As mães da Praça de Maio vão terminar as marchas que semanalmente efectuam no local que deu nome ao movimento. Consideram elas que: "o inimigo já não está na Casa Rosada como durante a ditadura, como com os anteriores Presidentes e a este Governo já não é preciso resistir-lhe, mas acompanhá-lo".
Quem não sabe do que estou a falar pode dar um salto aqui: www.madres.org
Este coiso aborda essencialmente nada em especial. É rigorosamente imprevisível. Inclui diversas referências ao nicles absoluto e contém níveis elevados de parvoíce. Em dias bons pode encontrar por aqui alguns textos medianamente interessantes sobre cinema, televisão, cultura popular e marketing.
Temas
cinema
(267)
parvoíces
(187)
internet
(169)
jornalismo
(117)
piadolas
(113)
televisão
(102)
sociedade
(96)
política
(89)
marketing e publicidade
(83)
música
(64)
notícias
(60)
portugal
(57)
desporto
(48)
economia
(46)
internacional
(28)
história
(25)
coisas artísticas
(20)
tecnologia
(16)
dilbert
(15)
livros
(15)
comida
(7)
coisas científicas
(1)
terça-feira, 24 de janeiro de 2006
terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Ai que irritado que eu estou!
Não sei o q é mais embirrante. Se o seguidismo, a uniformidade e o politicamente correcto se a falta de coragem para assumir ideias próprias e criar um estilo próprio.
Hoje, como não tinha grande coisa na cabeça ou que fazer, dei mais uma volta a uns quantos blogues e todos eles me pareceram iguais, sem interesse, empestados de comentários ao que outros escreveram ou comentando o comezinho e o dia a dia, o que está mesmo defronte dos cornos, emulando colunistas e comentadores de outras paragens.
Faltam ideias novas, notícias de outras paragens, interesse em subverter em assustar, em converter a realidade noutra coisa. a falta de imaginação neste país é uma doença que se pega. Mais do que preocupar-nos com a gripe das aves deviamos era estar todos cagadinhos de medo a um canto, tentando evitar que a doença nacional nos carcomesse os resquicíos de criatividade que possamos ainda ter nos nossos genes enfraquecidos por gerações de tomatinhos apertados nas calças justas cá do burgo.
Hoje, como não tinha grande coisa na cabeça ou que fazer, dei mais uma volta a uns quantos blogues e todos eles me pareceram iguais, sem interesse, empestados de comentários ao que outros escreveram ou comentando o comezinho e o dia a dia, o que está mesmo defronte dos cornos, emulando colunistas e comentadores de outras paragens.
Faltam ideias novas, notícias de outras paragens, interesse em subverter em assustar, em converter a realidade noutra coisa. a falta de imaginação neste país é uma doença que se pega. Mais do que preocupar-nos com a gripe das aves deviamos era estar todos cagadinhos de medo a um canto, tentando evitar que a doença nacional nos carcomesse os resquicíos de criatividade que possamos ainda ter nos nossos genes enfraquecidos por gerações de tomatinhos apertados nas calças justas cá do burgo.
Abrir e Fechar a Boca
Jackie what do you think, I just finished writting this but I mixed all the words and now I have no idea of how it was originally.
What should be up is now up
Idiomatic symptoms of idiocy may occur
I don’t like the feeling
It’s oh so simple, it’s oh so simple
Like playing guitar
This is really upsetting
Could not believe in some of the things this people say
I could spend hours looking at my watch
Believe it or not this is the real thing
A wig bought in a side street vendor
He smelled
I believe it is terribly difficult to work in those circumstances
But the main man knows, the main men knows
There has been carelessness and incompetence
Oh he is such a nice person…
Thanks but no thanks I'm a bit full
remember the time when we used to have good weather all the time?
Catch that ride
às vezes não te apetece distorcer a realidade só para ver se ela volta a ser como era?
