Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Teoria do bullshitismo geral



Há quase duas décadas convenceram-nos de que não precisávamos de indústria nem de produzir alimentos. Políticos e gente que aparece na televisão, ou escreve nos jornais repetiu até à náusea o mantra de que "Portugal deve apostar nos serviços".

Mais coisa, menos coisa, são os mesmos que agora clamam pelo "comprar português", que apelam ao sentimento patriótico e à união de todos os portugueses e usam fitinhas idiotas criadas por bancos (mal) geridos à pala estatal.

Os mesmos que agora dizem que é preciso privatizar e vender a outros aquilo que não se soube, ou não se quis gerir.

Os que entregam o minério a consórcios canadianos criados em 2008 e não souberam estimular a criação de uma empresa portuguesa que explorasse estes recursos e não enviasse 96% dos proveitos para o exterior.

Os que se preparam para admitir a incompetência para construir e comercializar navios ao vender os Estaleiros de Viana do Castelo a italianos.

Nos idos dos 90 não faltaram discursos teóricos, muito lindos, a justificar o caminho escolhido. Tal como agora. Infelizmente, começamos a perceber que a essência da economia não mudou assim tanto desde os tempos do ouro do Brasil. Os erros de que nos falaram na escola são os mesmos: não produzimos nada, não investimos em nada duradouro. Desbaratamos riqueza.

É triste e irritante.