massa de pimentão
massa de pimentão
sapatinhos de cetim
ter
ver
milagres no dia de S.Crespim
és caótica amor meu
como os soluços do tear
faço tudo para te ver
faço de conta que não és ninguém
nestas linhas sem sentido
está o perdão que te peço
pelo sentimento daquela hora
Este coiso aborda essencialmente nada em especial. É rigorosamente imprevisível. Inclui diversas referências ao nicles absoluto e contém níveis elevados de parvoíce. Em dias bons pode encontrar por aqui alguns textos medianamente interessantes sobre cinema, televisão, cultura popular e marketing.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
A minha conversa com o homem que cheirava a puns
Bolas! Você cheira imenso a puns!
Pois é. Sempre vivi numa casa em que toda a gente dava puns e o cheiro entranhou-se em mim.
Mas certamente que você se lava homem!
Lavo pois mas o cheiro a puns nunca desaparece. Imagine o que isto faz à minha vida social.
Imagino, o fedor é insuportável. Olhe, adeuzinho e passe bem....de preferência bem longe!
E pronto, foi assim a minha conversa com o homem que cheirava a puns, necessáriamente curta dadas as circunstâncias.
Pois é. Sempre vivi numa casa em que toda a gente dava puns e o cheiro entranhou-se em mim.
Mas certamente que você se lava homem!
Lavo pois mas o cheiro a puns nunca desaparece. Imagine o que isto faz à minha vida social.
Imagino, o fedor é insuportável. Olhe, adeuzinho e passe bem....de preferência bem longe!
E pronto, foi assim a minha conversa com o homem que cheirava a puns, necessáriamente curta dadas as circunstâncias.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Dias Contados II
mal pisei a terra molhada
tirei da cabeça as ideias encharcadas em suor
quis descansar o cérebro
no meio das cigarras a entrelaçar fios de sol
o meu refúgio está longe
a uma distância que me aconchega o ar
deixando-me respirar a verdade das coisas
a tomar consciência de mim
a existir.
tirei da cabeça as ideias encharcadas em suor
quis descansar o cérebro
no meio das cigarras a entrelaçar fios de sol
o meu refúgio está longe
a uma distância que me aconchega o ar
deixando-me respirar a verdade das coisas
a tomar consciência de mim
a existir.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Os Dias Contados
Ao correr do tempo o pavimento estreitou nas cores do pôr-do-sol quanto mais arredondado mais especial fica o sentir e eu perco o fôlego com estas coisas com estas pequenas alegrias encho-me todo de luzinhas de néon e o mundo passa a ser outra vez um grande balão de pastilha elástica.
O Dever Cívico
É tarde e eu já devia estar na cama, a dormir.
Mas antes que me esqueça, quero deixar aqui a minha opinião sobre as eleições que aí vêm.
Numa linha: Os candidatos são todos uns grandes chatos, sem ideias. Não há um partido que se aproveite.
PSD - Se isto fosse futebol devia descer à Segunda Divisão. Ou há uma purga feita a sério, à antiga soviética, com tipos apagados das fotografias e enviados para bem longe (ver post sobre invasão da Islândia....) ou o partido dos ditos sociais-democráta só recupera lá para a altura em que o Parque Meyer e o Túnel do Marquês estiverem prontos. Ou seja, daqui a muuuuuito tempo. Vale pelos bons momentos de humor, tipo a aliança com os marialvas do PPM e essa fantástica força política que dá pelo nome de Partido da Terra - para quem nunca ouviu falar, são meia dúzia de ginjas que decidiram criar um partido pequeno com o objectivo de um dia serem chamados para uma coligação com um partido grande liderado por um tótó.
PS - Cu-cu...lembram-se do Guterres, o da franjinha e das beiças? Ok, são os mesmos...agora com um senhor que não diz nada com medo de se entalar. Eu disse entalar? Desculpem, queria dizer...entalar.
CDS - Valha-nos São Gorgolejo, o padroeiro dos submarinos. E aqueles cortes de cabelo....
PCP - Hello??? A União Sovietica já acabou e a Coreia do Norte não é uma democracia, tá?
BE - Estes tipos são irritantes. Intelectuais de esquerda unidos num partido? A Ana Drago deputada? O Rosas? O mano do outro? Louçã, o padre vermelho? E não se pode fechá-los todos no Lux e deitar a chave ao rio?
Os outros partidos todos - são engraçadinhos...mas não são reais pois não?
Conclusão: É líquido que vamos continuar a ser governados por políticos de carreira que nunca fizeram nada mais na vida senão política. E como toda a gente sabe, isso não dá saúde a ninguém. Não contem comigo. Nenhum deles corresponde ao que eu acho ser necessário para o país e nenhum tem ideias porque perdem todo o tempo a lutar uns contra os outros. Para eles o partidozinho está antes do país. Cá o brotas vai à urna dia 20 mas deixa o seu boletim em branco. E vai continuar a fazê-lo até que estes políticos saiam e entre gente que tenha trabalhado alguma vez na vida.
A bem da nação.
Agora vou dormir.
Comam frutas e legumes. Vão precisar...
Mas antes que me esqueça, quero deixar aqui a minha opinião sobre as eleições que aí vêm.
Numa linha: Os candidatos são todos uns grandes chatos, sem ideias. Não há um partido que se aproveite.