What should be up is now up
Idiomatic symptoms of idiocy may occur
I don’t like the feeling
It’s oh so simple, it’s oh so simple
Like playing guitar
This is really upsetting
Could not believe in some of the things this people say
I could spend hours looking at my watch
Believe it or not this is the real thing
A wig bought in a side street vendor
He smelled
I believe it is terribly difficult to work in those circumstances
But the main man knows, the main men knows
There has been carelessness and incompetence
Oh he is such a nice person…
Thanks but no thanks I'm a bit full
remember the time when we used to have good weather all the time?
Catch that ride
às vezes não te apetece distorcer a realidade só para ver se ela volta a ser como era?
segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
As Doidonas Também Escrevem Poesia
Quando nos referimos a alguém como tendo escrito um poema que fala da sua vida, completamente centrado no "eu", é bem provável que estejamos a falar de poesia confessional.
Alguns dos melhores exemplos deste género de poesia foram escritos por Sylvia Plath. Nascida em 1932, teve uma depressão no seu primeiro ano na universidade, casou com um poeta inglês chamado Ted Hughes, teve duas filhas e acabou por se suicidar aos trinta anos de idade, altura em que já tinha desenvolvido uma valente doença mental. A senhora falava muito da morte, da morte e da morte. No meio disso tudo e da maluquice galopante ainda escreveu uns poemas bem giros, como "Lady Lazarus". Tomem lá estrato:
"And I a smiling woman.
I am only thirty.
And like the cat I have nine times to die."
Os valentes que quiserem ler o resto podem fazer o favor de clicar aqui .
Tanque iú.
Alguns dos melhores exemplos deste género de poesia foram escritos por Sylvia Plath. Nascida em 1932, teve uma depressão no seu primeiro ano na universidade, casou com um poeta inglês chamado Ted Hughes, teve duas filhas e acabou por se suicidar aos trinta anos de idade, altura em que já tinha desenvolvido uma valente doença mental. A senhora falava muito da morte, da morte e da morte. No meio disso tudo e da maluquice galopante ainda escreveu uns poemas bem giros, como "Lady Lazarus". Tomem lá estrato:
"And I a smiling woman.
I am only thirty.
And like the cat I have nine times to die."
Os valentes que quiserem ler o resto podem fazer o favor de clicar aqui .
Tanque iú.
Walt Whitman
Quem for mais distraído, do género que não sabe sequer que o Quirguistão é uma antiga república soviética cuja capital é Bishkek, pode nunca ter ouvido falar de Walt Whitman. Mas se lerem este verso: "O Captain! my Captain! our fearful trip is done", se calhar já se lembram de qualquer coisa. Talvez de um filme chamado "O Clube dos Poetas Mortos". Pois, o velho Whitman é o autor desse poema.
Quem quiser ler o " O Captain! My Captain" completo ou o "I Sing The Body Electric" que está na coluna do lado pode ir aqui .
Whitman é um dos poetas mais importantes dos Estados Unidos e um dos meus preferidos. Embora abordando variados temas, escreveu sobretudo sobre o seu pais, a América, num estilo épico e forte, de versos longos e livres, recheados de pessoas e de paisagens.
E sim, é verdade que existe uma forte sugestão de homossexualidade na sua obra, algo que Whitman nunca assumiu, descrevendo-se apenas como um homem casto.
Quem quiser ler o " O Captain! My Captain" completo ou o "I Sing The Body Electric" que está na coluna do lado pode ir aqui .
Whitman é um dos poetas mais importantes dos Estados Unidos e um dos meus preferidos. Embora abordando variados temas, escreveu sobretudo sobre o seu pais, a América, num estilo épico e forte, de versos longos e livres, recheados de pessoas e de paisagens.
E sim, é verdade que existe uma forte sugestão de homossexualidade na sua obra, algo que Whitman nunca assumiu, descrevendo-se apenas como um homem casto.
Abadia, Abadia, that's all folks!
O frade capuchinho coçou a orelha com a abençoada unhaca. Do orifício peludo retirou uma dada quantidade de cerúmen que sacudiu abanando a mão várias vezes. Frei Dagoberto, que passava pelos claustros a caminho das matinas, escorregou e estatelou-se nas lajes frias.
