segunda-feira, 6 de junho de 2005

Peúgas, gravatas e collants

Parece que a CGD, instituição que tem pergaminhos na arte de complicar acaba de lançar um programa para os seus empregados que visa controlar o modo como se vestem.

O tamanho das saias, a obrigação de usar collants, o comprimento das gravatas das peúgas e das calças, a maquilhagem como meio de poder vir a ter mais aumentos, nada escapou neste projecto.

Ai que vontade de rir. Ai que vontade incontrolável de rir.

Compostagem

A palavra pode muito bem estar certa, mas embirro com ela. "Postagem".

quinta-feira, 12 de maio de 2005

Os Agarrados

Querido diário,

Tive muitas saudades tuas.

Venho hoje falar-te de umas pessoas a que chamo "os agarrados". Não, não são os senhores que andam por aí a fazer pela vida, a cravar moedinhas em troca de lugares nos parques de estacionamento e de uns valentes "destorça!! destorça!!".

Estes agarrados, normalmente não cheiram assim tão mal, têm excesso de peso em vez de parecerem comidos pelas carochas e não lidam com moedinhas. Aliás nem sequer têm porta-moedas porque isso é coisa de gente pobre. Estes, são figuras públicas, nacionais ou locais e, são agarrados ao poder. São viciados nas pequenas mordomias que a sua posição lhes oferece. O melhor lugar no restaurante, os flashes dos fotógrafos, as grandes entrevistas na televisão onde falam aquele estranho idioma dos "agarrados", o "Fala-Baratês" ou "Se-falares-mais-alto-do-que-os-outros-mesmo-que-só-estejas-a-dizer-baboseiras-consegues-
que-ninguém-te-faça-frentês". Este último, embora tenha um nome complicado, é na realidade fácil e consiste em criar um muro de ruído à nossa volta (também chamado de "Técnica Phil Spector") e impedir que os outros consigam construir frases com mais do que duas sílabas.


Os tempos têm sido maus para os "agarrados". Têm sido expulsos, corridos, saneados ou - prática comum no mundo dos "agarrados" - constituídos arguidos. Mas insistem em manter-se alapados aos seus lugares, recusando as demissões porque "quem não deve não teme", "só não sente quem não é filho de boa gente" ou "se eu saio daqui que porra é que vou fazer da minha vida?".

Vamos ver quantos se safam. Se forem muitos, isto anda de cavalo para burro. Se uns quantos cairem de vez, já valeu o esforço.

Fica bem querido diário. Espero poder voltar a falar contigo em breve.



quinta-feira, 28 de abril de 2005

Pintar

Deixa-me pintar o teu coração ferido
disfarçar as manchas e dores profundas
com pinceladas curtas deixa-me
ser suave e distraído.

deixa-me fazer suar na tua pele
um calor raivoso de cores quentes
e pelas linhas infinitas do teu corpo
criar todos os passos de um amor infiel.

da inconstância há que fazer nascer luz
que projecte uma tímida mistura de serenidade

e firmes declarações de incondicional afecto
para além da claridade simples destes corpos nús

sábado, 23 de abril de 2005

Hitler In My heart

Roubei o título de uma canção de Antony And The Johnsons para dar nome a este texto. Serve de introdução à defesa de uma ideia. De que a humanização de Adolf Hitler não é algo negativo e mau mas que, pelo contrário, contribui para nos manter alerta contra outros que possam tentar copiá-lo de um modo ou outro.

Hoje fui ver o filme Der Untergang, o tal de que tanto se fala. O tal com Bruno Ganz no papel de Adolf Hitler. O filme teve grande cobertura quer no Público, quer no Expresso, mais do que é normal e, ainda mais raro, com algum interesse. Há quem tenha gostado do filme e quem o tenha detestado. O que mais me incomodou na crítica de uma senhora que não gostou, foi o facto de ela, como outros por esse mundo fora, achar que é negativo mostrar Hitler como um ser humano, e que algumas pessoas podem ganhar alguma simpatia pelos personagens.