PSD - Se isto fosse futebol devia descer à Segunda Divisão. Ou há uma purga feita a sério, à antiga soviética, com tipos apagados das fotografias e enviados para bem longe (ver post sobre invasão da Islândia....) ou o partido dos ditos sociais-democráta só recupera lá para a altura em que o Parque Meyer e o Túnel do Marquês estiverem prontos. Ou seja, daqui a muuuuuito tempo. Vale pelos bons momentos de humor, tipo a aliança com os marialvas do PPM e essa fantástica força política que dá pelo nome de Partido da Terra - para quem nunca ouviu falar, são meia dúzia de ginjas que decidiram criar um partido pequeno com o objectivo de um dia serem chamados para uma coligação com um partido grande liderado por um tótó.
PS - Cu-cu...lembram-se do Guterres, o da franjinha e das beiças? Ok, são os mesmos...agora com um senhor que não diz nada com medo de se entalar. Eu disse entalar? Desculpem, queria dizer...entalar.
CDS - Valha-nos São Gorgolejo, o padroeiro dos submarinos. E aqueles cortes de cabelo....
PCP - Hello??? A União Sovietica já acabou e a Coreia do Norte não é uma democracia, tá?
BE - Estes tipos são irritantes. Intelectuais de esquerda unidos num partido? A Ana Drago deputada? O Rosas? O mano do outro? Louçã, o padre vermelho? E não se pode fechá-los todos no Lux e deitar a chave ao rio?
Os outros partidos todos - são engraçadinhos...mas não são reais pois não?
Conclusão: É líquido que vamos continuar a ser governados por políticos de carreira que nunca fizeram nada mais na vida senão política. E como toda a gente sabe, isso não dá saúde a ninguém. Não contem comigo. Nenhum deles corresponde ao que eu acho ser necessário para o país e nenhum tem ideias porque perdem todo o tempo a lutar uns contra os outros. Para eles o partidozinho está antes do país. Cá o brotas vai à urna dia 20 mas deixa o seu boletim em branco. E vai continuar a fazê-lo até que estes políticos saiam e entre gente que tenha trabalhado alguma vez na vida.
A bem da nação.
Agora vou dormir.
Comam frutas e legumes. Vão precisar...
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005
Adeus Suleiman
Suleiman, disseste adeus.
Choveu malta no teu beberete de despedida,
e nem me deste tempo para dizer quanto te odeio
Fugiste estrada fora e deixaste-me aqui
o fel a escorrer dos cantos da boca
a pedir boleia na corcunda de alguém.
Alguém a quem possa assombrar, infernizar
só porque foste embora sem dizer nada.
e me deixaste este ódio orfão,
este arrazoado de insultos sem casa.
É pior que o fogo do inferno
ter esta raiva funda e não a poder libertar
não podias ser mais cruel
largares a vida assim
sem deixar que depositasse em ti
esta gangrena que durante anos juntei.
Adeus Suleiman,
tiveste um lindo funeral
e deixaste-me esta herança cruel
que não poderei esbanjar com ninguém.
Choveu malta no teu beberete de despedida,
e nem me deste tempo para dizer quanto te odeio
Fugiste estrada fora e deixaste-me aqui
o fel a escorrer dos cantos da boca
a pedir boleia na corcunda de alguém.
Alguém a quem possa assombrar, infernizar
só porque foste embora sem dizer nada.
e me deixaste este ódio orfão,
este arrazoado de insultos sem casa.
É pior que o fogo do inferno
ter esta raiva funda e não a poder libertar
não podias ser mais cruel
largares a vida assim
sem deixar que depositasse em ti
esta gangrena que durante anos juntei.
Adeus Suleiman,
tiveste um lindo funeral
e deixaste-me esta herança cruel
que não poderei esbanjar com ninguém.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005
Os Ricotas de Maomé
Dan Brown, o autor de "Código Da Vinci", o livro que pôs toda a gente a olhar o quadro da "Última Ceia" com lupas e binóculos, vai editar um novo romance.
A nova obra vai chamar-se "Os Ricotas de Maomé" e manterá a receita de mistério e história que marcou a sua obra anterior.
Numa conferência de imprensa recente, Dan Brown aceitou desvendar um pouco a trama do seu novo projecto.
Segundo ele, o livro falará de um estranho fenómeno: o aparecimento de simbolos Islâmicos em queijos ricota um pouco por todo o mundo. A partir daí o seu herói, o Professor Simmings, começará a descobrir que existe uma conspiração com 1800 anos para tomar o Grão-Ducado do Luxemburgo, de onde um líder religioso apóstata, de origem Portuguesa, o Ayatollah Saraiva, lançará um movimento fundamentalista cujo objectivo será a transformação da Europa num Estado Islâmico.
Dam Brown não quis aprofundar o envolvimento dos queijos ricota na história mas deixou escapar um revelador "Upa, upa!" quando instado a comentar o assunto.
Fontes chegadas ao autor, mencionaram a possibilidade de Maomé ter sido o inventor do ricota e que, após a sua morte, um grupo de fanáticos se dedicou à confecção e ao culto do queijo.
Entretanto, ficámos a saber ainda que se preparam já uma série de edições paralelas ao lançamento de "Os Ricotas de Maomé". "Os Ricotas Descodificados"; "O Ricota - Mito ou Realidade"; "Maomé e os Queijos" e "Mil e Um Receitas Fáceis com Ricota" escrito pelo Chefe Silva.
