com afinco para um dia terem o direito a um ar enjoado como deve de ser. Já imaginaram quando a China tiver atingido um patamar de desenvolvimento semelhante ao Europeu?

Um bilião de pessoas aborrecidas!

Can we go to war now?

Please????

T é D i o s

Jesus don't want me for a sunbeam
'Cause sunbeams are never made like me
Don't expect me to cry, for all the reasons you had to die
Don't ever ask your love of me

Don't expect me to cry
Don't expect me to lie
Don't expect me to die for thee

(The Vaselines)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Os Cartoonistas Hereges (Parte II)

Pois é. Os tais cartoons andam mesmo na boca do mundo. Pelo Planeta Islão - parece cada vez mais que habitamos em planetas diferentes - correm multidões ululantes (finalmente! uma hipótese de usar a palavra "ululante") de bandeira verde em punho e turbante meio torto na tola a gritar as palavras do costume (o Islão pelos vistos não tem aquela coisa de evocar o nome do Senhor em vão). Os governos do Planeta Cristo tentam meter água na fervura e pedem desculpa, que não voltamos a fazer, que foi distração.

Claro que foi um bocadinho parvo que os Dinamarqueses se tenham lembrado de fazer aquilo. Não era preciso ser o Professor Sorenssen - para quem não sabe, é o Paulo Cardoso dinarmaquês - para prever o resultado.

Por outro lado, é bem verdade que estas birrinhas do Islão são chatas. Principalmente porque morre gente de cada vez que eles se irritam. E, o mais estúpido no meio de tudo isto, costumam morrer mais muçulmanos do que cristãos, se quiserem colocar as coisas à maneira do D. Afonso Henriques.


Os Cartoonistas Hereges (Parte II)

Pois é. Os tais cartoons andam mesmo na boca do mundo. Pelo Planeta Islão - parece cada vez mais que habitamos em planetas diferentes - correm multidões ululantes (finalmente! uma hipótese de usar a palavra "ululante") de bandeira verde em punho e turbante meio torto na tola a gritar as palavras do costume (o Islão pelos vistos não tem aquela coisa de evocar o nome do Senhor em vão). Os governos do Planeta Cristo tentam meter água na fervura e pedem desculpa, que não voltamos a fazer, que foi distração.

Claro que foi um bocadinho parvo que os Dinamarqueses se tenham lembrado de fazer aquilo. Não era preciso ser o Professor Sorenssen - para quem não sabe, é o Paulo Cardoso dinarmaquês - para prever o resultado.

Por outro lado, é bem verdade que estas birrinhas do Islão são chatas. Principalmente porque morre gente de cada vez que eles se irritam. E, o mais estúpido no meio de tudo isto, costumam morrer mais muçulmanos do que cristãos, se quiserem colocar as coisas à maneira do D. Afonso Henriques.


sábado, 4 de fevereiro de 2006

The Shaggs


Imaginem que eram pobres, muito pobres. Que o vosso pai tinha um sonho e, com sacrifício, vos comprava e às vossas irmãs duas guitarras eléctricas e um kit básico de bateria. Que vos obrigava a aprender a tocar e a compor. E que, um belo dia, agarrava em vocês e vos levava a um estúdio, alugado com as economias de toda a vida, para gravarem um disco. E para rematar, imaginem que o homem que ficou de produzir os mil exemplares fugia com todos os discos excepto cem.
Por fim, imaginem ainda que o disco ficava esquecido durante anos até que alguém importante chamado Frank Zappa o mencionava numa entrevista como sendo um dos seus albúns favoritos de todos os tempos. Esta é a história de um grupo chamado "The Shaggs". Para alguns a pior banda de todos os tempos, para outros um fenómeno e objecto de culto. Eu cá, adoro a história.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Cartoonistas, esses herejes...

Isto vai andar nas bocas do mundo durante os próximos tempos. Tem todos os ingredientes para isso.

Um jornal decidiu pedir a um grupo de cartoonistas para desenharem o Profeta Maomé. E eles, toca a fazer caricaturas.

O problema é que os muçulmanos proibem qualquer forma de representação do Profeta por o considerarem um incentivo à idolatria. Por isso é que, ao contrário das igrejas católicas, não se vêem imagens numa mesquita.

Já estão a imaginar o que se passou a seguir. Tudo quanto é muçulmano a dizer cobras e lagartos, ameaças, acusações de racismo e xenofobia... O costume.

Alguém na União Europeia tentou mesmo condenar e proibir a divulgação dos desenhos alegando exactamente que estes eram xenófobos e racistas.

A questão que vai meter toda a gente a falar sobre isto centra-se exactamente neste ponto:

Será que é?

Ou seja, podem-se fazer desenhos do Jesus e do Papa a jogar golfe ou vestidos de Ronald McDonald mas não se pode fazer o mesmo com o Maomé?

Por outras palavras, é lícito limitar a liberdade de expressão?

Alguns vão dizer que temos de respeitar a religião alheia. Ora aí é que está. Não temos. A religião só diz respeito aos crentes.

Os não-crentes estão fora dessa dimensão divina exactamente porque não têm um credo ou religião. Não podem ser obrigados a jogar por outras regras que não sejam as da boa educação e sã convivência.

Fazer caricaturas do Profeta Maomé e de Jesus ou filmes como "A Vida de Brian" não infringem esses princípios. Vandalizar cemitérios judeus sim. Roubar santos de uma igreja ou apontar um flash a alguém que está a rezar também. Porque existem regras que são comuns a ambos os mundos e que se aplicam quer ao ser humano enquanto crente quer aos que não professam nenhuma religião.