- Que descuidado sois Frei Dagoberto. Não haveís reparado no cerúmen?
O pobre monje esfregava simultaneamente a cabeça e o traseiro que, dada a sua constituição física a que alguns darão o nome de forte e outros de balofo, amorteceu uma boa porção do impacto.
- Oh, imprudência a minha! Todos neste mosteiro sabem que este é o vosso local predilecto para limpardes o orelhamese que por isso é fundamental cruzar esta parte dos claustros com especial cuidado.
- É verdade, meu simpático e anafado companheiro. Mas deixai que vos ajude a levantar. Está na hora das matinas e o Abade é muito rigoroso no que diz respeito à pontualidade.
- Que descuidado sois Frei Dagoberto. Não haveís reparado no cerúmen?
O pobre monje esfregava simultaneamente a cabeça e o traseiro que, dada a sua constituição física a que alguns darão o nome de forte e outros de balofo, amorteceu uma boa porção do impacto.
- Oh, imprudência a minha! Todos neste mosteiro sabem que este é o vosso local predilecto para limpardes o orelhamese que por isso é fundamental cruzar esta parte dos claustros com especial cuidado.
- É verdade, meu simpático e anafado companheiro. Mas deixai que vos ajude a levantar. Está na hora das matinas e o Abade é muito rigoroso no que diz respeito à pontualidade.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
Presunção e água-benta
Anúncio de rádio do Magnólia Café:
"blá blá blá e isto é muita moderno e a comida é muita boa e tal e blá, blá, blá, Magnólia Café....as novas tendências de fooding."
Não querendo parecer ignorante, lá fui ao Google. Neste site encontrei a seguinte definição:
"Encore absent des dictionnaires, le ''fooding'' désigne un nouvel art de vivre et de manger. ''Le mot englobe le fait de se nourrir avec classe, dans un bel endroit, à table, chez soi ou au restaurant, mais aussi la manière dont les plats sont préparés avec de nouvelles dispositions d'esprit : appétit de nouveautés et de qualité, refus de l'ennui, amour du bel ordinaire, envie de s'amuser en mangeant et surtout prendre son temps.
Le fooding c'est la nouvelle tendance suivie par de nombreux restaurateurs qui, dans un décor suivant un concept précis, mêlent dans une atmosphère souvent tamisée, des alchimies de nourriture, une ambiance musicale soignée et une clientèle branchée.
Lancée à Londres, la mode très ''branchée'' du ''fooding'' a gagné Paris, après New York, avec plusieurs restaurants emblématiques de la vie parisienne dont le Buddha Bar, l'Alcazar, Lô Sushi ou encore le Korova."
Se não sabem Francês vão aprender.
Independentemente da validade do modismo, parece-me que aplicar a palavra "fooding" em Portugal corre o risco de, sei lá fofas, dar uma imensa vontade de rir, não acham?
PS: este post tem links...não é o máximo????
"blá blá blá e isto é muita moderno e a comida é muita boa e tal e blá, blá, blá, Magnólia Café....as novas tendências de fooding."
Não querendo parecer ignorante, lá fui ao Google. Neste site encontrei a seguinte definição:
"Encore absent des dictionnaires, le ''fooding'' désigne un nouvel art de vivre et de manger. ''Le mot englobe le fait de se nourrir avec classe, dans un bel endroit, à table, chez soi ou au restaurant, mais aussi la manière dont les plats sont préparés avec de nouvelles dispositions d'esprit : appétit de nouveautés et de qualité, refus de l'ennui, amour du bel ordinaire, envie de s'amuser en mangeant et surtout prendre son temps.
Le fooding c'est la nouvelle tendance suivie par de nombreux restaurateurs qui, dans un décor suivant un concept précis, mêlent dans une atmosphère souvent tamisée, des alchimies de nourriture, une ambiance musicale soignée et une clientèle branchée.