Também a adaptação ao cinema está já equacionada sendo provável que Colin Farrel seja o escolhido para o papel de Ricota e Rachel Weisz para o papel de Professor Simmings. É bem possível ainda que os quatro tipos do Gato Fedorento também apareçam neste filme após acabarem a dobragem das vozes de quatros pinguins num filme de animação da Disney.
A nova obra vai chamar-se "Os Ricotas de Maomé" e manterá a receita de mistério e história que marcou a sua obra anterior.
Numa conferência de imprensa recente, Dan Brown aceitou desvendar um pouco a trama do seu novo projecto.
Segundo ele, o livro falará de um estranho fenómeno: o aparecimento de simbolos Islâmicos em queijos ricota um pouco por todo o mundo. A partir daí o seu herói, o Professor Simmings, começará a descobrir que existe uma conspiração com 1800 anos para tomar o Grão-Ducado do Luxemburgo, de onde um líder religioso apóstata, de origem Portuguesa, o Ayatollah Saraiva, lançará um movimento fundamentalista cujo objectivo será a transformação da Europa num Estado Islâmico.
Dam Brown não quis aprofundar o envolvimento dos queijos ricota na história mas deixou escapar um revelador "Upa, upa!" quando instado a comentar o assunto.
Fontes chegadas ao autor, mencionaram a possibilidade de Maomé ter sido o inventor do ricota e que, após a sua morte, um grupo de fanáticos se dedicou à confecção e ao culto do queijo.
Entretanto, ficámos a saber ainda que se preparam já uma série de edições paralelas ao lançamento de "Os Ricotas de Maomé". "Os Ricotas Descodificados"; "O Ricota - Mito ou Realidade"; "Maomé e os Queijos" e "Mil e Um Receitas Fáceis com Ricota" escrito pelo Chefe Silva.
Também a adaptação ao cinema está já equacionada sendo provável que Colin Farrel seja o escolhido para o papel de Ricota e Rachel Weisz para o papel de Professor Simmings. É bem possível ainda que os quatro tipos do Gato Fedorento também apareçam neste filme após acabarem a dobragem das vozes de quatros pinguins num filme de animação da Disney.
O Policia de Trânsito Amador
Luis Peixoto é polícia de trânsito amador há 3 anos. Desde criança sonhava perseguir os outros automobilistas e distribuir multas por todo o lado. Luis conhece o código da estrada desde tenra idade e não dá descanso aos infractores. Foi com este homem que hoje falámos:
P: Diga-me Senhor Luis, quando é que decidiu tornar-se Polícia de Trânsito Amador?
R: Olhe, eu desde miúdo que gostava de ver o trânsito e os carros, mas sempre me fizeram muita confusão as asneiradas dos condutores Portugueses.
P: E vai dai decidiu ser polícia...
R: Não. Primeiro tentei ser pianista, depois físico nuclear e por fim controlador de tráfego aéreo.
P: E porque razão não seguiu nenhuma dessas profissões.
R: Por falta de apoios. Sabe que eu não nasci numa família rica. Éramos 18 lá em casa...
P: Dezoito???
R: Sim. Eu o meu pai, a minha mãe, a minha avó, o meu avô os meus 5 irmãos e as sete ratazanas que por lá apareceram e acabaram por ficar. Afeiçoámo-nos aos bichos e foi como se passassem a ser família. Comiam à mesa com a gente e tudo.
P: Mas mesmo assim isso só faz 17...
R: Ah é? Pronto, então éramos 17...
P: Então mas conte-me lá como foram os seus primeiros passos como policia.
R: Bom, isto é fácil. Comprei um carrito em segunda mão, uma daquelas luzinhas azuis que rodam e uma sirene e pronto.
P: Os primeiros tempos devem ter sido duros não?
R: Ui, muito duros meu amigo. Como o carrito era fraco só conseguia mandar parar velhinhas, Fiats 600 e putos de bicicleta... Foram tempos muito duros. Ninguém me respeitava, mas felizmente, depois, consegui compor a minha vida e agora já tenho um Subaru todo artilhado, uma maravilha. Ainda o estou a pagar mas não me arrependo nada.
P: Então e como é que faz?
R: Bom, deixo-me ir na auto-estrada e tal, muito quietinho, na faixa da direita, assim nos 100-110 à hora e se passa algum acelera, vou logo atrás dele.
P: E depois?
R: Depois é luzinha de fora, megafone na boca, digo ao senhor automobilista para encostar e vou lá autuá-lo. Tenho um livrinho de multas muito jeitoso que mandei fazer numa gráfica em Samora Correia, para ter uma coisa como deve de ser para apresentar às pessoas, e pronto.
P: E carros mal estacionados? Também costuma andar à caça de carros mal estacionados?
R: Sabe, já me deixei disso. A concorrência é muita, ele é os polícias a sério, os homenzinhos vestidos de verde...é muita malta...a além disso é coisa que não dá muita luta. Eu gosto mesmo é de acção.
P: E qual é o próximo passo? Pretende desenvolver esta actividade de policia de trânsito amador?
R: Sim, sim....claro. Sabe, isto é um bichinho que se mete na gente. Até a minha família já anda quase toda metida nisto.
P: Ai sim?
R: Pois! Olhe, o meu cunhado Jacinto comprou um Smart e sempre que tá de folga anda pelos corredores do Bus a mandar sair os carros particulares que não têm nada que lá andar. A minha mulher e a minha sogra, aos fins de semana, costumam montar a sua mesinha de radar e entretém-se a apanhar tipos em excesso de velocidade.