O filme não alterou em nada a minha visão sobre o assunto. É um filme seco, quer em termos de realização - não tem nenhuma cena grandiosa, não existem sequências de encher o olho - quer em termos de narrativa - muitos dos diálogos são reproduções do que já se sabia, contado a partir de fontes presenciais como Frau Junge, a secretária, e outros que acrescentaram fragmentos à descrição daqueles últimos dias do Terceiro Reich a partir de Berlim e do Bunker. Já se sabia o destino dos intervenientes e como tudo decorreu.

A força de Untergang, reside nesta secura, na simplicidade com que tudo nos é apresentado. O filme incomoda porque prova que tudo foi feito por pessoas e não por caricaturas estereotipadas, entidades maléficas possuídas por algum estranho mal. É precisamente esta "humanidade" que perturba e marca. A morte chega sem se fazer anunciar, sem trombetas ou rufar de tambores.

Executar alguém é simplesmente dar-lhe um tiro, a pessoa cai e acabou-se. Sem direito a banda sonora ou epílogo. A guerra é algo estranho e surreal, por vezes ridícula e sempre cega. O pior que se fez ao longo do tempo foi caracterizar os nazis como tipos muito maus, do género vilão dos westerns.

O ser humano carrega em si a violência, a crueldade, o horror. Existem muitos Hitlers em potência, nasce um todos os dias. Felizmente, as circunstâncias não permitem que eles surjam como tal. Pol Pot, Estaline, Mao e outros que tais, também deram rédea livre ao Hitler que tinham no coração. Também eles criaram uma aura de quase imortalidade, de infalibilidade, algo que durante anos lhes permitiu mandar matar e ter gente ao seu serviço que cumprisse essas ordens.

Muitos casos de crimes feitos com uma violência mórbida, sádica e doentia, foram cometidos por tipos com um ar comum, que falavam normalmente, nem sequer eram vegetarianos e não tinham um bigodinho aparado nas pontas. Eles tinham Hitler no coração.

Há muito quem pense que se deve esconder o nacional-socialismo, que não se falando de Hitler, de Goebbels, de Himmler ou de Bormann se evita que um mal semelhante volte a acontecer. A histeria é má conselheira. Se ninguém quer que um Holocausto se repita - e em Holocausto incluo também a morte de milhões de russos, japoneses, polacos, ingleses, franceses, italianos, belgas, holandeses, chineses e tantos outros afectados pela guerra - há que conhecer bem o mal que o causou.

Sim, Hitler era humano. Não sabiam?




quarta-feira, 20 de abril de 2005

A Eleição Que Não Foi

Cardeal Tettamansa: Isto está complicado. 'Tou a ver que nunca mais saímos daqui.

Cardeal Abigodou: Ninguém se põe de acordo. Cada um puxa para seu lado.

Cardeal Jones: Nem há míudos nem nada.

Cardeal Rato: Ó Jones, cala-te lá com essa que já ninguém te pode ouvir. Já te safámos de boa lá em Boston mas nem mesmo aqui no Vaticano tens emenda.

Cardeal Hiroshiku: Se ao menos alguém se oferecesse...ainda era capaz de chegar a tempo do sushi de baptizado da minha sobrinha-neta Mariko em Hokkaido.

Cardeal Brutamontti: Isto não é tipo Euromilhões em que se metem umas bolas a andar à roda e saiem uns números. É suposto sermos iluminados pelo Espírito Santo para esta escolha.

Cardeal Gordinni: Ó coleguinha....você sabe muito bem que o Espírito Santo não põe os butes num conclave desde que o São Pedro morreu e foi para porteiro do vocês-sabem-quem lá no reino dos céus. Por isso é que temos de escolher o Papa à porta fechada para que lá fora não pensem que somos uns tótós a quem já nem sequer o Espírito Santo liga.

Cardeal Rato: Se quiserem eu tenho uns amigos no BCP em Lisboa....

Cardeal Ramirez: Lá estás tu com piadinhas outra vez...

Cardeal Pirisca: Olhem lá, onde se meteu o Policarpo?

Cardeal Raikkonen: Ora, deve estar lá fora a fumar um cigarrito como sempre...aquele tipo é uma autêntica chaminé.