Lancée à Londres, la mode très ''branchée'' du ''fooding'' a gagné Paris, après New York, avec plusieurs restaurants emblématiques de la vie parisienne dont le Buddha Bar, l'Alcazar, Lô Sushi ou encore le Korova."
Se não sabem Francês vão aprender.
Independentemente da validade do modismo, parece-me que aplicar a palavra "fooding" em Portugal corre o risco de, sei lá fofas, dar uma imensa vontade de rir, não acham?
PS: este post tem links...não é o máximo????
Ai que engraçado...
Ontem no jornal Metro, saiu uma notícia sobre os Hospitais SA onde se podia ler: "os Hospitais SA são um sucesso". Também ontem, na edição do Correio da Manhã, saiu outra notícia com o título: "Relatório arrasa Hospitais SA".
terça-feira, 10 de janeiro de 2006
Monsignore
Para quem não sabe o que é, aqui fica um pequeno texto retirado da Wikipédia:
Monsignore (italienisch: mein Herr) ist die Anrede für einen katholischen Priester, der vom Papst den Ehrentitel eines päpstlichen Hauskaplans (Kaplan seiner Heiligkeit) verliehen bekam.
Eine Würde ohne Bürde. Wen der Papst zum Ehrenkaplan ernennt, dem will er danken und ihm nicht zusätzliche Pflichten aufbürden. Als Zeichen der Würde trägt er eine schwarzen Soutane mit violettem Saum und violetten Knöpfen. Hierauf wird ein violettes Zingulum (Gürtel) aus Seide getragen. Als liturgische Kopfbedeckung trägt er ein schwarzes Barett (Kirche) mit einer violetten Quaste.
In einigen Ländern, z. B. Frankreich und Italien, werden auch die Bischöfe als Monsignori tituliert. Für gewöhnlich ist es dort auch die Anrede eines Ehrenprälaten. In Deutschland werden jedoch nur die eigentlichen Monsignores mit ihrem Titel angesprochen, Kardinäle, Bischöfe und Ehrenprälaten werden jeweils als "Herr Kardinal" usw. angeredet, zuweilen auch mit der alten Form Eminenz, Exzellenz, Hochwürdigster Herr Prälat.
Monsignore (italienisch: mein Herr) ist die Anrede für einen katholischen Priester, der vom Papst den Ehrentitel eines päpstlichen Hauskaplans (Kaplan seiner Heiligkeit) verliehen bekam.
Eine Würde ohne Bürde. Wen der Papst zum Ehrenkaplan ernennt, dem will er danken und ihm nicht zusätzliche Pflichten aufbürden. Als Zeichen der Würde trägt er eine schwarzen Soutane mit violettem Saum und violetten Knöpfen. Hierauf wird ein violettes Zingulum (Gürtel) aus Seide getragen. Als liturgische Kopfbedeckung trägt er ein schwarzes Barett (Kirche) mit einer violetten Quaste.
In einigen Ländern, z. B. Frankreich und Italien, werden auch die Bischöfe als Monsignori tituliert. Für gewöhnlich ist es dort auch die Anrede eines Ehrenprälaten. In Deutschland werden jedoch nur die eigentlichen Monsignores mit ihrem Titel angesprochen, Kardinäle, Bischöfe und Ehrenprälaten werden jeweils als "Herr Kardinal" usw. angeredet, zuweilen auch mit der alten Form Eminenz, Exzellenz, Hochwürdigster Herr Prälat.
O que é o buraco nove?
Segundos apenas após a publicação do post "O Buraco Nove" já um leitor atento me ligava. Após os insultos da praxe, a pessoa em questão perguntou-me: "olha lá ó Steed afinal que raio queres dizer com isso do buraco nove?" E eu respondi-lhe no meu melhor sânscrito: Ó Abel, a referência ao buraco nove é uma metáfora para o meio da vida, a entrada na meia-idade, os quarenta...sim, porque um campo de golfe tem 18 buracos logo o buraco nove será mais ou menos o meio. Aaaah, respondeu-me o Abel, tipo burro que nem uma porta e com um hálito fedorento capaz de cegar uma pessoa.