P: É portanto uma família empenhada em fazer cumprir a lei.
R: É...gostamos disto, o que se há-de fazer?
P: Muito obrigado, Sr. Luis Peixoto pela sua colaboração.
R: De nada amigo, de nada...agora tenho de ir...já me viu aquele tipo no Fiat Punto? Devia ir para aí a uns 180! Adeusinho, amigo!!
P: Diga-me Senhor Luis, quando é que decidiu tornar-se Polícia de Trânsito Amador?
R: Olhe, eu desde miúdo que gostava de ver o trânsito e os carros, mas sempre me fizeram muita confusão as asneiradas dos condutores Portugueses.
P: E vai dai decidiu ser polícia...
R: Não. Primeiro tentei ser pianista, depois físico nuclear e por fim controlador de tráfego aéreo.
P: E porque razão não seguiu nenhuma dessas profissões.
R: Por falta de apoios. Sabe que eu não nasci numa família rica. Éramos 18 lá em casa...
P: Dezoito???
R: Sim. Eu o meu pai, a minha mãe, a minha avó, o meu avô os meus 5 irmãos e as sete ratazanas que por lá apareceram e acabaram por ficar. Afeiçoámo-nos aos bichos e foi como se passassem a ser família. Comiam à mesa com a gente e tudo.
P: Mas mesmo assim isso só faz 17...
R: Ah é? Pronto, então éramos 17...
P: Então mas conte-me lá como foram os seus primeiros passos como policia.
R: Bom, isto é fácil. Comprei um carrito em segunda mão, uma daquelas luzinhas azuis que rodam e uma sirene e pronto.
P: Os primeiros tempos devem ter sido duros não?
R: Ui, muito duros meu amigo. Como o carrito era fraco só conseguia mandar parar velhinhas, Fiats 600 e putos de bicicleta... Foram tempos muito duros. Ninguém me respeitava, mas felizmente, depois, consegui compor a minha vida e agora já tenho um Subaru todo artilhado, uma maravilha. Ainda o estou a pagar mas não me arrependo nada.
P: Então e como é que faz?
R: Bom, deixo-me ir na auto-estrada e tal, muito quietinho, na faixa da direita, assim nos 100-110 à hora e se passa algum acelera, vou logo atrás dele.
P: E depois?
R: Depois é luzinha de fora, megafone na boca, digo ao senhor automobilista para encostar e vou lá autuá-lo. Tenho um livrinho de multas muito jeitoso que mandei fazer numa gráfica em Samora Correia, para ter uma coisa como deve de ser para apresentar às pessoas, e pronto.
P: E carros mal estacionados? Também costuma andar à caça de carros mal estacionados?
R: Sabe, já me deixei disso. A concorrência é muita, ele é os polícias a sério, os homenzinhos vestidos de verde...é muita malta...a além disso é coisa que não dá muita luta. Eu gosto mesmo é de acção.
P: E qual é o próximo passo? Pretende desenvolver esta actividade de policia de trânsito amador?
R: Sim, sim....claro. Sabe, isto é um bichinho que se mete na gente. Até a minha família já anda quase toda metida nisto.
P: Ai sim?
R: Pois! Olhe, o meu cunhado Jacinto comprou um Smart e sempre que tá de folga anda pelos corredores do Bus a mandar sair os carros particulares que não têm nada que lá andar. A minha mulher e a minha sogra, aos fins de semana, costumam montar a sua mesinha de radar e entretém-se a apanhar tipos em excesso de velocidade.
P: É portanto uma família empenhada em fazer cumprir a lei.
R: É...gostamos disto, o que se há-de fazer?
P: Muito obrigado, Sr. Luis Peixoto pela sua colaboração.
R: De nada amigo, de nada...agora tenho de ir...já me viu aquele tipo no Fiat Punto? Devia ir para aí a uns 180! Adeusinho, amigo!!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2005
Impressões
Ontem fui almoçar ao Altis por obrigação. Acho o hotel feio e mal cuidado, o restaurante é pretencioso e a comida é má e feita com os pés.
***
Acabou por ser engraçado. Na mesa à minha frente, Luis Filipe Vieira falava ao telemóvel e esperava pelo seu convidado, Jorge Coelho, ex-uma data de coisas, Sportinguista e pessoa bem colocada no Partido Socialista.
***
É engraçado ver como os dirigentes dos clubes de futebol, por um lado atiçam os adeptos uns contra os outros e encorajam a tal doença chamada clubite, agente estupidificante de qualquer ser humano, seja ele trolha da Areosa ou bancário em Telheiras, por outro, almoçam juntos de modo civilizado com adeptos do "inimigo".
***
Existem várias hipóteses para a razão de tal almoço:
a) São grandes amigalhaços e têm direito a almoçarem juntos como qualquer cidadão
b) O Jorge Coelho tem dúvidas quanto ao seu "Sportinguismo" e está a pensar mudar de clube.
c) O presidente do Benfica gostava de saber como vão parar as modas relativamente aos milhões que o ministro Bagão Felix diz serem devidos ao fisco.
***
Num outro canto da sala, o General Ramalho Eanes falava para um grupo de pessoas que não consegui identificar, mas que tinham um ar muito respeitável e sisudo.