Cardeal Rato: Ai está? Ó pessoal, cheguem lá aqui....A única chance que temos de despachar isto antes do fim-de-semana é nomearmos o Policarpo enquanto o gajo está distraído.

Cardeal Panchito: Mas ó Rato....isso não é assim tipo....sei lá....pouco claro?

Cardeal Barchetta: Como se isso alguma vez nos tivesse impedido de fazer o que quisessemos. Mesmo quando nos enganámos a contar os votos e escolhemos o JP1, bastaram dois mesitos para corrigir o erro...

Cardeal Rato: Chhhiiuuuuu.....'tás doido? Combinámos que nunca mais se tocava nesse assunto!

Cardeal Zambu: 'Tá combinado. Quem concorda em eleger o chaminé....uh....o Policarpo, que meta o braço no ar!

Cardeal Tettamansa: Ganhou! Ganhou! Nem é preciso contar!

Cardeal Policarpo: Ora então cá estou eu de volta. Podemos recomeçar....

Cardeal Tettamansa: Uh....ó Policarpo...

Cardeal Policarpo: Sim?

Cardeal Rato: Temos uma boa notícia para ti.

Cardeal Policarpo: Ai sim? Conseguiram arranjar SG Gigante???

Cardeal Tettamansa: Uh...não...

Cardeal Rato: Olha pá, parabéns, és o novo Papa. Toma lá a fatiota, és um médio não é? Diz aí ao Chileno que nome é que escolhes, para eu poder ir fazer a coisa dos fuminhos e já está.

Cardeal Policarpo: Hein? Papa? Eu? Que é lá isto? Eu nem trouxe muda de roupa interior para mais de uma semana e para mais, depois quem é que me faz a vindima lá na terra?

Cardeal Jones: 'Tá escolhido, 'tá escolhido!

Cardeal Policarpo: Cala-te ó papa-putos!

Cardeal Zambu: Então! Ó Policarpo, cuidado com as piadas.

Cardeal Policarpo: Desculpem. Exaltei-me. Mas eu não posso ser Papa. O Papa tem de ser escolhido por todos os cardeais e eu não estava na sala na altura da votação.

Cardeal Jones: Estivesses!

Cardeal Policarpo: Ó Tettamansa tu agarra-me que eu vou-me ao americano!!!

Cardeal Tettamansa: Calma! Calma! Ó Policarpo, isso é uma tecnicalidade....

Cardeal Rato: Aceita lá pá....A fatiota até te vai ficar bem....e depois, com a história de Fátima, vais poder ir a Portugal montes de vezes. Olha, o JP2 estava sempre lá caído.

Cardeal Policarpo: Não, não e não! Lá por eu ser fumador não me lixam! Já bem me basta não poder fumar nos aviões!

Cardeal Alcadimontti: Hein! Já 'tá na hora?

Cardeal Rato: Cala-te e continua a dormir!

Cardeal Barchetta: Nós é que estamos lixados....toda a gente tem a sua vidinha organizada lá na terra e ninguém se quer mudar para o Vaticano. Irra!

Cardeal Tettamansa: Ó Rato....tu é que podias ficar como Papa. Já conheces os cantos à casa, já vives cá desde o tempo em que o JP ainda ia nadar e tudo. Para ti fazia menos transtorno...

Cardeais todos juntos: Isso! Isso! Aceita! Aceita!

Outros Cardeais: Rato! Rato! Rato! Olé! Olé! Olé! Só eu sei....porque não rezo em casa!!!!

Cardeal Rato (atónito): Vocês estão a lixar-me!

Cardeal Tettamansa: Vá lá Ratinho...o JP2 gostava de ti e tudo...

Cardeal Rato: Bom....com essa tocaste-me o coração....aceito!

Cardeais: Viva!!!!! Viva!!!!

Cardeal Rato: Ó Gonzalez, podes preparar o discurso e dizer ao povo que eu me quero chamar Anacleto III.

Cardeal Arttamaghi: Chiça! Que nome mais feio!

Cardeal Policarpo: Por acaso...

Cardeal Rato: Tu 'tá mas é calado senão ainda voltamos atrás...