O Buraco Nove
I don't think
we'll pass through hole nine
and we'll surely won't
get back on time Lisa Mae
é bom olhar pela janela
ver as luzes estroboscópicas de Tóquio
cheirar os odores histéricos de Pequim
ouvir as vozes flamejantes de Timbuctu.
é bom.
Mas nada se compara a um dia de salsa e merengue
rodeado de belas mulatas e fumando um puro cubano.
Isso, ou então estar em plena sala de operações e descobrir que o cirurgião é um doente mental com tremuras e tiques por todo o corpo.
Isso, ou cair para o lado em plena Quinta Avenida e esperar que um taxi amarelo nos passe por cima.
Ou então nada
Baixar as expectativas
Ser feliz com o que se tem
Fazer diários insonsos
Escondermo-nos na rotina
Compilar bocejos e coçadelas
we'll pass through hole nine
and we'll surely won't
get back on time Lisa Mae
é bom olhar pela janela
ver as luzes estroboscópicas de Tóquio
cheirar os odores histéricos de Pequim
ouvir as vozes flamejantes de Timbuctu.
é bom.
Mas nada se compara a um dia de salsa e merengue
rodeado de belas mulatas e fumando um puro cubano.
Isso, ou então estar em plena sala de operações e descobrir que o cirurgião é um doente mental com tremuras e tiques por todo o corpo.
Isso, ou cair para o lado em plena Quinta Avenida e esperar que um taxi amarelo nos passe por cima.
Ou então nada
Baixar as expectativas
Ser feliz com o que se tem
Fazer diários insonsos
Escondermo-nos na rotina
Compilar bocejos e coçadelas
El lingo no és fácil
De facto...parece que as religiões estão com um problema.
Hoje é muito mais difícil ser crente do que há umas centenas de anos. À medida que surgiram soluções para aqueles probleminhas que nos atormentavam - de onde vem o fogo? qual a forma do planeta? como explicamos o dia e a noite? - as explicações sobrenaturais foram deixando de ser necessárias. Ao deixarmos para trás um sem número de doenças e epidemias misteriosas, ao criarmos sociedades que nos permitem tempos de lazer e segurança - hoje já ninguém tem um poder arbitrário de vida ou de morte sobre nós e já ninguém nos obriga a trabalhar até cairmos fisicamente exaustos - fomos também ganhando confiança na nossa humanidade e perdendo a necessidade de acreditar na vida para além da morte, em forças divinas que nos salvariam da chafurdice e da miséria.
Estou a falar claramente das sociedades modernas ocidentais. Aquelas em que as religiões estão a perder terreno, em que se fala de crise de valores e de fé. As mesmas em que é difícil encontrar quem se queira dedicar em exclusivo a Deus - seja padre, monge ou freira.
Nas outras, naquilo a que chamamos terceiro mundo, onde a segurança, a condição económica que permita algo mais do que a sobrevivência e o acesso ao conhecimento que liberta de medos antigos não existe, precisamente aí, a religião ainda consegue influenciar e mover os indivíduos.
Hoje é muito mais difícil ser crente do que há umas centenas de anos. À medida que surgiram soluções para aqueles probleminhas que nos atormentavam - de onde vem o fogo? qual a forma do planeta? como explicamos o dia e a noite? - as explicações sobrenaturais foram deixando de ser necessárias. Ao deixarmos para trás um sem número de doenças e epidemias misteriosas, ao criarmos sociedades que nos permitem tempos de lazer e segurança - hoje já ninguém tem um poder arbitrário de vida ou de morte sobre nós e já ninguém nos obriga a trabalhar até cairmos fisicamente exaustos - fomos também ganhando confiança na nossa humanidade e perdendo a necessidade de acreditar na vida para além da morte, em forças divinas que nos salvariam da chafurdice e da miséria.