***
A comida não prestou para nada e os empregados oscilam entre o desajeitado e o possidónio mas acabou por ser giro...Acho que vou lá voltar outra vez...
terça-feira, 18 de janeiro de 2005
Diálogos Intermitentes Para Jovens Sinistros
- Viste?
- Vi o q?
- Os solilóquios, as megeras, o tempero dos miocárdios!!! Oh, homem de Deus, desesperado rabino dos sete céus, estás cego?
- Sim, reparei quase por acaso. mas o que têm de especial? Parecem-me apenas os restos deixados na praia por uma maré viva de soporíferos...
- É muito mais do que isso, honorífico nababo! A cerimónia celestina ao pé da torre representa as sirenes de boas vindas ao rei dos indigentes, a certificação de santidade das águas furtadas ao limiar da bífida serpentina.
- Deliras certamente, meu bom anfíbio...
- Deliro? Achas mesmo que a ilícita bestunta, sete vezes batida em untadas celebrações, carregada em ombros pelas escadas musguentas da castelar citadela, é um delírio?
- Exageras...
- Se for teu desejo que pare, ampara-me o salivar e cerra-me a glote! Poupa-me no entanto às tuas cuspidelas de súcio.
- Cerrar-te a glote? Nem por sombras, distinto resquício de celestes cavalgadas! Continua...
- A semente germinada terá no fim da estação seca, o poder de intragáveis bestiagas, o sopro amargo de um cupido derrencado. O que vimos, tu e eu, foi a primeira manifestação do desfrute, o desfraldar do estandarte ecuménico dos vizires da pouca-vergonha! Se não acordarmos desta sesta esquizofrénica, em breve seremos tomados pelas hordas do heresiarca.
- Pareces certo de tudo isso, escolástico alferes. Mas não compreendo uma coisa. Se dizes serem ominosas as visões que nos cercam, porque razão não se manifestaram ainda os patriarcas da genuflexão?
- Porque também eles cederam aos etéreos esvaziadores de homens...
- Que dramatismo! Pensava eu que as crenças pagãs, não passavam de exaltações delirantes, escritas em calhamaços delidos...
- Pensa como quiseres. Ignora os meus avisos. Mais tarde arrepender-te-ás e suarás os bofes pelas mãos, como se fosses um porcídeo diante do seu carrasco.
- Vi o q?
- Os solilóquios, as megeras, o tempero dos miocárdios!!! Oh, homem de Deus, desesperado rabino dos sete céus, estás cego?
- Sim, reparei quase por acaso. mas o que têm de especial? Parecem-me apenas os restos deixados na praia por uma maré viva de soporíferos...
- É muito mais do que isso, honorífico nababo! A cerimónia celestina ao pé da torre representa as sirenes de boas vindas ao rei dos indigentes, a certificação de santidade das águas furtadas ao limiar da bífida serpentina.
- Deliras certamente, meu bom anfíbio...
- Deliro? Achas mesmo que a ilícita bestunta, sete vezes batida em untadas celebrações, carregada em ombros pelas escadas musguentas da castelar citadela, é um delírio?
- Exageras...
- Se for teu desejo que pare, ampara-me o salivar e cerra-me a glote! Poupa-me no entanto às tuas cuspidelas de súcio.
- Cerrar-te a glote? Nem por sombras, distinto resquício de celestes cavalgadas! Continua...
- A semente germinada terá no fim da estação seca, o poder de intragáveis bestiagas, o sopro amargo de um cupido derrencado. O que vimos, tu e eu, foi a primeira manifestação do desfrute, o desfraldar do estandarte ecuménico dos vizires da pouca-vergonha! Se não acordarmos desta sesta esquizofrénica, em breve seremos tomados pelas hordas do heresiarca.
- Pareces certo de tudo isso, escolástico alferes. Mas não compreendo uma coisa. Se dizes serem ominosas as visões que nos cercam, porque razão não se manifestaram ainda os patriarcas da genuflexão?
- Porque também eles cederam aos etéreos esvaziadores de homens...
- Que dramatismo! Pensava eu que as crenças pagãs, não passavam de exaltações delirantes, escritas em calhamaços delidos...
- Pensa como quiseres. Ignora os meus avisos. Mais tarde arrepender-te-ás e suarás os bofes pelas mãos, como se fosses um porcídeo diante do seu carrasco.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2005
As Aventuras de Mano Djambé
Mano Djambé saiu de suburbio pela manhã. Bem vestido, roupa de marca, Mano Djambé sabe escolher, impressiona as mulheres. Ao chegar ao centro da cidade, Mano Djambé, de repente, começa a gritar contra o racismo, punho fechado no ar, gritando, gritando. As pessoas todas olharam para o negro bem vestido, de ar moderno, as mulheres suspiraram, perdidas de amores pelo galã africano. Mas o mano, não liga para elas, continua a berrar contra o racismo que faz dele um cidadão de segunda, contra a falta de oportunidades, contra a descriminação, a exploração, a escravatura, o cinismo da sociedade que diz que não, que não é racista, que até gosta de preto. Mano Djambé gritou até uma pequena multidão reunir à volta dele. Então, um patrício, um mais velho, de cabelo grisalho, disse para ele baixinho ao ouvido:
"Mano Djambé, estás fora de moda. Essas coisas que tu falas, que tu berras, já não se usam, é coisa do passado."
Mano Djambé, olhou o velho, bem fixo, directo, como o homem honesto que é. Baixou o punho lentamente e voltou para casa, envergonhado.
