Este coiso aborda essencialmente nada em especial. É rigorosamente imprevisível. Inclui diversas referências ao nicles absoluto e contém níveis elevados de parvoíce. Em dias bons pode encontrar por aqui alguns textos medianamente interessantes sobre cinema, televisão, cultura popular e marketing.
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segunda-feira, 7 de março de 2005
Coisa da vida
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud que de nos
chagrins il s'en fait des manteaux pourtant quelqu'un m'a dit...
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?
On me dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parais qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Pourtant quelqu'un m'a dit ...
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?
Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit...
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,
Pourtant quelqu'un m'a dit que...
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?
Carla Bruni, Quelqu'un M'a Dit (2002)
domingo, 6 de março de 2005
Esclarecimento às massas
O Dia Em Que Choveram Antímios de Azevedo num Hospital SA
Popular de Fato de Treino: É verdade. O que se passou aqui foi uma vergonha. 'Tava eu mais a minha Genoveva à espera para sermos atendidos quando, de repente, começaram a chover Antímios de Azevedo por todo o lado. Um ainda me apanhou de raspão...ó, 'tá a ver aqui no sobrolho? E a minha Genoveva, 'tadita levou com um mesmo em cima na tola e tá no S.O. com um traumatismo crâniano. Isto é uma vergonha pá! As pessoas tão aqui para serem atendidas e ainda levam com Antímios de Azevedo em cima! Isto é inadmissível!
Motorista de Ambulância: Pois eu vi tudo. Tinhamos vindo aqui trazer um doente e de repente o mesmo desata a correr naquela direcção ali e nunca mais o vímos. EU pessoalmente acho que foi um milagre e que tudo se deve à Irmã Lúcia. A queda de Antímios era o décimo sétimo segredo de Fátima e como é que eu sei isto, pergunta-me você? Pois eu sei isto porque eu também tenho visões. É verdade, às vezes estou a conduzir a ambulância e de repente vejo coisas e de uma dessas vezes eu ví os pastorinhos que me disseram que afinal existem 52 segredos de Fátima, tal qual um baralho de cartas. É verdade sim senhor! O senhor 'tá a ver aquele baralho de cartas que os Americanos fizeram para o pessoal do Saddam? Pois fique sabendo que existem um baralho igual debaixo de uma oliveira, num sítio ultra secreto, que contém os segredos de Fátima. 'Tá-se a rir? Homem de pouca fé, é o que você é! Você não tem fé!
Médico de Serviço: Eu não vi nada. Estava lá dentro a soturar um tipo que se tinha enfiado num poste com um carro de bois e ao mesmo tempo a atender um delegado de propaganda médica e não vi nada. Dizem que cairam Antímios de Azevedo mas a mim custa-me a crer. Toda a gente sabe que meteorologistas não caiem assim do céu. Já uma vez ví uma chuva de contorcionistas durante um congresso científico na Tailândia, agora meteorologistas, tenham lá paciência!
O Conselho de Administração do Hospital SA, por seu turno, nega todas as acusações de negligência e diz que vai mandar instaurar um inquérito. Instados a comentar o facto de não terem sido feitas quaisquer acusações de negligência ao Hospital em causa, o porta-voz remeteu-se ao silêncio sem antes dizer para procurarmos bem debaixo de uma oliveira.
quarta-feira, 2 de março de 2005
Hello Kehbab
Ytzahk Lansky, você é um escritor conceituado em Israel, com uma vastíssima obra literária traduzida em diversas línguas. Como encara toda a controvérsia que “Hello Kehbab” gerou?
Muito obrigado pelos elogios, são certamente mais do que aqueles que merecia ouvir. Muito obrigado também pelo convite que me endereçaram. Quanto ao livro, acho que as opiniões inflamadas ouvidas em Israel foram um exagero. Nada justificava aquela ânsia destrutiva que se abateu sobre a minha obra. Claro que abordo alguns temas incómodos e acho perfeitamente natural que existam sectores na sociedade do meu país que não queiram que se fale deles. Mas vendo tudo friamente foi demais.
As suas origens são algo estranhas, a sua mãe é Libanesa, o seu pai é Israelita e viajaram imenso por países Árabes.
Sim. O meu pai ganhou imenso dinheiro a construir colonatos ilegais nos territórios ocupados e por isso tínhamos posses para viajar com frequência. Como o meu pai era mais um cidadão do mundo do que um Israelita clássico, cheio de medo dos que o rodeiam, andámos por toda a parte sem problemas e divertimo-nos imenso. O meu pai fazia amigos facilmente.
E inimigos também…
Bom, o meu pai era muito brincalhão e um dia tivemos um problema na Líbia...ele disse em voz alta que o Kadhaffi era um palhaço.
E houve muita gente que ouviu?
Bem, considerando que 15 minutos antes ele se tinha posto em pé, em cima de uma caixa de madeira e dançado sapateado vestido de Marlene Dietrich, acho que sim…
O que aconteceu a seguir?