Estou a falar claramente das sociedades modernas ocidentais. Aquelas em que as religiões estão a perder terreno, em que se fala de crise de valores e de fé. As mesmas em que é difícil encontrar quem se queira dedicar em exclusivo a Deus - seja padre, monge ou freira.
Nas outras, naquilo a que chamamos terceiro mundo, onde a segurança, a condição económica que permita algo mais do que a sobrevivência e o acesso ao conhecimento que liberta de medos antigos não existe, precisamente aí, a religião ainda consegue influenciar e mover os indivíduos.
sábado, 7 de janeiro de 2006
quarta-feira, 4 de janeiro de 2006
El news
Estou a pensar seriamente em criar uma versão deste blog em castelhano. Em princípio irá chamar-se "Señor Esteed".
*****
Agora a sério, já alguém reparou que o Nilton não tem piada? Se sim, porque razão é que ele passa uma hora a falar na televisão?
*****
Ler os comentários nos sites do Record e do Correio da Manhã é um exercício divertido. Uma espécie de versão escrita das entrevistas nos notíciários de televisão quando fazem perguntas a esse grupo a que chamam "populares".
*****
Porque razão é que uma mão anónima deu um estalo num senhor gordo em pleno aeroporto? Quem era o senhor gordo? A quem pertencia a mãozita malandra? Quem são Manduca e Pituca? Não se chamam assim? E o que é que isso interessa?
*****
Acabei de ler o "Código Da Vinci" e... achei uma bela merda. Deve ser bonzito para quem não sabe peva de história ou não quer saber - estão no vosso direito, eu também não quero saber quem são o Manduca e o Bazaruca. De início, irritou-me o facto de o autor se ver na obrigação de explicar algumas particularidades Europeias aos seus leitores Americanos. Mas depois pensei: "não te chateies, eles precisam mesmo. Afinal, elegeram o Bush e acreditaram que o Iraque tinha armas de destruição em massa..."
*****
Muito interessante o facto de termos visto Mário Soares a comer um pastel de nata no meio de um entrevista informal para a SIC. Acho que todos ficámos mais descansados por saber que ele ainda consegue acertar com um bolo dentro da boca sem auxílio.
*****
Ontem à noite, antes de adormecer, pus-me a pensar no que me disse o Alcino, o arrumador de carros da João Crisóstomo. Acho que já escrevi aqui que acho o homem um génio, um ser íntegro, que prefere arrumar carros a sujeitar-se às convenções da sociedade e que escolheu assoar-se às mangas do casaco a sacrificar os seus ideais. Dizia-me ele, na véspera de Ano Novo: "Sabes, ó engravatadinho..." - ele trata-me assim, por engravatadinho - "já li muitos livros, não os suficientes mas mesmo assim muitos, leio à noite à luz de uma vela. Lixa-me a vista, mas eu só gosto de ler assim. A luz eléctrica dá cabo das narrativas, pá. Desfaz a poesia num pó fininho que se mete nos pulmões. Corroi as biografias e transforma-as em barras de ferro ferrugentas. Mas dizia-te eu que já lí muitos livros e em nenhum deles consegui saber para que lado fica a soberba intermitência das almas."
Fiquei a matutar naquilo durante horas. Finalmente, quando a ameaça do despertador estava próxima e o sol começava a nascer, descobri. Aquilo que o Alcino me disse, não queria dizer rigorosamente nada. Adormeci satisfeito e cheguei duas horas atrasado.
*****
Agora a sério, já alguém reparou que o Nilton não tem piada? Se sim, porque razão é que ele passa uma hora a falar na televisão?
*****
Ler os comentários nos sites do Record e do Correio da Manhã é um exercício divertido. Uma espécie de versão escrita das entrevistas nos notíciários de televisão quando fazem perguntas a esse grupo a que chamam "populares".
*****
Porque razão é que uma mão anónima deu um estalo num senhor gordo em pleno aeroporto? Quem era o senhor gordo? A quem pertencia a mãozita malandra? Quem são Manduca e Pituca? Não se chamam assim? E o que é que isso interessa?