Cardeal Policarpo: Já cá não 'tá quem falou....vou ali fora fumar um cigarrito para comemorar...

Cardeal Rato: Olhem, então não sei.....que tal um que já tenha saído muitas vezes? Já sei! Bennedicto XVI!

Cardeal Schumacher: Seja! Bennedito XVI será.

Cardeal Gonzalez: Com quantos "X" se escreve dezasseis?

Cardeal Rato: Mandem lá vir a fatiota...raios, será que aquilo me serve....?

Do Meio da Rua Saiu Um Cheiro Bizarro

Do meio da rua saiu um cheiro bizarro, a pedir coscuvilhice impiedosa. Senhora Dona Conceição,  mestra na dita arte, espetou o nariz fora do estabelecimento e mirou, esquerda e direita, à vez, em busca do singular odor. Mas o cheirinho indefinido fugia-lhe das narinas a cada vez que estava pronta para o abichar. 

Senhora Dona Conceição, decidiu avançar e exibir o corpinho avantajado pela rua, banha acima e banha abaixo, num ritmo constante e desengonçado, quase um be-bop modernaço. 

O cheiro bizarro, insidioso e desconhecido pairava, uma vez aqui outra acolá, diluído entre as paredes dos edifícios antigos, legado da mourama que habitou o bairro em tempos ancestrais. 

A Dona, que também era Senhora desde o dia em que o esposo Armindo a havia desposado na Igreja de Santo António, no feriado do amado Santinho, desesperava em buscar o que dera origem à sua gloriosa demanda, em bata e chinelos, na hora em que o sol a pino dava sinal de que a manhã tinha acabado. O calor de Agosto fazia-a suar e os pingos escorriam-lhe pelo corpo, dando-lhe ganas de coçar em partes que uma Senhora Dona nunca se atreveria a coçar em público.

Finalmente Maria da Conceição descobriu. Pela janelinha do segundo andar de um prédio pintado de azul gasto, grafitado e velho como todos por aquelas bandas, saia um fuminho leve, elegante no deslizar - podia mesmo dizer-se sensual - de um modo distraído, ingénuo.

A Dona, Senhora e Maria da Conceição, esposa do Senhor Armindo, tudo junto numa só pessoa, sabia quem vivia naquela casa. Era Dona Micaela, a cabo-verdiana, cozinheira dos sete costados, tão boa na arte da petiscada como a sua vizinha era na quadrilhice.

Uma cabeça espreitou lá de cima, Senhor João, esposo amado de Dona Micaela. Carapinha grisalha, curtinha porque o calor aperta, cara séria mas simpática.

- Boa tarde Dona Conceição! Vai uma cachupa aqui com a gente? Chega para todos!


Habemus what???

Ratzinger, mal cabia em si de contente. Fátima Campos Ferreira e o Padre tolo falharam em tentar adivinhar o tamanho das vestes. O ex-chefe do Santo Ofício não escolheu o tamanho médio, nem o grande. O extra grande foi o único em que coube toda a ambição e o orgulho por ter cumprido o seu objectivo.

Ratzinger. Os cardeais decidiram pela estagnação, quem sabe se pelo retrocesso. Era isto que o Papa Polaco queria? Ou terão sido os cardeais mais papistas que o Papa mesmo depois de ele estar morto?

Agora podemos ser primários e lembrar que Ratzinger foi membro da Hitler Jügend ou que pegou em armas em '45 fazendo parte da guarnição de uma peça de anti-aérea?

Na realidade, quase nenhum alemão da sua idade escapou às organizações nacionais-socialistas ou a fazer parte do exército. Quem se recusasse morria, era simples. Os espertos alinharam com o resto. E Ratzinger é esperto. Não teve vocação para mártir. Aceito. Eu próprio faria o mesmo.

Mas eu não sou Papa. Ratzinger é.

Também podemos forçar relações simbólicas entre o nome escolhido pelo novo líder dos Católicos e o facto do Papa que antes usou o nome Benedito ter sido o que não conseguiu evitar que os católicos Europeus se matassem aos milhões entre 1914-1918. O homem perdeu uma grande parte do seu rebanho naqueles anos, mesmo descontando protestantes, anglicanos, ortodoxos, muçulmanos, etc.