Fugimos rapidamente dali e passámos a fronteira de noite disfarçados de omoletas. Os Líbios têm um nojo terrível de omoletas - chamam-lhes “ovos chulé” - e por isso não revistaram a camioneta em que íamos. Mas tive de impedir que o meu pai continuasse a rir, não fossem os guardas desconfiar.
O seu pai era conhecido por ter um sentido de humor muito cáustico e em certas ocasiões também inconsciente…
Sim…mas porque é só me faz perguntas sobre o meu pai? Supostamente estaríamos aqui para falar do livro…
Já lá vamos, já lá vamos…estava a pôr-lhe uma questão sobre o sentido de humor do seu pai...
Está bem… o meu pai tinha na realidade um sentido de humor que, por vezes, era embaraçoso. Uma vez em Jerusalém, apertou uma bochecha ao Arafat e disse-lhe que ele estava a ficar gordinho. Felizmente, o líder palestiniano era uma pessoa bem disposta e fomos só açoitados. Aliás, só eu é que fui açoitado porque o meu pai fez uma fita, chorou baba e ranho e o Arafat mandou-o embora porque ele lhe estava a fazer dores de cabeça.
E mais?
Mais o quê?
Mais histórias do seu pai…
Não, agora temos de falar sobre o meu livro!
Vá lá, só mais uma…depois falamos só do seu livro. Tudo o que quiser.
Bom, está bem… se é assim… Há mais uma história que teve lugar em Beirute na altura da Guerra Civil.
O que é que ele fez?
Naquela época eram frequentes os raptos de estrangeiros, um pouco como está a acontecer agora no Iraque. Tínhamos ido passar duas semanas ao Líbano, de visita a uns familiares da minha mãe. O meu pai estava aborrecidíssimo, achava a família da minha mãe insuportavelmente chata e pretensiosa. Por isso decidiu encenar o seu próprio rapto. Obrigou-me a vestir de terrorista e a gravar uma mensagem dele com uma faca enorme encostada ao pescoço, com a camera de vídeo que tínhamos acabado de comprar. E depois fez chegar a cassette à Associated Press.
Isso deve ter sido como uma bomba.
Na realidade o governo Israelita pensou que era tudo real e reagiu, houve um ataque aéreo e tudo, como retaliação. Eu é que decidi acabar com a farsa e liguei ao correspondente da AP em Beirute. O meu pai ficou fulo e mandou-me açoitar por um grupo de mulheres muçulmanas.
AH AH AH AH AH AH…
Pois, você acha muita piada não é? Não foi você que foi açoitado! Já podemos falar sobre o meu livro? Já se riu o suficiente?
Huh….não. Na verdade não.
Não o quê?
Na verdade não vamos falar sobre o seu livro.
Está a brincar não?
Erros?
Sim. Por exemplo, não existe nenhum número 32 na Rue des Sables em Paris.
Mas, mas isso é um detalhe apenas…
Pois, pois, pois, pois… mas é um erro e isso faz com que o seu livro passe a ser desprezado e vilipendiado pelos media.
Vili…quê?
Adeusinho pá. Já temos o que queríamos. As histórias do teu pai. Isso sim é material do bom.
Mãããããeeeeee!!!!
terça-feira, 1 de março de 2005
Estou preocupado - Balada da Tipa Jeitosa
Naquela noite, fiquei soterrado em folhas e só ví o final de uma boa noite de arrepios em cima do terraço vazio.
Roubaste todas as minhas ideias e agora és uma tipa famosa.
(estoupreocupadocomaspalavrasqueseagarramumasàsoutras)
Mas, no fim de tudo, contas feitas,
resta o sublime acto de regorgitar os sons que produzimos durante o dia
para dentro das cabeças ocas dos amigos.
Dia Nacional dos DEVO
We lost our tails
Evolving up
From little snails
I say it’s all
Just wind in sails
Are we not men?
We are devo!
We’re pinheads now
We are not whole
We’re pinheads all
Jocko homo
Are we not men?
D-e-v-o
Monkey men all
In business suit
Teachers and critics
All dance the poot
Are we not men?
We are devo!
Are we not men?
D-e-v-o
God made man
But he used the monkey to do it
Apes in the plan
We’re all here to prove it
I can walk like an ape
Talk like an ape
I can do what a monkey can do
God made man
But a monkey supplied the glue
We must repeat
O.k. let’s go!
Jocko Homo, Devo (1980)
Finos
Vá ali dentro da barraca buscar a garrafa de aguardente ao pai que está a morrer de sede.
Sim mamã.
E tente não tropeçar nas ratoeiras, que maçada, o míudo é tão desajeitado.
O Homem dos Puns e a Generosidade
Transeunte: Olá.
Homem dos Puns: Eu queria dar-lhe um pum, pode ser?
Transeunte: Oh mas claro, sim. Faça favor, esteja à vontade.
Homem dos Puns: Pum!
Transeunte: Muito obrigado pela sua atenção. Foi um excelente pum.
Homem dos Puns: De nada amigo, foi um prazer.
Homem dos Puns: Bom dia minha senhora.
Transeunte: Bom dia.