No dia seguinte, voltou ao trabalho no Banco e à noite foi ao cinema com a namorada, Belinha, mulata bonita de morrer.
"Mano Djambé, estás fora de moda. Essas coisas que tu falas, que tu berras, já não se usam, é coisa do passado."
Mano Djambé, olhou o velho, bem fixo, directo, como o homem honesto que é. Baixou o punho lentamente e voltou para casa, envergonhado.
No dia seguinte, voltou ao trabalho no Banco e à noite foi ao cinema com a namorada, Belinha, mulata bonita de morrer.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2005
Os Doutores
É verdade o que se diz por aí. Que a classe política caiu em descrédito, que a democracia está enfraquecida e tal...
...também é verdade que, normalmente, o humor toma inspiração nas atitudes dos políticos e nas intrigas e discussões que entre eles nascem.
O invulgar é que o contrário aconteça, que os políticos se inspirem nos sketches humorísticos.
A verdade é que aconteceu. Ontem mesmo, na Sic Notícias, dois candidatos a deputados homenagearam à sua maneira um sketch do "Gato Fedorento".
Ao repetirem várias vezes: "Ó Sôtor...ó Sôtor...ó Sôtor...ó Sôtor" um para o outro, os dois candidatos a deputados só podiam estar a remeter para a obra dos eméritos criadores do "Falam, falam, falam....", O facto de um deles ter-se mesmo dado ao trabalho de compor a personagem com um penteado ridículo, que certamente não usa no dia-a-dia, só vem acrescentar valor ao momento.
...também é verdade que, normalmente, o humor toma inspiração nas atitudes dos políticos e nas intrigas e discussões que entre eles nascem.
O invulgar é que o contrário aconteça, que os políticos se inspirem nos sketches humorísticos.
A verdade é que aconteceu. Ontem mesmo, na Sic Notícias, dois candidatos a deputados homenagearam à sua maneira um sketch do "Gato Fedorento".
Ao repetirem várias vezes: "Ó Sôtor...ó Sôtor...ó Sôtor...ó Sôtor" um para o outro, os dois candidatos a deputados só podiam estar a remeter para a obra dos eméritos criadores do "Falam, falam, falam....", O facto de um deles ter-se mesmo dado ao trabalho de compor a personagem com um penteado ridículo, que certamente não usa no dia-a-dia, só vem acrescentar valor ao momento.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2005
Ora tomem lá
Ora tomem lá os nomes de uns blogues que eu acho interessantes. São todos de gente que eu não faço ideia de quem são mas que escrevem melhor ou têm mais piada do que eu. Se assim não fosse, não os colocava aqui. Acho que não é pecado invejar e querer ser tão bom como eles.
Sabem que eu não alinho na história de citar os blogues alheios e de tecer comentários sobre o que neles se passa. Considerem isto uma excepção que se repetirá sempre que eu julgar apropriado.
Ah, e não há links para ninguém. Procurem se quiserem.
Comam lá as frutas e os legumes e não chateiem.
Castor de Mármore
Projecto Litanias
The Pirilampo Magico Project
Xobineski Patruska ou como raio se chama este blogue...
Sabem que eu não alinho na história de citar os blogues alheios e de tecer comentários sobre o que neles se passa. Considerem isto uma excepção que se repetirá sempre que eu julgar apropriado.
Ah, e não há links para ninguém. Procurem se quiserem.
Comam lá as frutas e os legumes e não chateiem.
Castor de Mármore
Projecto Litanias
The Pirilampo Magico Project
Xobineski Patruska ou como raio se chama este blogue...
Landscape
I like to take off my shoes the moment I get home. Then I sit on my couch, lie still with a bottle of mineral water in my hand - sparkling with a hint of lemon - watching the landscape around me.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2005
Impressões
A reacção do governo Português aos acontecimentos na Ásia foi lenta e desorganizada. Embaixadores em férias, técnicos que iam mas tardavam em chegar, etc.
***
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, apanhado em plena ressaca do Natal falou para a Antena 1 com voz arrastada. Teve falhas de memória – valeu-lhe o jornalista de serviço que lá lhe lembrou que faltavam as Maldivas – e passou certidões de óbito aos desaparecidos – “que é como quem diz, mortos”. Infelizmente, os ditos cujos, recusaram-se a morrer e, chatice das chatices, logo no dia a seguir começaram a aparecer.
***
A dona Dulce foi de férias para a Tailândia no dia a seguir aos maremotos (sim, existe uma palavra portuguesa para designar “tsunami”) e o senhor Gama, mais a sua filha que diz “pa” em vez de “para”, mostrou a sua sabedoria ao declarar ter “lido na história” o que eram os tais de “tsunamis” e sabendo logo dizer a toda à prole o que se passava, do alto do segundo andar do hotel de segunda categoria onde estavam instalados, com vista para uma nesga de praia.
***
Dias depois o senhor Gama teve o seu momento de glória ao aparecer, inchado e mal contendo o orgulho, no Jornal da Noite da TVI, para comentar o seu filme, feito do tal segundo andar do tal hotel de segunda categoria em Phuket.
***
Ficou provado que os turistas mais irritantes e possidónios do mundo são os russos logo seguidos dos portugueses. Coisas de novos ricos…não?