Mas, o que me assusta em Ratzinger não é o facto de ter pegado em armas ou ter passado tempo na Juventude Hitleriana. Assusta-me o que ele representa.

Como não católico, Ratzinger não tem qualquer influência directa na minha vida. Mas realísticamente, o catolicismo rodeia-me e afecta a vida de muita gente que eu conheço. As ideias que defende, o conservadorismo quase medieval, a insistência na supremacia de uma religião em relação às outras é exactamente o oposto daquilo que precisamos neste momento. Com o jeito untuoso que, infelizmente, caracteriza muitos sacerdotes, e outros métodos mais sofisticados que sabe usar muito bem, Benedito XVI não é muito diferente dos outros extremistas que polulam por aí noutros credos, noutras paragens.
Nota de rodapé: os meninos do Escrivá devem estar radiantes

segunda-feira, 28 de março de 2005

Texto a apelar ao boicote à Fátima Lopes designer de moda

Estive para lhe chamar modista. Modista no sentido de pessoa que cria modas. Mas não.

O que interessa é dizer que existe uma diferença entre criação de modas e parvoíce pura e simples.

A Fátima anda por aí a dizer, para quem a quer ouvir ou ler, que a "fase contra as peles" já terminou, que nas peças de roupa que cria "só utiliza peles verdadeiras".

Eu acho que a utilização de peles de animais deve ser evitada sempre que possível. Que a utilização de peles de animais de espécies com problemas de preservação, ou de animais que não sejam utilizados comunmente na alimentação humana, deve ser totalmente banida.

Porque não é necessário.

Porque existem materiais sintéticos que substituem com vantagem as peles de animais.

É fútil. Cruel. Estúpido.

Porque a indiferença e o não querer saber de quem passa a vida num mundo de "gente bonita" onde tudo tem de ser lindo é um insulto.

E eu sinto-me insultado.

O apelo aqui é claro: entupam-lhe o correio electronico de e-mails de protesto, deixem abaixo assinados nas lojas, mandem cartas com chamadas de atenção para a CARAS (e já agora ameacem que deixam de comprar a revista) que está a oferecer objectos criados pela Fátima Lopes, dispam-se na rua ou gritem no metro mas façam alguma coisa. O site da associação www.animal.org.pt é um bom ponto de partida.

A opinião pública em Portugal tem de se fazer ouvir.



AVISO: Se gostam mesmo de animais não vejam o video. É mesmo muito chocante.


e-mails e site:

Website - www.fatima-lopes.com

Fatima Lopes Europe - infos@fatima-lopes.com

International Sales - alexandre@fatima-lopes.com

o gabinete de relações publicas em paris - info@lappartpr.fr

quinta-feira, 24 de março de 2005

Frases soltas

tive alguns protestos de leitores, nomeadamente de leitores imaginários que não existem, sobre o excesso de branco neste blogue.

quero esclarecer esses leitores.





































o branco também é bonito
entretenham-se a imaginar o que poderia estar escrito neste espaço em branco.

Daqui Só Sai Merda - Uma reflexão sobre a criatividade

normalmente, aqui estaria um texto.



infelizmente, hoje não há texto.



entretenham-se a olhar para o espaço em branco.

o branco também é bonito.
















tanto gozas com a realidade que um dia ainda te lixas.

Sur-le-real

i'm too tired to write
i'm too tired to
too tired to
tired to
to

hoje, reflecti sobre as arbitrariedades da vida.

sairam-me três pêlos da boca.

não voltarei a reflectir.