Homem dos Puns: Importava-se que eu lhe desse um pum.
Transeunte: Ai que querido, nao me importo nada, faça favor.
Homem dos Puns: Pum!
Transeunte: Ai que simpático, muito obrigado, foi muito gentil.
Homem dos Puns: De nada minha senhora, sempre às ordens.
Homem dos Puns: Olá posso interromper?
Casal de Transeuntes: Sim, pode. Não faz mal.
Homem dos Puns: Eu estava ali de longe, a observar-vos a namorar e achei que vocês eram capazes de gostar de um pum. Posso dar-vos um?
Casal de Transeuntes: Olha, mas que atenção tão bonita. Não estava mesmo nada à espera. Muito obrigado.
Homem dos Puns: Ora essa. É um prazer. Permitem-me?
Casal de Transeuntes: Faça a fineza.
Homem dos Puns: Pum!
Casal de Transeuntes: Já não existem pessoas assim. Não estava mesmo nada à espera de um gesto destes. Foi muito querido.
Seja como o Homem dos Puns. Dê aos outros o melhor que há em si.
Um conselho da Cruz Vermelha Portuguesa.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
De repente, é a minha vez
De repente é outra vez a minha vez.
Start Counting
while suckers fall asleep
I'll be damned
forged silences unleashed
I'll be damned
start calling my name again
I'll be damned
dancing with no floor to hold me
I'll be damned
How I trusted distant unkown lands
I'll be damned
no place to rest or church to pray
I'll be damned
jokes will repeat forever
I'll be damned
both nostrels will shut
I'll be damned
a flavour you never tasted
I'll be damned
I'll be eternally damned
Start Counting
while suckers fall asleep
I'll be damned
forged silences unleashed
I'll be damned
start to call my name again
I'll be damned
dancing with no floor beneath
I'll be damned
trust in distant unkown lands
I'll be damned
no place to rest or simply pray
I'll be damned
jokes will repeat forever
I'll be damned
both nostrels will shut
I'll be damned
a flavour you never tasted
I'll be damned
Canções - Lista Linda
DAVID BOWIE - ZIggy Stardust
THE MADNESS - Nighboat to Cairo
TOM ROBINSON BAND - Power in the Darkness
GEORGE THROGOOD AND THE DESTROYERS - Bad to The Bone
MAN OR ASTRO-MAN - Theme From Eviac
PLASMATICS & MOTORHEAD - Stand By Your Man
SHAM 69 - If The Kids Are United
THE BUZZCOCKS - Ever Fallen In Love
THE CRAMPS - Bikini Girls With Machine Guns
THE NEW YORK DOLLS - Back in the USA
THE POGUES & JOE STRUMMER - I Fought the Law (And the Law Won)
THE RAMONES - Pinehead
THE SPECIALS - Ghost Town
THE STRANGLERS - Nuclear Device
The Stench In You
I will let you go home
but you must understand
there is nothing like the stench in you
the stench in you
nothing like the stench in you
the stench in you
the stench in you
that's why I love
the likes of you
embarrassing and sloppy
potentially dangerous
nothing but a weight for society
but the first time I kissed you
I felt all burning inside
that was when I finally found
there is nothing like the stench in you
the stench in you
nothing like the stench in you
the stench in you
the stench in you
that's why I love
the likes of you
Don't Wait For Me
I think everyone's down by the lake, making fun of the poor handicapped boy.
I washed the floor of the house with my face, even noticed how the strange little dots in the wood carry shapes of flying men.
All is peacefully combined with a brownish rust that comes rolling from the usual evening rain.
I have watched the flocks standing in line, trembling with fear of being preyed.
Tonight, the previously bombed lovers will embrace and old partners will lay still, drinking and laughing as the time passes.
For no one was ever able to feel this well. Floating in the quiet water. No flies or bumblebees to disturb the silence. Just a row boat sliding in a smooth and uncommon way.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
Sem remédio / Sem sono
massa de pimentão
sapatinhos de cetim
ter
ver
milagres no dia de S.Crespim
és caótica amor meu
como os soluços do tear
faço tudo para te ver
faço de conta que não és ninguém
nestas linhas sem sentido
está o perdão que te peço
pelo sentimento daquela hora
A minha conversa com o homem que cheirava a puns
Pois é. Sempre vivi numa casa em que toda a gente dava puns e o cheiro entranhou-se em mim.
Mas certamente que você se lava homem!
Lavo pois mas o cheiro a puns nunca desaparece. Imagine o que isto faz à minha vida social.
Imagino, o fedor é insuportável. Olhe, adeuzinho e passe bem....de preferência bem longe!
E pronto, foi assim a minha conversa com o homem que cheirava a puns, necessáriamente curta dadas as circunstâncias.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Dias Contados II
tirei da cabeça as ideias encharcadas em suor
quis descansar o cérebro
no meio das cigarras a entrelaçar fios de sol
o meu refúgio está longe
a uma distância que me aconchega o ar
deixando-me respirar a verdade das coisas
a tomar consciência de mim
a existir.