*****
Acabei de ler o "Código Da Vinci" e... achei uma bela merda. Deve ser bonzito para quem não sabe peva de história ou não quer saber - estão no vosso direito, eu também não quero saber quem são o Manduca e o Bazaruca. De início, irritou-me o facto de o autor se ver na obrigação de explicar algumas particularidades Europeias aos seus leitores Americanos. Mas depois pensei: "não te chateies, eles precisam mesmo. Afinal, elegeram o Bush e acreditaram que o Iraque tinha armas de destruição em massa..."
*****
Muito interessante o facto de termos visto Mário Soares a comer um pastel de nata no meio de um entrevista informal para a SIC. Acho que todos ficámos mais descansados por saber que ele ainda consegue acertar com um bolo dentro da boca sem auxílio.
*****
Ontem à noite, antes de adormecer, pus-me a pensar no que me disse o Alcino, o arrumador de carros da João Crisóstomo. Acho que já escrevi aqui que acho o homem um génio, um ser íntegro, que prefere arrumar carros a sujeitar-se às convenções da sociedade e que escolheu assoar-se às mangas do casaco a sacrificar os seus ideais. Dizia-me ele, na véspera de Ano Novo: "Sabes, ó engravatadinho..." - ele trata-me assim, por engravatadinho - "já li muitos livros, não os suficientes mas mesmo assim muitos, leio à noite à luz de uma vela. Lixa-me a vista, mas eu só gosto de ler assim. A luz eléctrica dá cabo das narrativas, pá. Desfaz a poesia num pó fininho que se mete nos pulmões. Corroi as biografias e transforma-as em barras de ferro ferrugentas. Mas dizia-te eu que já lí muitos livros e em nenhum deles consegui saber para que lado fica a soberba intermitência das almas."
Fiquei a matutar naquilo durante horas. Finalmente, quando a ameaça do despertador estava próxima e o sol começava a nascer, descobri. Aquilo que o Alcino me disse, não queria dizer rigorosamente nada. Adormeci satisfeito e cheguei duas horas atrasado.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2005
Fun Fun Fun

Those days, tinhamos cortes de cabelo decentes.
Ninguém usava tatuagens nem piercings e ninguém arrumava carros.
Entretanto, conheci as pessoas de que ouvimos falar nos livros.
Os brincos das raparigas pareciam porta-chaves.
O sexo era uma caixa embrulhada em papel pardo.
Os meus amigos tinham borbulhas na cara e assobiavam.
E os movimentos de dança eram repetidos as vezes que fosse preciso.
O cinismo era invulgar. Nesses dias eu era um herói.
Os revolucionários eram mortos à nascença para que não chateassem o mundo com as suas ideias.
Bebia-se para matar as bactérias e não para ficarmos mais felizes.
Quem não tinha namorada parecia sempre bem e tinha mais tempo livre.
Ninguém se fazia passar por homossexual para conseguir um emprego.
As noites de Verão eram realmente quentes.
Todos tínhamos boas memórias.
Psycho Killer: Q'est-ce que c'est?
Ninguém usava tatuagens nem piercings e ninguém arrumava carros.
Entretanto, conheci as pessoas de que ouvimos falar nos livros.
Os brincos das raparigas pareciam porta-chaves.
O sexo era uma caixa embrulhada em papel pardo.
Os meus amigos tinham borbulhas na cara e assobiavam.
E os movimentos de dança eram repetidos as vezes que fosse preciso.
O cinismo era invulgar. Nesses dias eu era um herói.
Os revolucionários eram mortos à nascença para que não chateassem o mundo com as suas ideias.
Bebia-se para matar as bactérias e não para ficarmos mais felizes.
Quem não tinha namorada parecia sempre bem e tinha mais tempo livre.
Ninguém se fazia passar por homossexual para conseguir um emprego.
As noites de Verão eram realmente quentes.
Todos tínhamos boas memórias.
Psycho Killer: Q'est-ce que c'est?
A Cerveja Perfeita de Jimmy Dean

Bolas Jimmy Dean! Como está fria a tua cerveja.