REALITY IS B o R i N g

(write this on a t-shirt and get rich)

there are so many letters and signs here

one can hardly walk

without stepping on one of those



clip clip clip

touch me I am super. S u P e R

Ab-normalities

how nice to be here with you, again

dr. jesus had trouble with his poop

get rid of your problems

get rid of your pants

jackson painted a portrait of himself

looked pretty ugly to me

I can't seem to face the hardness

it's so fierce

like liquids and squids

looked fine and educated

try marrying a guy like this

stop interrupting

I am only joking

relaxing

drowning

quarta-feira, 16 de março de 2005

Com os pés bem assentes na terra

O Correio da Manhã publicou uma notícia em que o grupo Coldplay afirmava temer que os seus próximos concertos fossem um "floop". Nem sequer é gralha, a expressão é repetida mais uma vez.
***
Santana Lopes, o homem com maior número de partículas "ex" no seu curriculum, respondeu da seguinte maneira à pergunta de uma jornalista sobre como o devia tratar: "Chamem-me o que quiserem".
Ora aí está algo que não devemos esquecer. Deixe aqui o seu pedido e faremos os possíveis por fazer chegar todas as sugestões ao interessado.
***
O Vaticano, aquela super-potência espiritual cujo chefe de estado - o radical polaco Karol Wotilja - está balhelhas, decidiu emitir uma opinião sobre o livro "O Código Da Vinci" de Dan Brown. Disse o Vaticano, por intermédio de um dos seus ministros, que o livro em questão continha um chorrilho de mentiras e falsidades e aconselhou livrarias cristãs a não o venderem e todos os católicos a evitarem meter as mãos na referida obra.
Dado que o livro já foi lançado há uns tempos e vendeu que nem pãezinhos frescos, podemos especular que a alta hierarquia da Igreja Católica tem algumas dificuldades de leitura?
Em sérios problemas estão os católicos que compraram e leram o livro. Andaram a divertir-se com uma obra de conteúdo herético e certamente pagarão por isso mais tarde.
Estranho, eu que sou ateu declarado, ainda não li o livro. Ou seja, nesta campo sou muito menos pecador do que muitos católicos assumidos que eu conheço. Noutros também. É giro atirar-lhes isso à cara.
***
O tipo com cara de parvo que é presidente dos Estados Unidos, quer colocar Paul Wolfowitz como presidente do Banco Mundial. Sendo verdade que o senhor em questão pesca mais de armas e de guerras - agora trabalha no Pentágono e tudo - do que de dinheiro, será lícito esperar que o Banco Mundial se transforme numa potência militar num prazo máximo de 10 anos?
***
Mário Soares e Adriano Moreira declararam apoiar a adesão de Cabo Verde à Comunidade Europeia. Falaram de questões culturais e históricas. Parece que não é só no Vaticano que há problemas. Mário, Adriano, pá...Cabo Verde fica em....(todos juntos)...ÁFRICA!!! A Comunidade Europeia chama-se assim porque é composta por paises...(todos juntos outra vez)...EUROPEUS!!! Se há dúvidas em deixar entrar a Turquia que é mais asiática do que Europeia - quem tem dúvidas é favor ir passar férias à Anatólia - que dizer então de Cabo Verde? Se começamos a deixar entrar países de fora do continente isso não começa a parecer um bocadinho ridículo e a deturpar os objectivos da CE???
***
Por falar em Soares, o filhinho do seu papá, tem um blogue. Agora que ninguém lhe liga nenhuma, que o PS está no governo e ele está em coisa nenhuma, usa o blogue para se fazer ouvir. E dizer disparates é claro. A propósito da intenção do governo em liberalizar a venda de medicamentos, retirando aos farmâceuticos o monopólio que eles tantos amam, o João disse que não concordava, que o que era bom era manter a situação como estava porque eles gosta de farmácias porque são sítios de higiene e qualidade. Faltou o "simpático, agradável e cultural"...
***
Sobre a história das farmácias apenas isto:
"Já vem tarde!"
É coisa minha, eu sei, por vezes é chato, mas eu não gosto mesmo nada de monopólios nem de sectores em que o corporativismo se sobrepõe a tudo o resto.

segunda-feira, 7 de março de 2005

Eu bem vos disse...

...editei alguns posts, mudei coisas, refiz, dei a volta.

Coisa da vida

paixões por canções...

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud que de nos
chagrins il s'en fait des manteaux pourtant quelqu'un m'a dit...

Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

On me dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parais qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Pourtant quelqu'un m'a dit ...

Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit...

Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,
Pourtant quelqu'un m'a dit que...

Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

Carla Bruni, Quelqu'un M'a Dit (2002)

domingo, 6 de março de 2005

Esclarecimento às massas

Vocês devem ser cozidas não mais do que 7 minutos, ou até ficarem al dente. Devem ser cozidas em água a ferver com um pouco de sal e um fiozinho de azeite ou óleo.

O Dia Em Que Choveram Antímios de Azevedo num Hospital SA

A nossa equipa de reportagem deslocou-se ao local para recolher testemunhos dos que assistiram a este fenómeno:

Popular de Fato de Treino: É verdade. O que se passou aqui foi uma vergonha. 'Tava eu mais a minha Genoveva à espera para sermos atendidos quando, de repente, começaram a chover Antímios de Azevedo por todo o lado. Um ainda me apanhou de raspão...ó, 'tá a ver aqui no sobrolho? E a minha Genoveva, 'tadita levou com um mesmo em cima na tola e tá no S.O. com um traumatismo crâniano. Isto é uma vergonha pá! As pessoas tão aqui para serem atendidas e ainda levam com Antímios de Azevedo em cima! Isto é inadmissível!

Motorista de Ambulância: Pois eu vi tudo. Tinhamos vindo aqui trazer um doente e de repente o mesmo desata a correr naquela direcção ali e nunca mais o vímos. EU pessoalmente acho que foi um milagre e que tudo se deve à Irmã Lúcia. A queda de Antímios era o décimo sétimo segredo de Fátima e como é que eu sei isto, pergunta-me você? Pois eu sei isto porque eu também tenho visões. É verdade, às vezes estou a conduzir a ambulância e de repente vejo coisas e de uma dessas vezes eu ví os pastorinhos que me disseram que afinal existem 52 segredos de Fátima, tal qual um baralho de cartas. É verdade sim senhor! O senhor 'tá a ver aquele baralho de cartas que os Americanos fizeram para o pessoal do Saddam? Pois fique sabendo que existem um baralho igual debaixo de uma oliveira, num sítio ultra secreto, que contém os segredos de Fátima. 'Tá-se a rir? Homem de pouca fé, é o que você é! Você não tem fé!

Médico de Serviço: Eu não vi nada. Estava lá dentro a soturar um tipo que se tinha enfiado num poste com um carro de bois e ao mesmo tempo a atender um delegado de propaganda médica e não vi nada. Dizem que cairam Antímios de Azevedo mas a mim custa-me a crer. Toda a gente sabe que meteorologistas não caiem assim do céu. Já uma vez ví uma chuva de contorcionistas durante um congresso científico na Tailândia, agora meteorologistas, tenham lá paciência!

O Conselho de Administração do Hospital SA, por seu turno, nega todas as acusações de negligência e diz que vai mandar instaurar um inquérito. Instados a comentar o facto de não terem sido feitas quaisquer acusações de negligência ao Hospital em causa, o porta-voz remeteu-se ao silêncio sem antes dizer para procurarmos bem debaixo de uma oliveira.

quarta-feira, 2 de março de 2005

Hello Kehbab

Entrevista com Ytzahk Lansky, escritor Israelita, por ocasião do lançamento do seu último livro, “Hello Kehbab”, no nosso país.


Ytzahk Lansky, você é um escritor conceituado em Israel, com uma vastíssima obra literária traduzida em diversas línguas. Como encara toda a controvérsia que “Hello Kehbab” gerou?

Muito obrigado pelos elogios, são certamente mais do que aqueles que merecia ouvir. Muito obrigado também pelo convite que me endereçaram. Quanto ao livro, acho que as opiniões inflamadas ouvidas em Israel foram um exagero. Nada justificava aquela ânsia destrutiva que se abateu sobre a minha obra. Claro que abordo alguns temas incómodos e acho perfeitamente natural que existam sectores na sociedade do meu país que não queiram que se fale deles. Mas vendo tudo friamente foi demais.

As suas origens são algo estranhas, a sua mãe é Libanesa, o seu pai é Israelita e viajaram imenso por países Árabes.