***
Um coordenador de voluntários Britânico apareceu na Sky News, agradeceu o apoio de todos, o modo maravilhoso como o Governo Tailandês estava a lidar com a situação trágica em que o país estava e recusou queixar-se. Embora tudo no seu olhar dissesse que não dormia há uma série de dias, embora o desespero e o choque de ter de lidar com cadáveres em decomposição num cenário devastado, lhe perdoasse qualquer fraqueza ou lamúria. Apenas pediu polidamente ao Governo que fosse ainda um pouco mais maravilhoso e que enviasse alguém para os render. Disse ainda, que os voluntários estavam dispostos a continuar até que aparecesse o exército Tailandês, ou alguém mais habilitado, para os substituir. Só quando a jornalista lhe disse que ele parecia exausto é que o homem acabou por confessar, meio envergonhado, que sim, que estava perto do limite.
***
A corrida das doações já começou. Os Estados Unidos tomaram a dianteira, a França sentiu-se ofendida e reagiu logo depois, com o Japão, a Alemanha e a Grã-Bretanha em plena recuperação. Quanto deste dinheiro anunciado irá realmente chegar a provocar algum efeito? Na feira das consciências sujas o arraial ainda agora começou.
***
Penso que já todos repararam no facto de que esta catástrofe foi bem ao gosto dos defensores da globalização. Morreram uma data de sub-desenvolvidos juntamente com uns quantos turistas desenvolvidos. Foi a sorte dos pobrezinhos. As televisões estão lá todas, pelo menos enquanto houver uma história comovente para servir no prime-time desenvolvido do hemisfério norte ou um novo vídeo amador para mostrar. Todos se acotovelam para ajudar, contribuir, doar.
***
Bom Ano Novo!
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O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, apanhado em plena ressaca do Natal falou para a Antena 1 com voz arrastada. Teve falhas de memória – valeu-lhe o jornalista de serviço que lá lhe lembrou que faltavam as Maldivas – e passou certidões de óbito aos desaparecidos – “que é como quem diz, mortos”. Infelizmente, os ditos cujos, recusaram-se a morrer e, chatice das chatices, logo no dia a seguir começaram a aparecer.
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A dona Dulce foi de férias para a Tailândia no dia a seguir aos maremotos (sim, existe uma palavra portuguesa para designar “tsunami”) e o senhor Gama, mais a sua filha que diz “pa” em vez de “para”, mostrou a sua sabedoria ao declarar ter “lido na história” o que eram os tais de “tsunamis” e sabendo logo dizer a toda à prole o que se passava, do alto do segundo andar do hotel de segunda categoria onde estavam instalados, com vista para uma nesga de praia.
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Dias depois o senhor Gama teve o seu momento de glória ao aparecer, inchado e mal contendo o orgulho, no Jornal da Noite da TVI, para comentar o seu filme, feito do tal segundo andar do tal hotel de segunda categoria em Phuket.
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Ficou provado que os turistas mais irritantes e possidónios do mundo são os russos logo seguidos dos portugueses. Coisas de novos ricos…não?
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Um coordenador de voluntários Britânico apareceu na Sky News, agradeceu o apoio de todos, o modo maravilhoso como o Governo Tailandês estava a lidar com a situação trágica em que o país estava e recusou queixar-se. Embora tudo no seu olhar dissesse que não dormia há uma série de dias, embora o desespero e o choque de ter de lidar com cadáveres em decomposição num cenário devastado, lhe perdoasse qualquer fraqueza ou lamúria. Apenas pediu polidamente ao Governo que fosse ainda um pouco mais maravilhoso e que enviasse alguém para os render. Disse ainda, que os voluntários estavam dispostos a continuar até que aparecesse o exército Tailandês, ou alguém mais habilitado, para os substituir. Só quando a jornalista lhe disse que ele parecia exausto é que o homem acabou por confessar, meio envergonhado, que sim, que estava perto do limite.
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A corrida das doações já começou. Os Estados Unidos tomaram a dianteira, a França sentiu-se ofendida e reagiu logo depois, com o Japão, a Alemanha e a Grã-Bretanha em plena recuperação. Quanto deste dinheiro anunciado irá realmente chegar a provocar algum efeito? Na feira das consciências sujas o arraial ainda agora começou.
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Penso que já todos repararam no facto de que esta catástrofe foi bem ao gosto dos defensores da globalização. Morreram uma data de sub-desenvolvidos juntamente com uns quantos turistas desenvolvidos. Foi a sorte dos pobrezinhos. As televisões estão lá todas, pelo menos enquanto houver uma história comovente para servir no prime-time desenvolvido do hemisfério norte ou um novo vídeo amador para mostrar. Todos se acotovelam para ajudar, contribuir, doar.
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Bom Ano Novo!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2004
És um Vendido
Um grupo de amigos - malta dura e rija, bando de extremistas perigosos - disse-me no outro dia, ainda sob o efeito da ressaca nataleira:
"Tu estás a ficar comercial."
Assim. Sem mais nem menos. Como se eu fosse uma banda de rock industrial de repente rendida ao malhão e ao corridinho.
Impedido de responder, com a boca a transbordar de uma tosta mista (sem manteiga sáxavôr) só consegui dizer:
"uh?"
"Sim. É só textos parvos, escritos para toda a gente perceber. Estás a perder o toque."
"O toque rectal?" - disse eu indignado, porque se há coisa que não me podem tirar é a minha visital anual ao médico que me enfia um dedito enluvado pelo rabiosque acima.