Aos dez e oito dias do terceiro mês da quinta encarnação do senhor, abri o frigorífico e dei de caras com a cerveja fria de Jimmy Dean. Abanei a cabeça e pestanejei uma série de vezes, boquiaberto como um camaleão asmático.
Meio mundo anda atrás desta relíquia, tão ou mais desejada do que o Sudário dito santo ou que o ossinho da clavícula do Loyola que também era santinho.
Fechei o frigorífico e, com cara de menina tímida, encostei as costas à porta com as mãos ao longo do corpo e dei largas ao meu pânico: se a cerveja fria de Jimmy Dean estava ali, isso queria dizer que alguém a tinha posto lá. Quem?
Os intestinos deram uma volta completa dentro da minha barriga e o marinheiro hábil que vivia dentro de mim nos meses de Verão deu mais vinte nós no meu estômago.
Dez minutos mais tarde olhava de novo para a cerveja sempre gelada de Jimmy Dean. A cerveja perfeita, a que refrescava qualquer sala com sua presença, o Verão Perfeito como alguns lhe chamavam, irradiava frescura e causava-me sede, a mim, como a tantos outros em tempos passados, desde que Jimmy Dean tirou aquela cerveja à pressão e a ofereceu a um amigo antes de se ir estampar no seu Porsche branco.
O copo alto era perfeitamente vulgar. O que tornava aquela visão inesquecível era o fresco à sua volta que se impunha como um rei ao passar pelos seus súbditos, o gás que subia pelo copo sem nunca parar, a espuma sempre perfeita, coroando o conjunto.
Play Misty for me...
Play Misty for me...
a frase é de um filme.
ele disse-me isto enquanto segurava a garrafa na mão esquerda.
isto sabe a duche de água quente depois de apanhar uma chuvada. a abraços fortes de quem se tem saudades.
Play Misty for me pá...e vai mas é comprar mais cerveja.
a frase é de um filme.
ele disse-me isto enquanto segurava a garrafa na mão esquerda.
isto sabe a duche de água quente depois de apanhar uma chuvada. a abraços fortes de quem se tem saudades.
Play Misty for me pá...e vai mas é comprar mais cerveja.
terça-feira, 27 de dezembro de 2005
Uma coisa é certa...
...alguns governantes, atacados do síndrome Português da "chico-espertice", estão a semear o medo do terrorismo para instaurar medidas securitárias. Se quisermos ser cínicos, podemos concluir que essas medidas também servirão para proteger os governos e os partidos no poder de actividades legítimas efectuadas dentro do sistema democrático por grupos de cidadãos, ONGs ou partidos da oposição.
Agora a sério...
Não faço isto muitas vezes mas acho que vale a pena ler esta análise do ano que está a terminar.
Dois avisos:
a) Tem muitas letras e quase nenhuns bonecos.
b) É de esquerda. Nova esquerda. A esquerda que está a nascer, livre dos grilhões do comunismo. A esquerda que defende a intervenção social dos estados, ambientalista e limitadora dos poderes das grandes corporações. Essa esquerda. Até ver, é um contraponto ao liberalismo e ao conservadorismo religioso ou, como eu gosto de lhe chamar, os nossos talibans.
P.S. - Atenção, esta é apenas uma maneira de ver as coisas. Não tomem nada como verdade absoluta.
Os Provincianos II
Afinal, esta história não acabou.
A comunicação social, sempre empreendedora, descobriu outro site com apostas sobre as Presidenciais.
Uí, cairam o Carmo e a Trindade outra vez.
Seria de esperar que os jornalistas fossem menos provincianos do que os candidatos? Infelizmente não.
A CNE mostra-se desconfiada e promete investigar.
Está bem... E depois, vão fechar todos os sites de apostas no mundo?
E a comunicação social? Irá continuar a investigar este caso tão importante?
Eu pelo meu lado, prometo não voltar a tocar no assunto. O próximo post será sobre renas e gastronomia canadiana.
Subscrever:
Mensagens (Atom)