Sim. O meu pai ganhou imenso dinheiro a construir colonatos ilegais nos territórios ocupados e por isso tínhamos posses para viajar com frequência. Como o meu pai era mais um cidadão do mundo do que um Israelita clássico, cheio de medo dos que o rodeiam, andámos por toda a parte sem problemas e divertimo-nos imenso. O meu pai fazia amigos facilmente.

E inimigos também…

Bom, o meu pai era muito brincalhão e um dia tivemos um problema na Líbia...ele disse em voz alta que o Kadhaffi era um palhaço.

E houve muita gente que ouviu?

Bem, considerando que 15 minutos antes ele se tinha posto em pé, em cima de uma caixa de madeira e dançado sapateado vestido de Marlene Dietrich, acho que sim…

O que aconteceu a seguir?

Fugimos rapidamente dali e passámos a fronteira de noite disfarçados de omoletas. Os Líbios têm um nojo terrível de omoletas - chamam-lhes “ovos chulé” - e por isso não revistaram a camioneta em que íamos. Mas tive de impedir que o meu pai continuasse a rir, não fossem os guardas desconfiar.

O seu pai era conhecido por ter um sentido de humor muito cáustico e em certas ocasiões também inconsciente…

Sim…mas porque é só me faz perguntas sobre o meu pai? Supostamente estaríamos aqui para falar do livro…

Já lá vamos, já lá vamos…estava a pôr-lhe uma questão sobre o sentido de humor do seu pai...

Está bem… o meu pai tinha na realidade um sentido de humor que, por vezes, era embaraçoso. Uma vez em Jerusalém, apertou uma bochecha ao Arafat e disse-lhe que ele estava a ficar gordinho. Felizmente, o líder palestiniano era uma pessoa bem disposta e fomos só açoitados. Aliás, só eu é que fui açoitado porque o meu pai fez uma fita, chorou baba e ranho e o Arafat mandou-o embora porque ele lhe estava a fazer dores de cabeça.

E mais?

Mais o quê?

Mais histórias do seu pai…

Não, agora temos de falar sobre o meu livro!

Vá lá, só mais uma…depois falamos só do seu livro. Tudo o que quiser.

Bom, está bem… se é assim… Há mais uma história que teve lugar em Beirute na altura da Guerra Civil.

O que é que ele fez?

Naquela época eram frequentes os raptos de estrangeiros, um pouco como está a acontecer agora no Iraque. Tínhamos ido passar duas semanas ao Líbano, de visita a uns familiares da minha mãe. O meu pai estava aborrecidíssimo, achava a família da minha mãe insuportavelmente chata e pretensiosa. Por isso decidiu encenar o seu próprio rapto. Obrigou-me a vestir de terrorista e a gravar uma mensagem dele com uma faca enorme encostada ao pescoço, com a camera de vídeo que tínhamos acabado de comprar. E depois fez chegar a cassette à Associated Press.

Isso deve ter sido como uma bomba.

Na realidade o governo Israelita pensou que era tudo real e reagiu, houve um ataque aéreo e tudo, como retaliação. Eu é que decidi acabar com a farsa e liguei ao correspondente da AP em Beirute. O meu pai ficou fulo e mandou-me açoitar por um grupo de mulheres muçulmanas.

AH AH AH AH AH AH…

Pois, você acha muita piada não é? Não foi você que foi açoitado! Já podemos falar sobre o meu livro? Já se riu o suficiente?

Huh….não. Na verdade não.

Não o quê?

Na verdade não vamos falar sobre o seu livro.

Está a brincar não?

Pois…realmente, não. Eu acho o seu livro uma porcaria. Além disso está cheio de erros.

Erros?

Sim. Por exemplo, não existe nenhum número 32 na Rue des Sables em Paris.

Mas, mas isso é um detalhe apenas…

Pois, pois, pois, pois… mas é um erro e isso faz com que o seu livro passe a ser desprezado e vilipendiado pelos media.

Vili…quê?

Adeusinho pá. Já temos o que queríamos. As histórias do teu pai. Isso sim é material do bom.

Mãããããeeeeee!!!!