"Já não te reconhecemos. Estamos a poderar seriamente deixarmos de ser teus amigos. Sabes, não nos podemos dar com gente que escreve assim. É mau para a nossa reputação."
Eu não tinha ideia alguma de que eles pudessem ter reputação ou coisa que o valha. Eles sempre me pareceram muito esquisitos, gente que não se leva a casa ou se apresenta à família. Aliás, as próprias familias sempre tiveram a mesma opinião e no Natal fecham-nos no quarto das arrumações ou vão para longe sem lhes dizerem nada.
Fui-me embora a matutar no que eles haviam dito. Será verdade? Estou preocupado.
"Tu estás a ficar comercial."
Assim. Sem mais nem menos. Como se eu fosse uma banda de rock industrial de repente rendida ao malhão e ao corridinho.
Impedido de responder, com a boca a transbordar de uma tosta mista (sem manteiga sáxavôr) só consegui dizer:
"uh?"
"Sim. É só textos parvos, escritos para toda a gente perceber. Estás a perder o toque."
"O toque rectal?" - disse eu indignado, porque se há coisa que não me podem tirar é a minha visital anual ao médico que me enfia um dedito enluvado pelo rabiosque acima.
"Já não te reconhecemos. Estamos a poderar seriamente deixarmos de ser teus amigos. Sabes, não nos podemos dar com gente que escreve assim. É mau para a nossa reputação."
Eu não tinha ideia alguma de que eles pudessem ter reputação ou coisa que o valha. Eles sempre me pareceram muito esquisitos, gente que não se leva a casa ou se apresenta à família. Aliás, as próprias familias sempre tiveram a mesma opinião e no Natal fecham-nos no quarto das arrumações ou vão para longe sem lhes dizerem nada.
Fui-me embora a matutar no que eles haviam dito. Será verdade? Estou preocupado.
sábado, 25 de dezembro de 2004
A Grande Água
Longe.
Lá.
Mal vejo.
Dos montes.
Para além da grande água.
Como um quadro.
Ao fim do dia.
As cores.
Tão belo.
Único.
Lá.
Mal vejo.
Dos montes.
Para além da grande água.
Como um quadro.
Ao fim do dia.
As cores.
Tão belo.
Único.
Gone. Good. Relieved.
Já comprei a minha t-shirt oficial: "Eu sobrevivi ao Natal de 2004", para juntar às outras 36 que tenho lá no armário.
Uf...
Uf...
segunda-feira, 20 de dezembro de 2004
Islândia
Algumas das melhores ideias aparecem do nada, no meio de uma conversa.
Neste caso são duas ideias e ambas têm a ver com a Islandia.
1. A Invasão
Estavamos no outro dia a falar de cinema quando veio à baila um filme Islandês chamado "Noi Albinoi". A história de um menino a quem a mãe oferece um "View Master" com imagens do Taiti. O petiz entra em depressão profunda, olha à volta e só vê lava e neve e acaba por morrer.
Isto é brilhante. Portugal não consegue invadir nada de jeito há muito tempo, certo?
A Islândia é um alvo fácil. Bastava lançar de avião uns quantos "view master" com as tais imagens do Taiti, esperar uns dias que os nativos ficassem bem deprimidos e depois era só mandar a tropa limpar o terreno dos pobres Islandeses que certamente nos implorariam que puséssemos fim à sua miserável existência.
Limpa a Islândia de todos os Islandeses, poderíamos assim cumprir os três objectivos que nos levaram à invasão - assegurar uma reserva permanente de bacalhau, criar uma colónia penal de jeito e aumentar o consumo de sopa por parte das crianças pela utilização frequente da expressão: se não comes a sopinha toda vais para a Islândia ter com o Bibi e o Pinto da Costa.
A pedido de alguns chatos do Clube de Todo-o-Terreno da Bobadela, informo que também poderiam usar a ilha para andar aos saltos nos vossos carritos. E sim, antes que perguntem, poderiam ainda servir-se livremente dos presos como pinos.
Neste caso são duas ideias e ambas têm a ver com a Islandia.
1. A Invasão
Estavamos no outro dia a falar de cinema quando veio à baila um filme Islandês chamado "Noi Albinoi". A história de um menino a quem a mãe oferece um "View Master" com imagens do Taiti. O petiz entra em depressão profunda, olha à volta e só vê lava e neve e acaba por morrer.
Isto é brilhante. Portugal não consegue invadir nada de jeito há muito tempo, certo?
A Islândia é um alvo fácil. Bastava lançar de avião uns quantos "view master" com as tais imagens do Taiti, esperar uns dias que os nativos ficassem bem deprimidos e depois era só mandar a tropa limpar o terreno dos pobres Islandeses que certamente nos implorariam que puséssemos fim à sua miserável existência.
Limpa a Islândia de todos os Islandeses, poderíamos assim cumprir os três objectivos que nos levaram à invasão - assegurar uma reserva permanente de bacalhau, criar uma colónia penal de jeito e aumentar o consumo de sopa por parte das crianças pela utilização frequente da expressão: se não comes a sopinha toda vais para a Islândia ter com o Bibi e o Pinto da Costa.
A pedido de alguns chatos do Clube de Todo-o-Terreno da Bobadela, informo que também poderiam usar a ilha para andar aos saltos nos vossos carritos. E sim, antes que perguntem, poderiam ainda servir-se livremente dos presos como pinos.
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