Muito se fala sobre serviço público. Pouco se faz e quase nenhumas decisões são tomadas. Certo é que tudo parece mais fácil quando estamos do lado de fora.
A propósito do que se diz neste texto, algumas humildes notas:
a) Sobre as séries
A história das séries da BBC é um cliché fora de moda. A Fox vai estrear uma excelente série britânica na próxima segunda-feira. Das melhores dos últimos anos, assim me dizem. Curiosamente é da ITV, um dos canais privados.
O AXN já exibe produções europeias - espanholas e alemãs, fruto da actividade que a Sony Television, dona do canal, desenvolve nesses países há uns bons anos.
Hoje, a diferença faz-se pelo timing de exibição. O tempo é valor: quanto mais cedo transmitires, mais valor ofereces à audiência e mais valorizas o teu canal.
Transmitir séries com dois ou três anos de atraso em relação à estreia mundial vale zero nos dias que correm.
Nesta área, como em quase toda a parte, creio, o essencial é ter pessoas atentas e competentes, que saibam o que estão a fazer. E, claro, dinheiro para investir e comprar o que é bom, quando está no pico de valor.
b) Sobre o futuro do serviço público
Parece claro na mente de tudo quanto é gente de bem que serviço público significa dizer adeus a um modelo de grelha semelhante ao dos privados.
Infelizmente, isso vai significar uma quebra quase imediata nas audiências e a correspondente descida no investimento publicitário.
Ou seja, ao inevitável corte no dinheiro que entra do Estado vai juntar-se um corte nas receitas.
Sem dinheiro, como adquirir a tal programação de qualidade? Como criar uma indústria do audiovisual?
